
“Queremos transformar a vida de crianças através da disciplina da arte suave, oferecer aos adultos um refúgio de saúde e performance, e criar um ambiente familiar onde os valores do BJJ — respeito, resiliência e hierarquia — sejam o alicerce”, explica o professor Leonardo Micussi, quando perguntado sobre a Logic Jiu-Jitsu South Side, a escola que está prestes a inaugurar em Jacksonville, na Flórida, Estados Unidos.
Neste novo capítulo de sua história, Micussi reafirma seu compromisso com a evolução do esporte, oferecendo uma estrutura de primeira linha aos alunos no novo dojô, espaço onde também pretende difundir seu profundo conhecimento sobre preparação física e esportiva. “A verdadeira economia de energia vem da técnica refinada; porém, é o condicionamento físico que permite que essa técnica seja executada com a mesma qualidade no primeiro e no último minuto de um combate”, ensina Micussi.
Na entrevista a seguir, mergulhamos na mente de um professor de Jiu-Jitsu que vem estudando bastante sobre gestão e empreendedorismo: “Não basta ser campeão; dominar as técnicas… Você precisa saber comunicar o valor do Jiu-Jitsu para o pai de família, para a criança e para o executivo. O Jiu-Jitsu abre portas, mas o profissionalismo é o que mantém você lá dentro.”
E quando fala sobre o futuro a médio e longo prazo de sua escola, os olhos de Micussi brilham: “Enxergo este novo espaço não apenas como uma academia, mas como um epicentro de desenvolvimento humano. A Logic Jiu-Jitsu South Side foi projetada para ser uma referência global.”

GRACIEMAG: Você costuma ensinar aos seus alunos: “Canse menos, amasse mais!” Certamente esse é o sonho de todo lutador. Quais são os segredos para alcançarmos esse objetivo?
LEO MICUSSI: O sonho de “cansar menos e amassar mais” não é fruto de mágica, mas de uma simbiose perfeita entre a eficiência biomecânica e o condicionamento metabólico específico. No Jiu-Jitsu, o alto rendimento é alcançado quando o atleta consegue manter a precisão técnica sob fadiga extrema. O segredo está em treinar o corpo para gerenciar os sistemas de energia (ATP-CP, Glicolítico e Oxidativo) de acordo com a dinâmica da luta. Não adianta ter o “gás” de um maratonista se você não tem a potência explosiva para uma raspagem ou a resistência isométrica para manter uma posição. A verdadeira economia de energia vem da técnica refinada; porém, é o condicionamento que permite que essa técnica seja executada com a mesma qualidade no primeiro e no último minuto da final de um Mundial.
Quais são os principais erros que você observa na preparação física dos lutadores de elite do BJJ atual?
O erro mais comum que observo é confundir “treinar muito” com “treinar bem”. Muitos lutadores ainda estão presos ao dogma do volume excessivo — horas de corrida de longa distância ou sessões de musculação genérica que apenas geram fadiga residual e aumentam o risco de lesões. O Jiu-Jitsu é um esporte de esforços intermitentes de alta intensidade. A preparação física moderna deve priorizar a especificidade e a densidade. Precisamos de protocolos que simulem a demanda real da luta. E aqui muitos ainda confundem simular a demanda com imitar gestos de luta. Um grande erro. Simular tem mais a ver com trabalhar força de tração e empurrar, estabilidade de core, potência rotacional, resistência muscular e cardiovascular, sempre respeitando o ciclo de recuperação. Menos “overtraining” e mais ciência aplicada ao movimento.

Você acompanha alguns atletas de forma online, entre eles o Gabriel Sousa e o Diego Sem Noção Ramalho. Como é feito esse trabalho de consultoria pela internet e como a tecnologia pode potencializar o desempenho dos atletas no mundo real?
Trabalhar com atletas do calibre de Gabriel Sousa e Diego “Sem Noção” Ramalho de forma remota exige um nível de precisão cirúrgica. A tecnologia eliminou as fronteiras; hoje, utilizo ferramentas avançadas de avaliação e aplicativos de prescrição individualizada que me permitem analisar métricas de performance deles. Através da minha consultoria online, consigo ajustar o volume de treino deles baseando-me no feedback, avaliações periódicas e na agenda de competições. A tecnologia potencializa o desempenho porque transforma dados subjetivos em decisões objetivas. O atleta não treina o que “acha” que precisa, mas o que os indicadores mostram ser necessário para que ele chegue no dia da luta em seu pico de performance (peaking).
Quais são as dicas que você costuma dar a quem tem o sonho de sair do Brasil e viver do Jiu-Jitsu no exterior?
Meu conselho principal é: seja um profissional, não apenas um lutador. O mercado internacional valoriza a técnica, mas exige disciplina, comunicação e, acima de tudo, capacidade de adaptação cultural. Você precisa entender que, no exterior, você é um embaixador da arte. Aprender inglês ou o idioma local é a regra de ouro. Mas também investir em gestão de carreira e entender o “business” por trás das academias é fundamental. Não basta ser campeão mundial; você precisa saber comunicar o valor do Jiu-Jitsu para o pai de família, para a criança e para o executivo. O Jiu-Jitsu abre portas, mas o seu profissionalismo é o que o mantém lá dentro.

Qual é o seu grande objetivo para o futuro da carreira?
Meu grande objetivo agora se materializa com a inauguração em breve da Logic Jiu-Jitsu South Side, em Jacksonville. Enxergo este novo espaço não apenas como uma academia, mas como um epicentro de desenvolvimento humano. A Logic Jiu-Jitsu South Side foi projetada para ser uma referência global onde aplicaremos toda essa metodologia de alta performance que discutimos, mas com um olhar atento ao impacto social. Queremos transformar a vida de crianças através da disciplina da arte suave, oferecer aos adultos um refúgio de saúde e performance, e criar um ambiente familiar onde os valores do BJJ — respeito, resiliência e hierarquia — sejam o alicerce. Meu compromisso é deixar um legado que vá além das medalhas, fortalecendo a comunidade uma faixa por vez.
