
A próxima edição do SUG está marcada para o dia 8 de novembro, novamente em Floripa, Santa Catarina, no sul do Brasil. “As inscrições serão feitas pelo site do SUG World Tour ou diretamente pela Smoothcomp, procurando pelo SUG Brasil”, avisa o professor GMI Rafael Dallinha, um dos organizadores do show. “Até o final de agosto ou início de setembro vamos divulgar todas as informações sobre categorias, inscrições e valores. A previsão é abrir as inscrições no início de setembro, trabalhando com diferentes lotes, quanto antes o atleta se inscrever, melhor será o valor.”
“Um dos principais diferenciais do SUG são as nossas próprias regras, principalmente no No-Gi adulto”, explica Dallinha. “É um formato mais agressivo, voltado para a finalização, permitindo técnicas que em muitos outros campeonatos não são permitidas. Outro diferencial é a liberdade que damos ao atleta para se desafiar. Se um faixa-branca quiser competir em uma categoria de nível mais alto, por exemplo, ele pode. Na primeira edição em Florianópolis tivemos um faixa-branca vencendo uma categoria de faixa-roxa e um faixa-marrom vencendo uma categoria de faixa-preta. Além disso, os campeões dos absolutos recebem cinturões do SUG, trazendo uma identidade própria para o evento. Queremos que o SUG seja mais do que apenas mais um campeonato no calendário. Estamos construindo um formato que possa conectar nossas seletivas a eventos profissionais e criar novas oportunidades para os atletas.”
Na entrevista a seguir, Dallinha revela conta a história de mais de dez anos do SUG, revela o segredo para o sucesso da entidade criada por Chael Sonnen e lista todos os motivos para você se inscrever e participar do show!
GRACIEMAG: Como surgiu o SUG (Submission Under Ground), evento capitaneado pelo veterano do UFC Chael Sonnen?
RAFAEL DALLINHA: O SUG nasceu de uma ideia do Chael Sonnen e de uma sócia que ele tinha na época. A primeira edição aconteceu em 17 de julho de 2016, em Portland, Oregon, com Vinny Magalhães e Rony Marques na luta principal. O conceito sempre foi muito interessante: colocar grandes nomes do MMA contra estrelas do Jiu-Jitsu em submission grappling sem kimono, dentro do cage, com regras de submission only e overtime no estilo EBI. Ao longo dos anos passaram pelo SUG nomes como Jon Jones, Dan Henderson, Miesha Tate, Chad Mendes, Gilbert “Durinho” Burns, Gordon Ryan, Craig Jones, Garry Tonon, Paulo Miyao, Felipe Preguiça, Fabiano “Pega-Leve” Scherner e muitos outros.

O SUG então já tem 10 anos de estrada…
Pois é… E ao longo desse tempo, o SUG sempre se empenhou em revelar aquele novo grappler que chegou para ficar. Apresentamos muitos novos ídolos ao mundo. Um grande exemplo foi Mason Fowler, que finalizou Craig Jones e acabou se tornando o maior campeão da história do evento.
E como foi que você passou a unir forças com o SUG?
Minha entrada no evento aconteceu através do Fabiano “Pega-Leve” Scherner, que é um grande amigo meu desde a época em que eu ainda era faixa-branca em Florianópolis. Alguns meses atrás, ele veio até a minha academia em San Diego e passamos alguns dias conversando e trocando experiências sobre nossas academias, business e projetos para o futuro. Foi nessa conversa que ele me falou sobre a ideia de trazer o SUG de volta em um novo formato. O Fabiano já conhecia minha experiência com organização de eventos, principalmente pelo trabalho que comecei em 2009 ao lado do Fernando Paradeda. Tive a oportunidade de trabalhar diretamente com ele durante alguns anos e aprendi muito sobre todos os aspectos da organização e produção de grandes campeonatos. Juntos, realizamos etapas do Abu Dhabi Trials no Havaí, Las Vegas, Miami e San Diego.

Isso é praticamente uma faculdade de empreendedorismo no mundo das lutas…
Exato! Foram anos que me deram muita experiência e know-how sobre o que é necessário para produzir um evento de alto nível. Sabendo dessa experiência, o Fabiano achou que seria importante eu fazer parte do time e ajudar principalmente no desenvolvimento do SUG aqui nos Estados Unidos. Para mim foi uma honra e aceitei na hora. No Brasil, o Ricardo Bortoluzzi lidera a operação com a equipe que ele já possui. Nos Estados Unidos, eu e o Fabiano ficamos mais à frente. Meu papel envolve planejamento, estrutura, parcerias e patrocínios, além de conectar o SUG com pessoas e empresas que conheci ao longo da minha trajetória no Jiu-Jitsu. Agora estamos trabalhando para realizar nosso primeiro evento dessa nova fase nos Estados Unidos, no Oregon, e isso tem um significado especial. É a casa do Chael Sonnen, é a casa do Pega-Leve e é onde praticamente tudo começou para o SUG. Espero que seja um grande sucesso e o começo de mais um capítulo importante na história do evento. Florianópolis também foi uma escolha natural para essa nova fase: eu, Fabiano e Bortoluzzi temos nossas raízes lá. Queríamos começar no Brasil justamente na cidade onde nossa história começou, mas a intenção é, com o tempo, levar o SUG para outros estados e países.
Quais foram os maiores desafios enfrentados na organização da primeira edição e quais foram as principais lições que vocês aprenderam na edição inaugural?
A primeira edição foi bastante desafiadora, principalmente porque eu e o Fabiano estamos há muitos anos nos Estados Unidos e já não conhecíamos tão bem o mercado atual de eventos no Brasil. O Bortoluzzi, por outro lado, conhece muito bem esse cenário e estava sempre tranquilo, enquanto nós dois estávamos aqui preocupados, principalmente porque boa parte das inscrições aconteceu mais perto do evento. Também não tínhamos dimensão de toda a estrutura que o Bortoluzzi já tinha montada no Brasil. Ele tem uma equipe fantástica e extremamente profissional. Quando o evento começou, tudo funcionou muito bem e, no final, superou nossas expectativas. A maior confirmação, porém, veio dentro da área de luta. Tivemos combates muito agressivos, muitas finalizações e atletas se desafiando de verdade. Para nós, isso mostrou que o formato funciona. E aqui é importante dar o crédito ao Fabiano Scherner, porque foi ele quem desenvolveu a base das regras desse novo formato do SUG. Eu participei ajudando em alguns ajustes, mas a criação foi dele. A primeira edição confirmou que ele fez um excelente trabalho e que temos um formato com muito potencial para crescer.

Houve algum momento marcante ou inesperado durante a primeira edição que você gostaria de comparti
Sem dúvida, um dos momentos mais marcantes para mim — e acredito que para o Fabiano e o Bortoluzzi também — foi a luta de uma jovem atleta com paralisia cerebral. Quando chegou a hora da luta dela, todas as outras áreas pararam. O ginásio inteiro praticamente parou para assistir. Ela entrou, competiu contra outra menina e venceu a luta. Foi um daqueles momentos em que o resultado vai muito além de uma medalha ou de um campeonato. Depois, conversando com os pais dela, eles contaram o quanto o Jiu-Jitsu tem ajudado no dia a dia e o quanto transformou a vida dela, trazendo mais felicidade e qualidade de vida. Para mim, aquele momento resumiu muito do porquê fazemos tudo isso. Mostrou que o Jiu-Jitsu é muito mais do que competição. É uma ferramenta capaz de transformar vidas, criar confiança e proporcionar inclusão. Foi um momento que, com certeza, todos nós vamos guardar por muito tempo.
Pensando num futuro mais a longo prazo, qual seria o seu sonho ou meta para o SUG — tanto em termos de alcance quanto de legado para o Jiu-Jitsu?
Pensando a longo prazo, o projeto que eu, Fabiano e Bortoluzzi temos para o SUG é construir várias seletivas, não apenas no Brasil e nos Estados Unidos, mas também em outros países. Já existem algumas conversas acontecendo, mas ainda é cedo para anunciar qualquer coisa. A ideia é que essas seletivas criem um caminho para os melhores atletas chegarem a um grande evento de lutas casadas, com premiação em dinheiro e atletas sendo remunerados. Queremos construir uma plataforma que dê oportunidades, revele novos talentos e que, com o tempo, seja reconhecida mundialmente pela qualidade dos seus eventos. Isso também resgata uma parte importante do DNA do SUG desde o início: descobrir aquele próximo grande grappler, dar a ele a oportunidade de enfrentar os melhores e apresentá-lo ao mundo.
