
Zaca é faixa-preta e formador de talentos no Jiu-Jitsu. Foto: Arquivo Pessoal
Antes dos títulos e do reconhecimento, existe um trabalho que começa longe dos holofotes: identificar talentos, criar oportunidades e preparar atletas para o alto nível. Foi justamente nessa área que Márcio “Zaca” Oliveira construiu boa parte de sua trajetória no Jiu-Jitsu.
O professor brasileiro participou dos primeiros passos da Dream Art, projeto que se tornaria uma importante força no cenário competitivo. A história começou quando Zaca ainda trabalhava na Alliance Brooklin, em São Paulo, onde mantinha um projeto voltado para jovens da periferia, oferecendo bolsas e buscando apoio para que pudessem treinar e competir.
Foi nesse ambiente que Zaca aproximou Isaque Bahiense do empresário Warley Pimentel, que também é faixa-preta de Jiu-Jitsu hoje. Segundo o professor, após um encontro organizado por ele, surgiu o apoio para criar inicialmente uma estrutura para cerca de dez atletas, com moradia e condições para dedicação aos treinamentos. A união ajudou a dar origem à Dream Art.

Zaca presente na primeira formação do time competitivo da Dream Art, em São Paulo. Photo: Arquivo Pessoal
Com o crescimento da equipe e a chegada de atletas adultos de alto nível, Zaca enxergou outra necessidade: encontrar jovens talentos antes que eles já fossem conhecidos no circuito competitivo. Dessa visão surgiu o Projeto Yuu, voltado para identificar, desenvolver e criar oportunidades para jovens atletas. A ideia era estabelecer um caminho que começava na descoberta do talento, passava pelo treinamento e pelas competições e poderia levar esses jovens até estruturas maiores, como a própria Dream Art. Entre os atletas que passaram diretamente pelo trabalho de Zaca estão Kleber Barboza, Sabrina Lourenço, Bruno Marlon e João Pedro. Outros nomes acompanhados pelo professor seguiram carreira no Jiu-Jitsu, no MMA ou se tornaram professores.
Para Zaca, porém, formar um atleta nunca significou apenas ensinar técnica.
“Sempre entendi que talento sem oportunidade pode acabar não chegando a lugar nenhum. Meu trabalho era tentar fazer com que essas duas coisas se encontrassem.”
Jiu-Jitsu como ferramenta de transformação. A metodologia desenvolvida pelo brasileiro é baseada em três pilares: desenvolvimento técnico, inteligência competitiva e formação mental. Zaca acredita que disciplina, capacidade de aprender, reação às derrotas e comportamento diante das dificuldades podem revelar mais sobre o futuro de um atleta do que o talento apresentado nos primeiros anos.
A Dream Art cresceu e ganhou seu espaço no cenário competitivo. O Projeto Yuu ajudou na formação de jovens. Alguns se tornaram campeões, outros faixas-pretas, professores ou profissionais do esporte.

Zaca e o empresário, hoje faixa-preta, Pimentel, que também foi seu aluno. Foto: Arquivo Pessoal
Hoje, vivendo nos Estados Unidos, Zaca continua aplicando a experiência adquirida no Brasil na formação de crianças, adultos e competidores, além de ampliar sua atuação no cenário competitivo através da arbitragem.
Para o professor, os resultados ajudam a contar sua história, mas não são sua principal medida de sucesso.
“Uma medalha pertence a um campeonato e a um determinado momento. A transformação de uma pessoa pode durar a vida inteira.”
Da participação na construção da Dream Art ao trabalho desenvolvido atualmente nos Estados Unidos, Márcio Zaca construiu sua trajetória não apenas acompanhando campeões, mas tentando criar as oportunidades para que novos campeões pudessem surgir.
