
“Tenho vivido uma experiência muito especial competindo na faixa-preta nos Estados Unidos”, conta o professor GMI Neto Claudino, originalmente da cidade de Sorriso, no Mato Grosso. “Recebi minha nova graduação há apenas oito meses, mas já carrego uma trajetória de aproximadamente 12 anos dedicados ao Jiu-Jitsu. Esta nova fase tem sido desafiadora e ao mesmo tempo muito enriquecedora, porque o nível de competição é extremamente alto e cada campeonato traz novos aprendizados.”
“Desde que comecei a competir aqui”, Claudino continua, “participei de diversos eventos importantes da IBJJF, JJWL e Grappling X, conquistando títulos e chegando constantemente ao pódio em categorias de peso e absoluto. Mais do que os resultados, o que mais tem me marcado é a oportunidade de evoluir tecnicamente e amadurecer como atleta, enfrentando estilos diferentes de luta e atletas do mundo inteiro.”

GRACIEMAG: Quais foram as principais lições que você aprendeu nessa intensa bateria de competições a que você se submeteu recentemente?
NETO CLAUDINO: Uma grande lição foi perceber que, na faixa-preta, a margem de erro praticamente não existe. Nas faixas coloridas, muitas vezes eu ainda conseguia corrigir algum erro durante a luta e recuperar a situação. Na faixa-preta isso muda completamente. Qualquer detalhe faz diferença, e um pequeno erro pode definir toda a luta. O nível técnico, físico e estratégico é muito mais alto, e isso exige concentração máxima o tempo inteiro.
Neste momento da carreira, você foca muito no resultado final ou na crença de que a arena é uma escola? Ou seja, a ideia é evoluir ao longo do processo, acumular bagagem, e não focar obsessivamente na medalha?
Sim, acredito muito nessa metáfora da escola. Estou aprendendo muito e isso me motiva cada vez mais. Mesmo estando há pouco tempo na faixa-preta, tenho conseguido competir de igual para igual com atletas que já estão há muitos anos nessa categoria, que é o nível mais alto do BJJ competitivo. Isso me dá confiança para continuar evoluindo e mostra que todo o trabalho construído ao longo da minha trajetória está me preparando para viver esse momento e trilhando o meu caminho para um futuro muito promissor.

Qual evento foi mais marcante para você?
Recentemente tive a oportunidade de competir no International Master North America da IBJJF, realizado na Pirâmide, um dos eventos mais importantes e tradicionais do calendário, que acontece um dia antes do Mundial. Conquistar o terceiro lugar nesse campeonato foi algo que me deixou muito feliz e satisfeito com o trabalho que venho construindo até aqui. Chegar agora na faixa-preta e já conseguir subir ao pódio em um evento desse nível me dá ainda mais confiança de que estou no caminho certo. Aliás, uma das coisas que mais me impressionam nessa nova fase é perceber como hoje eu estou dividindo chave e lutando contra atletas que durante muitos anos eu assistia como fã e via como grandes referências do esporte. Algo que antes parecia muito distante, hoje se tornou parte da minha rotina dentro das competições.

Todo lutador deveria ter uma vivência de intercâmbio, você não acha?
Sim, claro! O Jiu-Jitsu deixou de ser apenas um esporte forte no Brasil e se tornou uma modalidade global. Hoje vemos atletas de diferentes países competindo em altíssimo nível, eventos muito organizados e uma comunidade cada vez maior apaixonada pela arte suave. Viver isso de perto nos Estados Unidos tem sido algo muito motivador para mim. Treinar nos Estados Unidos tem sido uma experiência muito valiosa. Tenho visitado academias, conhecido novas metodologias de treino e convivido diariamente com atletas de altíssimo nível. Dentro da Checkmat, meu time, tenho a oportunidade de estar próximo de campeões atuais, observar suas rotinas, acompanhar a intensidade dos treinamentos e aprender muito nessa convivência diária. Ao mesmo tempo, também consigo compartilhar um pouco da minha própria experiência construída ao longo desses anos no esporte, criando uma troca muito positiva entre todos nós.
Quais são os planos para o futuro?
Meu próximo grande objetivo agora é o American National, em Las Vegas, agora em junho. Estou muito empolgado com tudo que venho vivendo nessa nova fase da minha carreira e acredito que cada experiência, cada luta e cada aprendizado têm me dado ainda mais energia para continuar evoluindo e buscar conquistas ainda maiores dentro do esporte. Ainda me considero no começo dessa caminhada na faixa-preta, mas estou vivendo uma fase de muito aprendizado, amadurecimento e evolução. Meu objetivo é continuar crescendo dentro do esporte, representando minha equipe da melhor forma possível e aproveitando cada oportunidade de aprender com esse ambiente tão competitivo e inspirador.
