Quanto tempo um atleta leva para aquecer? Dr. André Lopes responde

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Aquecer propriamente pode ser a diferença entre uma atuação gloriosa ou frustrante, como GRACIEMAG não cansa de fortalecer. Foto: Ray Santana/GRACIEMAG

[Artigo especial de Dr. André Lopes, PhD em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS e faixa-marrom de Jiu-Jitsu]

Por que algumas pessoas demoram mais para chegar ao ponto certo de desempenho máximo do que outras na hora de realizar os exercícios?

Foi esta a pergunta real que ouvi outro dia de uma aluna aqui do CT Alpha, atleta de triatlo casada com um ultramaratonista. Sabe aqueles casais de super-humanos que fazem coisas que poucas pessoas conseguem? Sim, esse casal existe e treina comigo.  Ela me perguntou: “Por que eu demoro mais para aquecer comparada ao meu esposo”? 

Segundo ela, o marido com três, quatro quilômetros de prova já consegue empregar uma velocidade ideal, mas ela se arrasta e fica para trás. Entretanto, quando chegam aos 20km, ela está mais rápida do que ele. Por que isso acontece?

A resposta que dei foi: as pessoas são diferentes entre si, há diferenças fisiológicas importantes entre os sujeitos e uma delas, sem dúvida, está baseada na questão do tempo que cada organismo demora para chegar na temperatura ótima de desempenho.

Sim, o aquecimento é muito importante para levarmos nosso organismo ao ponto máximo ou de melhor situação de trabalho.

Vou explicar isso do ponto de vista bioquímico e você entenderá muito bem.

Nosso metabolismo energético é administrado por meio de maior e menor ativação enzimática. As enzimas do metabolismo são mais ou menos ativadas conforme a temperatura de nosso organismo desce, se mantém ou sobe pouco; ou até mesmo sobe muito. Quem nunca ficou fisicamente prejudicado ao ter febre?

Dito isso, a temperatura é um fator importante na atividade das enzimas. Em valores de mínimo e máximo vamos ter uma faixa de otimização enzimática, ou seja, a atividade das enzimas geralmente aumenta conforme a temperatura corporal sobe. Porém, essa subida tem um limite – lembra que acabei de comentar sobre a febre?

Dessa forma, o aumento de temperatura provoca uma maior agitação das moléculas e essa agitação gera uma maior probabilidade de que reajam entre si. Mas claro que tem um limite: se temos uma geração de calor muito alta as bases de estabilização das moléculas se rompem e temos uma queda brusca de atividade por desnaturação enzimática (perda de função).

Outro fator que influencia na resposta das enzimas é a acidez do meio celular, também conhecido como pH (potencial hidrogeniônico). A escala de pH vai de 0 a 14 e mede a concentração relativa de íons hidrogênio (H+) em um determinado meio. O valor 7 apresenta um meio neutro, nem ácido nem básico. Valores próximos de 0 são os mais ácidos e os próximos de 14 são os mais básicos (alcalinos). Cada enzima tem um pH ótimo de atuação, no qual a sua atividade é máxima. 

O pH ótimo para a maioria das enzimas fica entre 6 e 8, mas há exceções. Sendo assim, seu desempenho vai depender de quanto tempo seu corpo leva para aquecer e produzir um ambiente ácido favorável para que as enzimas envolvidas possam desempenhar seu melhor.

Pronto. Se você demora mais ou menos para aquecer, ter maior ou menor atividade enzimática pode interferir em seu desempenho físico, mas geralmente conforme o tempo de realização do exercício passa, você pode aquecer e seu desempenho há de aumentar.

Por isso dizemos que cada atleta deve cumprir um determinado tipo de treinamento, e a partir de agora, podemos dizer ainda que cada atleta precisa ter seu próprio aquecimento.

Gostou deste artigo? Siga-me em @dr.andrelopes e ótimos treinos.

 

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