
Romualdo Lucas em ação durante competição no circuito internacional da IBJJF. O faixa-preta soma mais de duas décadas de prática e mantém atuação ativa entre as principais divisões do Jiu-Jitsu.
O crescimento da divisão master no Jiu-Jitsu competitivo deixou de ser tendência e passou a ser realidade. Com maior número de atletas e nível técnico elevado, a categoria hoje ocupa um espaço relevante nos principais eventos da IBJJF. Para Romualdo Lucas, faixa-preta com atuação internacional, esse avanço está diretamente ligado à permanência de atletas experientes no esporte.
“Se analisarmos os números do último Pan, a divisão master teve um número muito mais relevante. Cada vez mais ela vem mostrando ser tão interessante quanto a adulto”, diz o atleta. Segundo ele, a presença de nomes que já construíram história na elite eleva o nível geral. “Muitos atletas que fizeram uma trajetória forte na adulto continuam lutando na master. Isso mostra que não tem vida fácil pra ninguém”, comenta o faixa-preta, que tem 24 anos de Jiu-Jitsu e nove com a graduação que ostenta na cintura.
Mito ou realidade: é mais fácil ganhar na master?
A ideia de que a divisão master seria mais acessível ainda existe, mas Romualdo é direto ao rebater.
“Acho que não tem mais caminho fácil para ninguém. Quando você olha quem está ali, muitos já foram campeões do Mundial, Brasileiro, Pan. É uma divisão tão difícil quanto qualquer outra ou até mais. A luta dura cinco minutos e um erro pode decidir tudo”, diz o professor.
Outro ponto que define o nível da divisão é o encontro entre diferentes fases da carreira dentro da mesma categoria. Segundo Romualdo, isso cria um cenário imprevisível.
“Você pode enfrentar um atleta com mais de 10 anos só de faixa-preta. Um recém-graduado vai pegar alguém muito experientE. Existe chance para os dois lados, mas quem está chegando vai ter que ralar bastante”, reforça o competidor.
Análise pessoal e leitura de jogo
Mesmo com experiência no circuito internacional, Romualdo mantém uma visão crítica sobre sua própria preparação. Ele reconhece que pode evoluir na leitura estratégica das competições.
“Preciso me policiar mais para analisar meus adversários e estudar minha divisão. Eu confio no jogo que vou colocar, independente de quem vou enfrentar. Acabo analisando mais as lutas deles do que as minhas.”, detalha o representante da Gracie Barra.
Os erros mais comuns de quem está começando
Ao olhar para o desenvolvimento de novos praticantes, Romualdo aponta três erros recorrentes. O primeiro é a pressa.
“O cara quer aprender tudo muito rápido, quer resposta pra tudo. O Jiu-Jitsu exige tempo”, diz o faixa-preta. Muita gente desanima com dificuldade, mas isso faz parte do processo”, comenta.
Por fim, ele destaca a comparação como um problema comum. “Se comparar com o colega de treino é um erro. Cada um tem seu ritmo”, afirma. Para ele, o caminho é simples: “Curta o processo.”
