Mestre Marcio Stambowski, o Macarrão, foi uma daquelas figuras que adoçou o mundo do Jiu-Jitsu.
Um dos raros e famigerados faixas-pretas de Rolls Gracie – junto a Maurição Gomes, Romero Jacaré e outros, Macarra ganhou seu apelido no surfe e influenciou uma geração de guardeiros nos últimos 45 anos.
Adepto da puxada de guarda e da raspagem balão, Marcio Macarrão e suas pernas compridas e letais ajudaram a lapidar o triângulo e suas variações, no cenário esportivo do Rio de Janeiro. Seu professor Rolls passou a chamar sua guarda de “a poderosa”.
Ex-esposo de Carla Gracie, filha de mestre Robson, Stambowski deixa os filhos Neiman e Deborah Gracie, além de centenas de alunos e fãs de Jiu-Jitsu.
Em longa entrevista ao GRACIEMAG.com, o mestre contou sobre seu início:
“Eu gostava de ver filmes do Bruce Lee, de soltar as pernadas e brincar de lutas com meu irmão e os amigos. Um dia meu amigo Maurição Gomes, hoje famoso professor e pai do Roger, foi lá na minha casa no Leblon e nos embolamos de brincadeira. Mas naquela vez eu não consegui fazer nada com ele: ele me clinchou, me levou ao chão e me dominou, umas três vezes. “O que é isso, rapaz?”, eu me espantei. “É que agora estou fazendo Jiu-Jitsu, lá no João Alberto Barreto”, ele explicou”, recordou.
“Meio fascinado com aquela novidade, falei com meu pai e ele falou que me levaria para treinar no Carlson, que ele conhecia da imprensa. Quando cheguei lá, dei de cara com o Rolls, que dividia a academia com o Carlson, na recepção. A figura dele me causou uma grande impressão – era novinho, já de faixa-preta na cintura, simpático e magrinho. Ele me mostrou a academia e me matriculei na hora. Lembro que ainda explicou: “Os horários são diferentes. Você quer ser aluno meu ou do meu irmão Carlson?”. Não entendi direito e disse que tanto fazia. Mas ao olhar para o Rolls reparei que ele tinha um olhar forte, penetrante, e desconfiei que tinha falado besteira: “Não, olha, eu quero ser seu aluno”, emendei. Nem tinha ouvido falar do Rolls antes. Depois o Maurição acabou vindo treinar com a gente.”
Vá em paz, grande Macarra. A comunidade do Jiu-Jitsu fica menos amável sem figuras como você.
