Você venceria suas lutas com as regras do Jiu-Jitsu de 1954?

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Academia lotada para a demonstração de defesa pessoal do professor Helio Gracie, nos anos 1950. Foto: Arquivos GRACIEMAG

Academia lotada para a demonstração de defesa pessoal do professor Helio Gracie, nos anos 1950. Foto: Arquivos GRACIEMAG

No dia 19 de novembro de 2025, os professores Pedro Valente e Robert Drysdale foram os convidados de um debate rico e esclarecedor, em que abordaram diversos episódios da centenária história do Jiu-Jitsu no Brasil, dos primeiros capítulos em Belém do Pará até lutas ocorridas anteontem.

Durante a “trocação” de ideias, levada ao ar pelo podcast Connect Cast, os faixas-pretas acabaram por resgatar algumas relíquias.

Uma delas foi um velho artigo de jornal, de 1954, com as regras de um torneio interno da academia Gracie na avenida Rio Branco, no coração do Rio de Janeiro. Um campeonato programado para cinco categorias de peso – de menos de 49kg até acima de 81kg.

O valor do tesouro está na contagem dos pontos, o que era raro em campeonatos dos irmãos Carlos e Helio Gracie – antes, durante e depois daquela época.

Até a década de 1950, a família Gracie se posicionava com veemência contra os jurados, pontos ou vantagens. Para “botar à prova”, dois lutadores deveriam se testar até a finalização ou desistência, ou nada ficava provado, e o resultado era o empate.

Prova disso foi uma das lutas mais comentadas da década, no ano seguinte ao tal torneio interno.

Em 1955, o rapagão Carlson Gracie, aos 23 anos, vestiu seu kimono branco e sua faixa-preta para enfrentar o velho companheiro de treinos Waldemar Santana, em luta sob as regras do Jiu-Jitsu. O “tira-cisma”, onde Carlson tentaria vingar o tio Helio, derrotado por Waldemar num vale-tudo na sede carioca do YMCA, entupiu o Maracanãzinho com quase 40 mil pessoas – nem os fotógrafos e as autoridades conseguiam sentar.

Sem pontos ou jurados, a disputa acabou empatada – mesmo após sonoras quedas, diversas passagens e cinco ou seis montadas estabilizadas pelo Gracie. Waldemar, salvo pelo gongo em alguns rounds, entrou ídolo nacional e saiu vaiado do “pequeno Maracanã”, como era chamado o ginásio Gilberto Cardoso.

O regulamento de 1954, exibido no vídeo ali pelas 2h08min do debate, é ainda mais peculiar pela diferença para as regras de hoje, guardando semelhanças com os torneios de judô na época, ao dar pontos para quedas não perfeitas.

O que representava aquela pontuação? Um protótipo, um teste para agilizar os torneios? Um meio de atrair praticantes do judô? Ou uma pista de que os Gracie então valorizavam mais as quedas? Foram todas essas hipóteses que ajudaram a turbinar o debate.

Confira alguns tópicos curiosos da regras da Academia Gracie da época e comente: seu jogo encaixaria bem com elas?

* Lutas preliminares de dois rounds de cinco minutos – semifinais e finais com três rounds;

• Queda clássica: 1 ponto

* Queda imperfeita: meio ponto

* Iniciativa de ataque: 1 ponto

* Montada: 1 ponto

* Imobilização por mais de 30 segundos: 1 ponto

* Pegada pelas costas: 1 ponto

* Fuga do ringue: 1 ponto negativo

(Em caso de fugas sucessivas, o árbitro poderia a seu critério desclassificar o competidor.)

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