Gui Mendes e o verdadeiro mano a mano

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Entre as equipes, a Atos foi o grande destaque no World Pro, em Abu Dhabi. Entretanto, uma luta em especial chamou a atenção. Não só pela qualidade dos lutadores ou pela importância do título. Mas pelo fato de colocar frente a frente dois irmãos: Rafael e Guilherme Mendes. Gui comentou com o GRACIEMAG.com como foi a experiência e muito mais. Confira:  

Rafa e Gui (de azul) na final da catergoria 65kg. Foto: Luca Atalla

Como foi lutar com o seu irmão Rafael? Foi para valer mesmo?

Vamos dizer que foi um treino de verdade, uma luta sem estratégia e trocando posições para o público que estava presente. Passou na TV de Abu Dhabi, então não poderíamos deixar de lutar, mesmo porque um evento que paga aquela premiação não merece ficar sem luta em uma das finais. Prestigiamos o evento com essa luta porque eles prestigiam e dão valor aos atletas.

Isso, de certa forma, não acaba com aquela história de atletas da mesma equipe não se enfrentarem na final? Enfim, além de serem da mesma academia, vocês são irmãos e lutaram.

Somos irmãos e todo mundo sabe que não vai ter aquela rivalidade que se espera em uma final. Queríamos fazer uma luta para o pessoal de lá ver e entender porque chegamos à final, para não ficar uma categoria sem fim. Decidimos fazer um treino, como os que fazemos na academia desde a faixa-branca, e meu irmão treinou melhor que eu. Agora, luta com aquela rivalidade, aquela vontade de vencer, não tem como. O título e a premiação já estavam em casa. O evento foi de primeira, como nunca vimos nada antes, com fogos de artifício, cronograma cumprido, televisão local, imprensa, acomodação com hotel, refeições, coletivas… Enfim, deram todo o suporte para ser perfeito como foi, sem falar na premiação que, além da grana, os atletas ganharam roupas e relógios.

O que espera para o Mundial IBJJF? Vai de pluma mesmo?

Sim. Até o Mundial vou ficar nessa categoria, vou lutar pelo bicampeonato no pluma e depois vou junto com o Rafael para o pena. Eu queria ir de pena já, mas a galera da equipe quer que eu continue até o Mundial no pluma para termos atletas em categorias diferentes na faixa-preta.

E o Brasileiro de Jiu-Jitsu, você luta?

Sim. Estarei dentro.

Calasans foi uma surpresa, mas somente para quem não treina com ele” Guilherme Mendes

A  Atos subiu no pódio em diversas categorias no World Pro. Fale do desempenho da galera.

A galera toda da equipe lutou muito bem e mesmo os que não foram campeões mostraram um Jiu-Jitsu muito bonito e eficiente. Mas, às vezes, detalhes custam o resultado. É necessário continuar os treinos e corrigir para voltarmos ainda melhor. O diferencial é estarmos muito unidos e focados, todos treinamos juntos, vivemos juntos, e com o mesmo objetivo. Acredito que isso faz com que o treino fique ainda mais produtivo. Vou falar sobre os que foram campeões. O Rafael está cada dia melhor. Com apenas 20 anos, é o segundo ano de faixa-preta e acumula títulos como o ADCC e duas vezes o World Pro. Para mim ele é, sem dúvidas, o melhor grappler leve da atualidade e ainda vai ser muito mais. Ele é o menino prodígio da Atos. O Durinho já vinha há algum tempo conquistando bons resultados, tem um Jiu-Jitsu agressivo e vem melhorando muito a cada competição. E isso o fez ficar mais confiante, venceu tudo o que disputou este ano e promete muito mais. Agora, o Calasans foi uma surpresa, mas somente para os que não treinam com ele, porque todos nós que convivemos com ele sabíamos do seu potencial. Sabíamos que iria ser campeão. Ele está muito confiante e, se no ano passado ele chegou na semifinal do absoluto no Mundial, quedando o Roger Gracie, esse ano vai dar muito mais o que falar.

Vocês investiram muito na preparação física. Fale sobre esse trabalho que deu um gás extra a todos.

Faz um tempo que nós fazemos um trabalho com o Thiago Mendes, da preparação física Octane. Ele vem assessorando a gente na parte física e mostrando grandes resultados. Estamos mais fortes e com mais gás. Hoje em dia a preparação física precisa andar junto com o treinamento de Jiu-Jitsu. Lógico que o mais importante é a parte no tatame, isso que te faz ficar lapidado e no tempo das posições. Mas a preparação dá condições de por toda a técnica em prática no decorrer da luta. Se cansar ou faltar força, dificilmente você vai conseguir imprimir seu ritmo.

Guilherme contra Vella no Absoluto. Foto: Luca Atalla

Você e seu irmão lutaram no absoluto e foram muito bem. Como foi lutar com os grandões? A técnica supera a força, ou não?!

Foi excelente! Como já tínhamos chegado na final da categoria e estávamos com a “missão” cumprida, decidimos ajudar a galera no absoluto. Somos uma equipe, e nós iríamos ajudar os mais pesados tentando tirar alguns adversários do caminho. E deu tudo certo. Venci minha primeira luta com um estrangulamento e na segunda enfrentei o Gabriel Vella. Foi uma boa luta. Ele ficou o tempo todo tentando passar a minha guarda e fez duas vantagens. Vella é um grande atleta e foi melhor que eu na luta mesmo. Rafael venceu um grandão na primeira, o cara tinha uns 100kg e o Rafa finalizou no armlock. Na segunda luta, ele finalizou um faixa-roxa pesado também e, na terceira, ganhou nas vantagens do Big Mac, que tinha acabado de vencer o Rômulo Barral. Ele lutou muito bem, foi incrível!

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