Caro professor, você ataca do “cem-quilos” ou do “side control”?

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Luiz Dias na GAS Jiu-Jitsu, no Rio de Janeiro. Foto: Ilan Pellenberg / GRACIEMAG

Por Professor Luiz Dias – @luizdiasbjj

Outro dia, um amigo em visita à GAS Jiu-Jitsu, minha academia no bairro das Laranjeiras, no Rio, sentou para me mostrar uma posição. Ele então começou:

– Essa aqui eu faço a partir do “side control”.

Perguntei na mesma hora o que ele tinha contra o clássico e tradicional “cem-quilos”, usado há quase um século nas academias do país. Ele não soube me responder.

O idioma e a cultura de uma comunidade ampla como o Jiu-Jitsu estão em frequente transformação, claro. Mas a partir desse dia comecei a refletir. Por que nos dojos do Rio e São Paulo em especial gancho agora é “hook”, estrangulamento é “choke” e proteção com as pernas virou “shield”, em vez do nosso tradicional escudo, em bom português?

Sem falar, claro, no treino de repetição ou específico que virou “drill”.

Por que, afinal, nossos alunos e professores optam por termos em inglês, se todos nós temos tanto orgulho de dizer que treinamos o Jiu-Jitsu brasileiro?

Não sou um professor purista, vejam bem. Creio que expressões como “armlock” já foram inseridas há décadas. O meu incômodo é com o excesso. Muitos instrutores se apegam tanto ao termo estrangeiro que não sabem o sinônimo em nossa língua local.

Ao meu ver, isso não me parece em nada com avanço ou modernização – eu vejo é como uma perda da nossa força e da beleza da nossa língua.

Como professores, sinto que estamos replicando para nossos alunos alguns estrangeirismos e pobreza vocabular, que eles por sua vez vão passar adiante no futuro.

É o que eu tenho conversado na minha academia. Nós, como professores, temos o dever de proteger o nosso Jiu-Jitsu e sua cultura. Isto também passa por defender nossa língua, e nossos termos originais. Fique atento ao seu dojô e a de seus amigos: você também tem percebido uma avalanche de termos desnecessários?

Se até hoje chamamos a queda japonesa de o-so-togari, torço para que, por muitos séculos, nossos praticantes ainda saibam o que é um bom e velho mata-leão.

Se você concorda ou discorda, mande uma mensagem para o meu email, geracaoartesuave@yahoo.com.br. Oss!

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