A grande lição do campeão do povo José Aldo, em sua aposentadoria do UFC

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José Aldo, em foto de Daniel Amaral

Construir um legado vitorioso e se tornar um dos campeões mais vitoriosos do esporte é o sonho dos lutadores do MMA. No entanto, apenas os mais obstinados pela glória e com talento nato para conseguir o feito. Caso de José Aldo. Aos 36 anos, o ex-campeão peso-pena do UFC anunciou uma aposentadoria da modalidade. Ele ainda tinha uma luta restante no contrato com a organização, mas optou por rescindir o vínculo amigavelmente.

Ao longo de seus 18 anos como profissional, Aldo contabiliza um cartel de 31 vitórias e oito derrotas. Com seis defesas de cinturão no peso pena, ele é o recordista histórico da divisão no quesito. O manauara se manteve invicto entre 2005 e dezembro de 2015 e empilhou 18 triunfos seguidos neste período.

Os feitos não param por aí. O atleta da Nova União é dono do quarto reinado mais longo da história do UFC. Ao todo, 1848 dias foram ininterruptos como campeão peso-pena. Aldo se manteve no trono até o fatídico 12 de dezembro de 2015, quando foi nocauteado em apenas 13 segundos por Conor McGregor. E pela primeira vez desde que passou a fazer parte do UFC, a categoria conheceu um novo rei.

Diante de marcas tão expressivas, mensurar o legado de Aldo para o MMA é uma tarefa árdua. O “Campeão do Povo” certamente encabeçaria listas de lutadores que mais se afeiçoaram com o povo brasileiro. Sobretudo pela história de superação do campeão, que inspirou o filme “Mais Forte que o Mundo”. Realmente, o lutador precisou ser muito forte para construir uma jornada vitoriosa no esporte. É clichê, mas o verdadeiro campeão é aquele que ressurge mais forte depois da derrota. Não foi diferente com José Aldo.

Cerca de sete meses depois da derrota para o arquirrival Conor McGregor, o faixa-preta conquistou o cinturão interino da divisão ao derrotar Frankie Edgar no UFC 200. Em seguida, Aldo se tornou campeão pela segunda vez, já que o irlandês migrou para os leves.

O segundo reinado do manauara não chegou nem perto do primeiro. Não por demérito de Aldo, mas porque uma nova geração chegava faminta. Ele foi derrotado por Max Holloway justamente no lugar em que caiu literalmente nos braços do povo brasileiro anos antes. Foi no dia 14 de janeiro de 2012, quando José Aldo se lançou ao público após nocautear Chad Mendes com uma joelhada na luta principal do UFC Rio 2. Com a bandeira do Flamengo nas costas, o campeão foi levantado por fãs e teve o nome ovacionado pela arena.  Foi a coroação do Rei do Rio; do Campeão do Povo.

A derrota dolorosa para Max Holloway no UFC 212, disputado no Rio de Janeiro, em 2017, não diminuiu a idolatria de José Aldo entre os brasileiros. Afinal, não há como renegar um dos protagonistas da popularização do esporte no país. O faixa-preta teve nova chance de recuperar o cinturão, mas não foi páreo novamente para o havaiano. Em seguida, o ex-campeão peso pena venceu apenas duas de cinco lutas disputadas e quando parecia perto do fim decidiu se reinventar. Ele não tinha mais nada a provar no esporte, mesmo assim, tinha o sonho de ser campeão outra vez. E ensinou mais uma lição de resiliência e perseverança, virtude digna dos campeões.

Prestes a completar 34 anos, José Aldo desceu para o peso-galo em busca do ouro. O começo na nova divisão não foi fácil. O manauara foi derrotado em sequência pelo compatriota Marlon Moraes e pelo russo Petr Yan numa disputa de cinturão. Quando tudo parecia perdido, o brasileiro se reergueu. Aldo enfileirou triunfos sobre Marlon Vera, Pedro Munhoz e Rob Font e se credenciou como um dos postulantes ao título.

Há cerca de um mês, em agosto, José Aldo teve uma luta determinante para o seu futuro no esporte. O duelo contra Merab Dvalishvili no UFC 278 responderia a contundente questão acerca das ambições do lutador. O georgiano conteve o ímpeto de Aldo e o derrotou por decisão unânime. O resultado encerrou a última corrida do veterano pelo título.

José Aldo se despede do MMA como um dos campeões mais louváveis do esporte. Capaz de mobilizar massas, não apenas pelo aspecto esportivo, mas pela personalidade cativante que o tornou rei num lugar relativamente distante de sua terra natal. Stricker de altíssimo nível e dono de um Jiu-Jitsu afiado, Aldo foi incansável em sua carreira. O único lutador a cair nos braços do público em quase 30 anos desde que o UFC foi fundado inspirou jovens atletas e tornou os brasileiros mais íntimos da modalidade. O Campeão do Povo pode até ter perdido a coroa, mas nunca deixou de ter a majestade.

Confira no vídeo abaixo os melhores momentos das vitórias de José Aldo no Rio de Janeiro:

 

 

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