Gripp e os degraus da construção de um professor, do primeiro treininho ao ensino internacional

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Aos 12 anos, enquanto ainda cursava o ensino fundamental em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Lucas Gripp deu os primeiros passos no Jiu-Jitsu sem imaginar que, anos depois, faria da arte suave sua profissão e levaria seu trabalho até os Estados Unidos.

O primeiro contato com o esporte ocorreu graças ao incentivo de um familiar. A partir daquele momento, iniciou seus treinamentos na Academia CAF, no centro de Friburgo, sob a orientação do mestre Flávio Serafin, o Pintinho.

Durante os primeiros anos de formação, foi graduado às faixas laranja, azul e roxa. Mais do que ensinar técnicas, Serafin apresentou os princípios fundamentais da modalidade, construindo a base que acompanharia Lucas durante a carreira.

Quando Flávio Serafin passou a integrar um projeto esportivo nos Emirados Árabes Unidos, desenvolvendo o Jiu-Jitsu em parceria com escolas e o exército local, Lucas iniciou uma nova etapa sob a orientação do mestre Pedro Monnerat.

Foi nesse período que sua visão sobre o esporte começou a amadurecer. Sob a liderança de Pedrinho, conquistou a faixa-marrom e, em 2020, recebeu a faixa-preta, consolidando oficialmente uma trajetória construída ao longo de mais de uma década de dedicação aos tatames. 

Três anos depois, em dezembro de 2023, recebeu o primeiro grau na preta, reconhecimento que simboliza sua continuidade e evolução dentro da modalidade.

Mas sua história como professor começou antes mesmo da graduação máxima. Em 2018, ainda como faixa-marrom, recebeu de Pedro Monnerat o convite para assumir uma pequena turma na academia Gordo Jiu-Jitsu de Nova Friburgo. A experiência despertou uma vocação que mudaria sua vida.

“Ensinar me fez enxergar o Jiu-Jitsu de uma maneira completamente diferente”, recorda Lucas. “Quando você precisa explicar o movimento para outra pessoa, passa a estudar muito mais os detalhes. Cada aluno aprende de uma forma diferente, e isso me fez perceber que ser professor exige muito mais do que saber o movimento.”

Entre 2018 e 2025, Lucas dedicou-se à formação de crianças, adolescentes, adultos, mulheres e idosos, ao ministrar aulas em grupo e treinamentos particulares. O contato diário com perfis tão diferentes, em sua visão, contribuiu para o desenvolvimento de uma metodologia própria, baseada na observação, na escuta e na adaptação do ensino às necessidades de cada aluno.

Paralelamente ao trabalho no tatame, buscou aperfeiçoar sua formação participando de cursos, seminários e encontros com alguns dos principais nomes do Jiu-Jitsu brasileiro. Ao longo desse processo, teve contato com professores como Leão Teixeira, Antônio Braga Neto, Fernando Tererê, Hélio Soneca, Leonardo Leite, Delson Pé de Chumbo, Wagner Rocha, Celsinho Venícius e outros. 

Cada experiência acrescentou novas perspectivas sobre ensino, liderança e formação de atletas: “Nunca procurei copiar a metodologia de ninguém. Sempre tentei entender o que havia de melhor em cada professor e adaptar esses aprendizados à minha realidade. Minha forma de ensinar foi construída dessa maneira: estudando, observando e aprendendo diariamente com os alunos”, analisa Gripp.

Ao longo dos anos, Lucas passou a compreender que o papel de um professor vai muito além da transmissão de técnicas.
Sua metodologia prioriza atenção aos detalhes, comunicação clara, respeito ao ritmo individual de aprendizagem e desenvolvimento do controle emocional, aspectos que considera fundamentais tanto para quem busca a defesa pessoal quanto para aqueles que competem em alto rendimento.

Essa construção chamou a atenção da escola matriz da Gordo Jiu-Jitsu, uma das mais renomadas escolas da modalidade no Brasil e no mundo.

Em 2025, recebeu o convite de mestre Roberto “Gordo” Correa para integrar o quadro de professores da matriz da academia, em Weston, Flórida. O convite foi resultado de um conjunto de fatores: sua trajetória como atleta, a experiência acumulada como professor, o conhecimento técnico adquirido ao longo dos anos e sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da equipe.

“A escolha pelo Lucas passou por alguns processos: ser aluno de um aluno, seu conhecimento técnico e conhecimento de gestão, mesmo que ele não tivesse a obrigação de colaborar nisso. Ele foi uma ótima indicação do Pedrinho, que só tinha elogios para seu caráter e conduta”, diz Roberto Gordo.

Desde dezembro de 2025, Lucas atua nos Estados Unidos formando praticantes de diferentes idades e nacionalidades, levando consigo mais de duas décadas de experiência no esporte.
Para ele, a essência do trabalho permanece a mesma, independentemente do país.

“O idioma pode mudar, a cultura pode mudar, mas o objetivo continua igual: ajudar cada aluno a evoluir. O Jiu-Jitsu tem a capacidade de transformar pessoas, e acredito que o papel do professor é facilitar esse caminho.”

Hoje, olhando para a própria trajetória, Lucas entende que sua formação não foi construída apenas pelas graduações conquistadas ou pelos anos de treino, mas principalmente pelas pessoas que cruzaram seu caminho e pelos alunos e professores que ajudaram a moldar sua forma de ensinar.

“Cada mestre deixou uma marca na minha carreira. Cada aluno também. No fim, assim como um faixa-preta não deixa de evoluir, um professor nunca para de aprender”, ensina Lucas Gripp.

Saiba mais sobre o professor, aqui.

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