Inclusão e evolução constante: os pilares da Overmatch, do prof. Jefferson Careca

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O professor Jefferson Careca, nosso GMI à frente da Overmatch BJJ, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, trocou uma carreira profissional no ramo da engenharia automotiva pelo desafio de viver do Jiu-Jitsu, a engenharia das alavancas e dos pontos de apoio aplicada aos combates corpo a corpo.

Do início humilde em uma garagem aos holofotes da Overmatch BJJ, Careca defende que o verdadeiro legado de um faixa-preta é medido pela capacidade de transformar a vida dos outros. Com a competência de quem estudou Libras para acolher alunos surdos e a paciência de quem lapida talentos com necessidades especiais, ele faz do dojô um espaço de inclusão.

Nesta entrevista exclusiva, o professor que dormia apenas três horas por noite para manter vivo o sonho da academia abre o jogo sobre disciplina, a formação de campeões e o plano audacioso de levar a bandeira de sua escuderia para os tatames norte-americanos. Confira!

GRACIEMAG: Você costuma dizer que dar aulas de Jiu-Jitsu é o seu grande talento e propósito de vida. Quais os benefícios que um professor de Jiu-Jitsu oferece à comunidade onde ele atua?
JEFFERSON CARECA: Pratico Jiu-Jitsu há cerca de 25 anos e grande parte da minha vida foi dedicada ao tatame, primeiro como aluno e depois como professor. Um professor de Jiu-Jitsu vai muito além de ensinar técnicas. Ele ajuda a formar pessoas melhores. Dentro da academia ensinamos disciplina, respeito, controle emocional e resiliência. Muitas crianças chegam tímidas ou inseguras e com o tempo se tornam mais confiantes. Hoje, através da Overmatch BJJ, já tive a felicidade de formar muitos atletas campeões em grandes competições, como Mundial, Brasileiro, Pan-Americano e Europeu. Nossa equipe, sediada no Rio Grande do Sul, também ficou entre as melhores do estado por vários anos, o que mostra a consistência do trabalho que vem sendo desenvolvido. Também temos projetos sociais onde ajudamos crianças carentes a terem acesso ao Jiu-Jitsu, oferecendo um ambiente saudável, disciplina e oportunidades através do esporte. Outra parte muito importante do nosso trabalho é a inclusão. Temos bastante experiência com crianças especiais. Atendemos alunos surdos — inclusive falo Libras para poder me comunicar melhor com eles — e também temos experiência com alunos autistas e com síndrome de Down. O Jiu-Jitsu tem um poder incrível de desenvolver confiança, coordenação e socialização nessas crianças. No final, a academia acaba se tornando uma segunda família e um ambiente que realmente transforma vidas.

Você realmente focou quase 100% na carreira de professor, não chegou a competir muito…
Comecei a treinar relativamente tarde, com 20 anos, e com o tempo percebi que o meu verdadeiro talento estava em ensinar. Sempre gostei muito de estudar o Jiu-Jitsu e ajudar outras pessoas a evoluir. Inclusive tomei uma decisão importante na minha vida: larguei a faculdade de engenharia automotiva para continuar treinando e me dedicar ao Jiu-Jitsu. Muitas pessoas acharam uma loucura na época, mas hoje vejo que foi a escolha certa. O Jiu-Jitsu virou minha profissão e, graças a ele, hoje consigo viver muito bem fazendo o que amo. No fim das contas, percebi que talvez meu maior talento não é competir, mas ajudar outros atletas a vencer.

Qual é o segredo para transformar um atleta mediano em um grande campeão?

Não existe segredo milagroso. O que transforma um atleta é a consistência.Treinar mesmo quando está cansado, corrigir erros, aceitar orientação e manter a disciplina no dia a dia. Muitas vezes o grande campeão não é o mais talentoso, mas sim aquele que consegue manter o foco por mais tempo. O talento ajuda, mas a mentalidade e a constância são o que realmente fazem a diferença.

Você treina forte com a nova geração da sua equipe. Quais são os macetes para os atletas da divisão Master competirem bem contra os adultos?
Primeiro é entender que experiência conta muito. Com o tempo você aprende a economizar energia, escolher melhor as posições e usar mais a técnica do que a força. Outro ponto importante é cuidar do corpo: alimentação, descanso e preparação física. O atleta master precisa treinar com inteligência. Quando você soma experiência, estratégia e constância, ainda dá para fazer bonito contra a garotada.

Qual é a frase motivacional que você costuma repetir quando enfrenta momentos difíceis?

Uma frase que eu gosto muito de repetir é: “Daqui a 10 anos você pode ser faixa-preta, se começar a treinar hoje. E lembre-se: os 10 anos vão passar de qualquer forma, você treinando ou não.” Essa frase serve para lembrar que tudo no Jiu-Jitsu é construção. Nada acontece da noite para o dia. Com disciplina, paciência e constância, os resultados aparecem.

Como você se define como professor de Jiu-Jitsu?

Eu me vejo como um professor que realmente se importa com os alunos. Não ensino apenas técnicas, ensino valores. A filosofia da nossa escola, a Overmatch BJJ, é evolução constante, respeito dentro e fora do tatame e formação de caráter através do Jiu-Jitsu. A história da academia também reflete muito disso. Comecei a dar aulas em uma garagem, com poucos alunos e muito sonho. Durante muito tempo eu trabalhava, dava aulas, treinava e dormia cerca de três horas por noite tentando fazer o sonho da academia dar certo. Foram anos de muito sacrifício, disciplina e fé. Muitas vezes eu ia trabalhar orando a Deus e pedindo que um dia pudesse viver do Jiu-Jitsu e sustentar minha família fazendo aquilo que eu amo. Com o tempo e muito trabalho, a academia foi crescendo até se transformar no que é hoje, com um tatame de aproximadamente 200 metros quadrados e uma equipe forte. Ao longo dessa jornada já formamos muitos campeões em competições importantes como Mundial, Pan-Americano, Europeu e Brasileiro. Também tive a honra de formar muitos faixas-pretas ao longo dos anos, algo que considero um dos maiores reconhecimentos na carreira de um professor. Meus próprios filhos, Davi e Maria, também já foram atletas top ranking em suas categorias, o que para mim é motivo de muito orgulho como pai e professor. Eu sempre digo algo para meus alunos: “Atleta tem prazo de validade, mas professor, não. Por isso, aprendam também a ensinar.” Um grande professor não é aquele que apenas luta bem, mas aquele que consegue transmitir conhecimento e transformar a vida das pessoas através do Jiu-Jitsu.

Quando alguém hesita em começar no Jiu-Jitsu, o que você costuma dizer?
Eu digo para a pessoa apenas dar o primeiro passo. O Jiu-Jitsu é para todos, independentemente da idade ou do nível de condicionamento físico. No começo pode parecer difícil, mas rapidamente a pessoa percebe os benefícios: melhora da saúde, mais confiança, novas amizades e uma grande sensação de superação pessoal. O mais importante é começar.

Qual é o seu grande objetivo para o futuro?

Meu objetivo é continuar ensinando Jiu-Jitsu e impactando o máximo de pessoas possível através da arte suave. Quero continuar formando bons atletas, mas principalmente boas pessoas. Também tenho um grande sonho: expandir ainda mais o nosso trabalho e abrir uma filial da Overmatch BJJ nos Estados Unidos. Acredito muito que o Jiu-Jitsu transforma vidas, e levar esse projeto para outro país seria um passo muito importante nessa missão.

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