Jadyson Costa e as vantagens do Jiu-Jitsu para a resistência física e mental

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Jadyson Costa ao lado de Murilo Santana após o ouro no Mundial Sem Kimono 2022. Foto: Reprodução

Ex-lutador de MMA com passagens por Pride, Meca e Shooto Brasil, o professor Jadyson Costa, de 42 anos, conquistou o ouro no Mundial Sem Kimono 2022, disputado de 8 a 11 de dezembro, em Anaheim, na Califórnia. Representante da Unity Jiu-Jitsu, o faixa-preta sagrou-se campeão do peso-pena na categoria master 3.

O professor superou os próprios limites para vencer a competição. Nas quartas de final, quando vencia o adversário por 3 a 0, Jadyson foi surpreendido com um ataque no braço direito, mas resistiu à pressão. Mesmo lesionado, o experiente campeão avançou à semifinal e derrotou o oponente por uma vantagem. 

Apesar da dor, a lesão não impediria Jadyson de alcançar o objetivo traçado. Na final, o atleta da Unity Jiu-Jitsu finalizou o experiente Leandro “Tatu” Escobar no katagatame para triunfar no torneio e garantir a liderança do ranking no peso-pena master 3.

Em bate-papo com a equipe do GRACIEMAG.com, Jadyson Costa listou os benefícios do Jiu-Jitsu para a superação das adversidades dentro e fora dos tatames, e compartilhou os benefícios de seu trabalho como professor de Jiu-Jitsu em Grand Rapids, no estado de Michigan.

GRACIEMAG: Como começou a sua história no Jiu-Jitsu?

JADYSON COSTA: Pratico artes marciais desde os 6 anos, quando comecei a treinar karatê. Por volta dos 15, um amigo vindo de Manaus, que já havia treinado Jiu-Jitsu, me mostrou uma fita VHS em que o Royce Gracie, de kimono, vencia uma edição do UFC. Eu fui fisgado no mesmo momento. O Jiu-Jitsu expandiu meus horizontes, não como uma modalidade de luta apenas, mas como um xadrez humano onde habilidades físicas e mentais se complementam. 

Quando você percebeu que viveria em prol do Jiu-Jitsu? 

Depois de uns meses de treino, eu não conseguia pensar ou fazer outra coisa. Todo o resto tinha ficado em segundo plano e percebi que o Jiu-Jitsu me trouxe a calma, o foco, e a resistência física e psicológica que eu buscava numa fase complicada, como é a adolescência e o início da vida adulta. Quando tive a oportunidade de conhecer o meu mestre, Renato Tavares, com o meu esforço e com a orientação de um verdadeiro tutor, tive a certeza de que o Jiu-Jitsu seria mais do que meu estilo de vida, seria minha carreira. 

Que benefícios o seu trabalho proporciona à comunidade?

O Jiu-Jitsu é uma arte marcial viva e cada aluno vai ter a sua experiência individualizada do que é praticar esse esporte. Minha colaboração nesse processo, devido a mais de 25 anos de experiência como professor e competidor, é perceber a necessidade de cada aluno, suas possibilidades e limitações, e ajudá-lo a alcançar metas individuais. De posse dessa habilidade diferenciada, um dos meus maiores objetivos é ajudar alunos com ADHD, dentro do espectro autista, com problemas de comportamento social, dentre outras circunstâncias, a apresentar resultados muito positivos através do Jiu-Jitsu, como o desenvolvimento de habilidades individuais (foco e controle emocional) e sociais (empatia e senso de pertencimento). Outra colaboração é a habilidade de formar uma comunidade em torno dessa arte marcial, pois para mim é nítido o fato de que o nosso desenvolvimento está também pautado na nossa habilidade de compartilhar, ter empatia, e saber trabalhar tanto individualmente, mas principalmente em equipe. 

Quais foram as maiores lições que você aprendeu nos tatames?

O Jiu-Jitsu me ensina importantes lições diariamente. Tenho para mim que as mais significativas são: ser resiliente quando a vida me traz momentos de dificuldade; ter humildade para reconhecer que sou um eterno aluno e estarei em constante aprendizado; reconhecer que a paciência é uma virtude que nos ajuda a superar desafios dentro e fora do tatame; perceber que nosso corpo deve ser bem nutrido física e espiritualmente.

O que diferencia a Unity Jiu-Jitsu das demais equipes da região? 

A Unity Jiu-Jitsu, fundada por Murilo Santana, tem como filosofia, como o próprio nome já diz, unir os praticantes de Jiu-Jitsu que buscam tanto aperfeiçoamento técnico, como também fazer parte de uma comunidade de amantes dessa arte marcial, independentemente de filiações e bandeiras. Todos são bem-vindos. 

Quais são os seus próximos objetivos como professor e competidor? 

Como professor, pretendo ter a oportunidade de colaborar na formação de crianças e adultos que levem os princípios e valores do Jiu-Jitsu, como resiliência, disciplina, coragem, senso de pertencimento e empatia para além do tatame. Como competidor, espero manter a liderança do ranking da IBJJF no peso-pena master 3 e meus títulos atuais: Mundial sem Kimono, o bicampeonato no Pan Sem Kimono e o ouro no American Nationals. Além disso,  me empenharei para manter minha saúde física e emocional para conquistar o Campeonato Brasileiro e o Europeu.

Confira no vídeo abaixo o katagatame aplicado por Jadyson Costa na final do Mundial Sem Kimono 2022:

 

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