
Rodrigo Boroski, em foto de Gabriel Super8
Campeão e entusiasta das competições infantis de Jiu-Jitsu, o professor Rodrigo Boroski costumar fazer uso de um mantra, repetido sempre que suas aluninhas e aluninhos vão disputar um torneio grande ou pequeno na Irlanda, onde ele ensina:
– O professor de vocês aqui não liga se vocês vencerem ou forem derrotados, tá? Eu só quero que vocês façam o melhor que puderem, e o principal: divirtam-se e lutem felizes.
O maior receio do faixa-preta, radicado há 13 anos em Cork, segunda maior cidade irlandesa, é ver as crianças desperdiçarem a infância, época mágica para qualquer ser humano.
“Todo professor já viu isto. Se a criançada se sentir pressionada desde muito cedo, quando chegarem aos 16 anos não terão a menor alegria naquilo, e vão abandonar o esporte para fugir dessa cobrança desmedida”, explica Boroski. “Há crianças que começam conosco aos 4 anos. Hoje, vejo em campeonatos aqui e no Brasil um pequeno pelotão de alunos que só pensam na medalha. Alguns fazem até dieta para bater o peso na balança. Sou contra essa superprofissionalização precoce”, analisa o faixa-preta.
A pedido da equipe do GRACIEMAG.com, o professor destacou cinco pontos de reflexão, úteis para quem pensa em inscrever pequenos e pequenas nos muitos campeonatos infantis que têm feito sucesso, no Brasil ou na Europa. Confira!
1. Cuidado com a pressão por resultados, seja dos parentes em casa ou na academia. A criança, se sentir que aquilo perdeu o lado lúdico e divertido, pode na primeira oportunidade optar pelo futebol ou outra atividade praticada por seus amigos, e abandonar os tatames para nunca mais.
2. Fique alerta para não diminuir os treinos de defesa pessoal nos treinos para a garotada. Por vezes, a criançada que começa a se destacar nas competições passa a desejar se aprofundar mais e mais nas técnicas observadas nos campeonatos, como guardas de lapela. É vital que o professor equilibre isso nos treinos, e reforce entre pais e alunos a importância da defesa pessoal e das técnicas clássicas em pé, vitais para o desenvolvimento, o equilíbrio psicológico e a autoconfiança entre os pequenos. Na Irlanda, por exemplo, há muitos jovens praticantes de boxe, e eu diariamente preciso blindar meus alunos contra o bullying e agressões de gente capaz de socar e chutar.
3. Cuidado com as pressões do mercado. Há professores que pensam na competição apenas como forma de dar visibilidade ao seu trabalho, atrair mais pais e alunos e reter os jovens na academia por mais tempo. Toda vez que fazemos algo apenas pelo retorno financeiro, estamos perdendo nossa essência. O professor precisa, antes de tudo, entender se a criança gosta e quer estar no campeonato. E se a turma tem aptidão para competir. O que vem em primeiro lugar é a felicidade dos alunos e alunas.
4. Antecipe os avisos aos atletas, e aos pais. Eu gosto particularmente de, dois meses antes de uma competição, informar a turma e perguntar se alguém quer ir. Anoto quem pediu para ir e quem não quis. Então vou até os pais e converso. Um mês antes eu reforço o anúncio dos campeonatos e ajudo a prepará-los melhor, e assim dá tudo certo. Não tem pressão, eles vão com vontade e convicção, e eles chegam lá tranquilos e prontos para se divertir, de cabeça erguida seja qual for o desfecho.
5. Valorize, antes das medalhas e troféus, o desenvolvimento pessoal da criança. Se ela está melhorando na escola, ou demonstrando postura na rua e educação em casa, isso vale mais do que dez ouros num torneio. Afinal, o Jiu-Jitsu é eficiência e autoconfiança sempre em primeiro lugar. Oss!
Para saber mais, siga Rodrigo Boroski no Instagram:
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