
Carlson Gracie. Archives
Nos anos 1990, um jovem repórter chamado Luca Atalla, ainda faixa-roxa, teceu variadas perguntas sobre Jiu-Jitsu para o saudoso grande mestre Carlson Gracie. Papo vai, papo vem, e Luca perguntou como eram os treinos em sua época de ouro nos ringues, ali pelos anos 1950 e 1960. O faixa-vermelha rememorou como era a programação de treinos, rascunhada sob a orientação do pai, grande mestre Carlos Gracie.
“Nossos treinos para as lutas eram com tempo marcado. Treinar Jiu-Jitsu sem relógio, até um desistir, a gente nunca fez. Não adiantava treinar até um bater, isso é besteira. O sujeito se esgota”, lembrou mestrão Carlson. “Meu tipo de treino era o seguinte, como meu pai falava: ‘Você treina 15 minutos, com cinco caras. Mas você não pode descansar, é um pique. Se eu notar que você tá descansando eu paro o treino e vou te esculhambar, então tem de ser pra valer.’ Por que era daquele jeito? Porque não adianta treinar 15 minutos direto e acabar ficando ali, descansando na guarda. É preciso atacar o tempo todo, por baixo, por cima, tem de fazer esforço. Eram 15 minutos só. Naquela época eu dizia ‘só’ porque eu era incansável.”
O faixa-vermelha lembrou que os treinos físicos eram simples: corridas na areia da praia, pular muita corda, caminhadas ladeiras acima e nas dunas do Rio. Já os treinos voltados para finalização e para seus duelos de vale-tudo eram ainda mais curiosos:
“No início, meu treinamento para valer era em cima das técnicas. Mas depois que fiquei mais maduro, com uns três vale-tudos na bagagem, passou a ser o seguinte: os caras podiam tentar me dar porrada à vontade e eu não. Só treinava assim. Sem luva, sem nada. Eu de sungão, e eles podiam vir e tentar bater à vontade. Fuzileiros navais, boxeadores e muitos outros sparrings. Todo mundo que ia treinar eu dizia, pode bater, e eu não podia. Só podia me defender, agarrar e finalizar. Sempre treinei assim.”
E você, como costuma variar seus treinos e manter a defesa pessoal em dia, como os grão-mestres Carlos e Carlson nos ensinam?
