
QG da nova academia de Lagarto, a Valour, na Inglaterra. Fotos: GRACIEMAG
Pelas recentes atuações em campo, Matheus Cunha está feliz. O centroavante do Manchester United e da seleção brasileira é mais um empolgado praticante de Jiu-Jitsu. Aos 36 anos, o goleador do futebol inglês tem treinado nas horas vagas com o professor Lucio Rodrigues, o Lagarto, professor da mais nova academia da Europa: a Valour, fundada por Lagarto após décadas defendendo a Gracie Barra.
O professor de 45 anos bateu um papo com o GRACIEMAG.com sobre os novos rumos e sobre seu faixa-branca bom de chutes, e a cada dia mais finalizador.
GRACIEMAG: Após quase três décadas representando a GB, você criou sua própria escuderia na Inglaterra, a Valour. O que representa essa mudança?
LUCIO LAGARTO: Cresci dentro da Gracie Barra, construindo meu caminho desde a azul até a faixa-preta, sob orientação do mestre Carlos Gracie Jr. Foi uma jornada mágica não apenas no tatame, mas de muito aprendizado de vida fora dele, compartilhando momentos de treino, conversas e crescimento pessoal. Mestre Carlos sempre será meu mestre, e a Gracie Barra sempre terá um lugar no meu coração. Chega um momento na vida em que você sente que sua missão foi cumprida com excelência. Após quase 30 anos contribuindo para o crescimento e a expansão global da Gracie Barra, senti que era hora de continuar minha jornada construindo algo que refletisse minha própria visão de Jiu-Jitsu, liderança e legado.
O que o nome Valour simboliza?
Valour, é uma palavra britânica, e carrega a ideia de força interior, coragem e honra. Minha equipe nasce da continuidade, não da separação. A Valour foi criada por mim, Lucio Rodrigues, com base em tudo o que vivi e aprendi ao longo da minha carreira. Como todo projeto sólido, ela foi construída com apoio forte. Minha esposa teve um papel importante nesse processo, especialmente na estrutura, organização e valores. A Valour reflete um ambiente estável, guiado por valores não pessoais, mas fundamentais para todos. Nosso slogan é “A coragem de continuar”.

O que é preciso para ter coragem de continuar no Jiu-Jitsu?
Nossa frase representa perfeitamente a filosofia do Jiu-Jitsu, que também vale para a vida. O Jiu-Jitsu ensina a enfrentar adversidades, ajustar-nos aos obstáculos e seguir em frente. A Valour carrega essa mentalidade, com a coragem de continuar crescendo, aprendendo e superando desafios, dentro e fora do tatame.
O que torna a Valour diferente como escola?
Estrutura e clareza. A Valour oferece um plano de carreira claro e inteligente para o novo aluno, no qual todos se beneficiam. Os praticantes recebem um currículo moderno, completo e seguro. Os professores contam com apoio por meio de planos de aula estruturados, códigos de conduta e um sistema que prioriza segurança e qualidade. Mais importante ainda, criamos um caminho de crescimento justo, onde toda a cadeia evolui unida – o aluno, o professor, a academia e a equipe.
Como você enxerga o papel do professor hoje em dia?
Para nós, o professor é o herói dentro da academia. Ele é o líder, a referência e o exemplo diário para seus alunos. A Valour existe para apoiar esse papel. Somos a base, a estrutura e o sistema por trás do professor. Nossa ideia é que jamais ele apague sua identidade, e sim a fortaleça. Quero construir com a equipe um legado do qual meus filhos possam se orgulhar, baseado em coragem, respeito e valores. A Valour não é sobre ser maior do que os outros, mas sobre ser fiel ao que acreditamos e continuar crescendo com propósito.
Como você está se sentindo, na academia nova e com alunos como o artilheiro Matheus Cunha?
Com gratidão pelo passado, clareza no presente e a coragem de continuar. No começo de janeiro ele ganhou seu primeiro grau e celebrou feito um gol, postou nas redes sociais e chegou a assinar Cunha BJJ. Quer dizer, com sua mentalidade finalizadora, vai longe.
Como o atacante foi parar no mundo do Jiu-Jitsu?
Ele chegou até mim por recomendação do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, que é conhecido por ser um profissional experiente, além de faixa-preta de Jiu-Jitsu. Desenvolvi então um método bem técnico e estratégico, um treino particular e específico para que o Matheus Cunha pudesse aprender o Jiu-Jitsu de maneira segura e divertida, sem exigir estresse do seu corpo.

Matheus Cunha na montada: finalizar é com ele.
