Mundial de Jiu-Jitsu: Megaton e a teoria da azeitona

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Megaton feliz após mais uma vitória. Foto: Arquivos GRACIEMAG

Não será um Campeonato Mundial como os outros. Em vez da Pirâmide, que não tinha data em dezembro, o grandioso e cheio de charme Anaheim Convention Center, que tem história no mundo das lutas. Foi lá, em 1984, que as disputas olímpicas do wrestling foram realizadas, nos Jogos de Los Angeles. Dentro da área de lutas, Marcus Buchecha, Lucas Lepri, Paulo e João Miyao estão fora, assim como outros clássicos medalhes do esporte. Mas ele, como sempre, como desde o primeiro dia no Tijuca, estará por lá: Wellington Dias, o eterno Megaton.

“Estou completando 25 anos de Mundiais na faixa-preta, meu irmão. Sabe o que é isso? Um quarto de século! A quarter of century!”, gargalha o lendário atleta da Gracie Humaitá, hoje famoso mundialmente como pai da Mackenzie Dern. “Estou sempre na luta, contra os melhores do planeta durante todo esse tempo. E só encarei craque, uma molecada que chega lá voando baixo. Gosto tanto do Mundial da IBJJF que fiz questão de incentivar toda a família a participar, e minha filha chegou a ser muitas vezes campeã no evento. Já já estarei lá fazendo mais história, pois pretendo lutar o Mundial de faixa-coral na cintura, quem sabe ano que vem. Acho que vou chorar e tudo. Sonho com uma cartinha ou uma plaquinha dourada da IBJJF, quem sabe?”

Para o lutador cinquentão, o Mundial é a grande festa do Jiu-Jitsu internacional, e é por isso que ele volta todo ano: “O pessoal promove a festa, prepara a festa toda com a maior pompa, e eu não vou participar? Faço questão de estar sempre lá no melhor lugar do evento, em cima do tatame. E sempre tirando lições técnicas, e deixando meu melhor”.

Após 25 anos, Mega coleciona como faixa-preta uma medalha de prata e três de bronze em Mundiais. Hoje, o professor é honesto em sua avaliação: “Quando entramos num evento assim, ganhar uma luta e passar da primeira já é uma satisfação tremenda. É meu primeiro objetivo lá em Anaheim. Eu luto pelo amor ao Jiu-Jitsu, saindo na porrada por prazer. Há muitos atletas que amam lutar mas acabam não lidando bem com o fato de perder e abandonam as competições. Meu amor pela luta acabou por dominar esse desgosto com a derrota. Eu ganho, eu perco, no outro dia eu ganho, ganho, depois perco, perco… O Jiu-Jitsu é como o clima, faz sol, sol, sol, depois chuva, chuva, sol de novo… Levo a vida e minha carreira assim. Um resultado nos tatames não nos define, não faz a gente ser pior nem melhor que ninguém”.

Para Megaton, cuja longevidade o levou a ganhar 15 medalhas de ouro no Mundial Master da IBJJF, seu maior troféu é sua história.

“O que eu fiz, o que continuo deixando lá nos tatames, ninguém tira. O tempo passa para todos, é inevitável. No Jiu-Jitsu, as pessoas temem ser a azeitona na empada dos craques da nova geração, mas eu não ligo para isso. O cara que me vence não apaga minha história, sabe? Sinto hoje que vou disputar o Mundial ano que vem, e até o fim, até quando não aguentar mais. Tudo por amor ao que faço. Só falta mesmo a plaquinha da IBJJF, sonho com essa plaquinha”, conclui Megaton, bem-humorado.

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