A lição de Rodrigo Cavaca: “É preciso entender as derrotas para construir a vitória”

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Rodrigo Cavaca na famosa Pirâmide de Long Beach. Foto: Reprodução

O professor Rodrigo Cavaca é um dos nomes mais respeitados na comunidade do Jiu-Jitsu pela carreira que construiu no esporte. Campeão mundial na faixa-preta (2010), Cavaca teve uma trajetória de inúmeras conquistas como atleta e deu continuidade ao legado vencedor ao se dedicar à formação de lutadores. Ao lado do amigo Robert Drysdale, Rodrigo fundou a Zenith Brazilian Jiu-Jitsu em 2013, e trouxe um olhar empreendedor à modalidade. 

Atualmente, a Zenith Brazilian Jiu-Jitsu é uma das equipes mais renomadas do cenário competitivo e conta com unidades nas cidades de São Paulo, Santos e Las Vegas, nos Estados Unidos. Em bate-papo com a equipe do GRACIEMAG.com, Rodrigo Cavaca contou quando começou a enxergar o Jiu-Jitsu como empreendimento e listou os maiores desafios de liderar uma renomada equipe no esporte.

GRACIEMAG: Quais foram as maiores lições que o Jiu-Jitsu te ensinou?

RODRIGO CAVACA: A maior lição que o Jiu-Jitsu me ensinou foi a perder. Quando digo perder, não é ser ou perdedor ou aceitar a derrota, mas entender a derrota e considerar que o processo é construído muito mais de derrotas do que vitórias. O conjunto de experiências adquiridas com as derrotas momentâneas impulsionam o nosso resultado futuro, a vitória. No meu caso, sempre foi assim. Se você pesquisar, vai achar muito mais derrotas minhas do que vitórias, mas foram elas que trouxeram meus títulos mundiais. Esse processo também me ajuda muito fora dos tatames.

Quando você passou a enxergar o Jiu-Jitsu como empreendimento ao invés apenas de um esporte?

Precisei virar a chave a partir do momento em que parei de lutar. Considero a comunidade do Jiu-Jitsu uma bolha, porque nos deixa limitado se você tem apenas conhecimento das pessoas que integram esse meio. Parece um mundo grande, já que boa parte dos nossos amigos são do Jiu-Jitsu, mas é pequeno e recente. Então o desenvolvimento deixa a desejar. Quando parei de lutar, coloquei na mente que queria viver do Jiu-Jitsu. Para que isso fosse possível, busquei informações e conhecimento fora da nossa bolha. Fui atrás de pessoas bem sucedidas, obviamente que o sucesso é relativo, mas na minha concepção, o sucesso em comum com as pessoas que me aproximo e que quero ter por perto é aquele que preza pelos pilares fortalecidos. Os pilares são: família, saúde, fé. Consequentemente, esses aspectos levam ao sucesso profissional e me elevaram de nível. Trata-se de acompanhar pessoas que não fazem parte da comunidade do Jiu-Jitsu, ver como elas geram resultado e trazer para o nosso meio para que a minha escola prosperasse.

Quais são os maiores desafios de liderar uma grande equipe como a Zenith?

A Zenith foi criada por mim e pelo meu amigo Robert Drysdale, com o intuito de ser uma equipe neutra e aceita no mundo inteiro. Nossa meta é conseguir quebrar as barreiras da rivalidade e colocar nossos amigos acima da bandeira. A equipe não pode estar acima do respeito e dos valores ensinados no esporte. Digo isso porque fui formado de uma forma completamente oposta. Não podíamos treinar nem conversar com pessoas de outra equipe. Meu primeiro professor não permitia o contato com membros de outras escolas fora da academia. Eles foram criados dessa maneira, replicaram para os alunos, mas os professores não viviam do Jiu-Jitsu na época. Só que alguém precisava quebrar esse ciclo. Se fosse mantido, imagine como o Jiu-Jitsu seria hoje. Estaríamos limitados. Nossos valores transcendem a bandeira. 

Luiz, Cavaca e Marcelo, que juntamente com Drysdale formam o time de sócios à frente da Zenith. Foto: Reprodução

Que dicas você daria a um atleta que sonha ser um grande campeão de Jiu-Jitsu?

Respeite o processo. É doloroso, simples de ser entendido, mas é doloroso quando praticado no dia a dia. Terão momentos em que vamos querer desistir ou fazer algo diferente, mas atalhos não existem. São a prática diária na construção de um jogo e a constância que geram o sucesso a nível competitivo. Estar no momento certo com as pessoas ideais te proporcionará uma condição superior. É um conjunto de fatores agregados que geram o sucesso. É preciso aplicar o conhecimento adquirido ao lado dessas pessoas constantemente até o dia que você conquistar. A partir daí, você entende o processo e o replique diariamente, não somente no Jiu-Jitsu, mas na vida como um todo.

Como você analisa o crescimento do mercado do Jiu-Jitsu nos últimos anos?

Vejo um desenvolvimento rápido do Jiu-Jitsu desde que eu comecei a treinar. Nunca percebi um regresso do esporte, pelo contrário, cada vez mais alunos, professores, equipes e países buscam a modalidade para que o Jiu-Jitsu se torne uma ferramenta educacional, assim como acontece em Abu Dhabi. Isso é incrível, outros países da Europa, da América do Norte e da Oceania também estão nesse caminho, o Jiu-Jitsu transforma vidas. A arte marcial vai muito além do esporte, já que o esporte respeita a “lei do mais forte” e quem tem mais dinheiro. A arte marcial preza pelos valores. Vejo um crescimento amplo e uma adesão de pessoas que jamais se imaginavam no esporte. O motivo é a metodologia moderna das escolas que utilizam diversas formas de prestação de serviço para atender a todo tipo de público: crianças, adultos, idosos, pessoas que não podem se lesionar e pessoas com doenças psicológicas. O tratamento mudou bastante, não ocorre mais de maneira bruta para aprender a arte. Menos pessoas aderiram ao Jiu-Jitsu se seguisse nesse caminho. 

Nos tempos de competidor, qual era sua maior motivação para se manter em alto nível?

Minha motivação era ser o melhor no que eu fizesse. Meu primeiro campeonato como faixa-branca me mostrou que eu poderia dar um passo além, consequentemente conquistei o Campeonato Paulista e depois o Brasileiro. Botei na cabeça que queria ser campeão mundial e consegui. Venci nas faixas coloridas e minha meta passou a ser o título mundial na faixa-preta. Realizei esse sonho em 2010, após bater na trave por dois anos. Não  desisti por nada, fiquei obcecado atrás do título. Abdiquei de momentos com família e amigos e dos estudos para que eu pudesse me dedicar ao Jiu-Jitsu. E a conquista veio dez anos depois que eu comecei a treinar. Precisamos entender o processo e traçar objetivos para que você tenha motivação constante e nunca pare. A vida não te permite parar, você cresce ou regride, é impossível estagnar. Precisamos acompanhar o processo de constante evolução, foi isso que me motivou. Trouxe isso para minha vida e aplico essa metodologia no lado empresarial.

Confira no vídeo abaixo a entrevista de Rodrigo Cavaca ao GRACIEMAG.com quando o faixa-preta estava prestes a disputar o Mundial 2010.

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