As lições de Jiu-Jitsu, raça e amor do faixa-coral Royler

Share it
Royler Gracie, ainda faixa-preta de Jiu-Jitsu, no dojo lotado da Gracie Humaita

Royler prepara a festa, ainda com a faixa-preta de Jiu-Jitsu. Fotos: Gustavo Aragão.

Não existe jornada de maior paciência e determinação do que o caminho de um faixa-preta de Jiu-Jitsu. Talvez, só tentar cruzar a cidade do Rio de Janeiro numa sexta-feira, na hora do rush. A academia Gracie Humaitá, mesmo assim, estava com os dojôs lotados às 20h30 da noite de ontem, quando a equipe do GRACIEMAG.com chegou.

Só faltava um cara. O cara. “Quer que eu ligue para o cara de novo?”, perguntou um aluno a Royler Gracie, que aguardava o irmão Rickson para iniciar a cerimônia de entrega de faixa-coral.

Royler ainda se lembrava do dia em que recebeu a faixa-preta. Foi ali mesmo, no mesmo dojô, só que na outra parede, no início dos anos 1980. “Recebi do professor Helio”, diz com orgulho.

Ao receber a faixa-coral, diante da esposa Vera, da filha e dos diversos “filhos” e irmãos de Jiu-Jitsu, Royler se emociona, em especial ao falar das mulheres de sua vida, a mulher e as quatro filhas. “Fui campeão mundial com três filhas já. O que minha carreira ensina é que sempre há tempo para começar, o seu destino quem traça é você”.

Mesmo aposentado, “sem vontade nenhuma de lutar mais”, como nos disse, Royler ofereceu algumas lições e momentos de inspiração, agora de cintura vermelha-e-preta.

Royler ajusta a faixa-coral de Jiu-Jitsu após recebê-la dos irmãos Rolker e Rickson

Royler ajusta a faixa-coral de Jiu-Jitsu após recebê-la dos irmãos Rolker e Rickson. A cerimônia alternou momentos de gargalhadas e lágrimas.

1. Trace metas para o seu Jiu-Jitsu e organize-se

Após Rolker Gracie abrir os trabalhos, os alunos mais antigos de Royler foram sendo chamados para discursar, de Vini Aieta a Breno Sivak, a Rickson Gracie, que chegou com o pé enfaixado e uma gripe braba.

“Boa parte da família Gracie foi para os EUA e talvez sem eles não estivéssemos aqui hoje. Mas a gente sabia da importância de cumprir nossa missão, de ficar e segurar a bandeira no Rio de Janeiro, e hoje ajudamos a cultura do Jiu-Jitsu, a alimentação, a ser parte da cultura da cidade”, discursou Royler. “Do Brasil!”, emendou alguém. Do mundo, constatamos nós.

Alguém lembrou o lado determinado e organizado de Royler, que sempre anotava em papeizinhos as metas, os planos de treino, as posições a serem repassadas, e cumpria sempre.

2. Persistência é o que distingue o praticante de Jiu-Jitsu do resto

Chamado a falar, nosso GMA Bruno Panno, professor da Gracie Sydney, ilustrou bem o papel de Royler como educador. “Quando eu era criança, minha mãe ameaçava contar algo para o meu pai e eu nem ligava. Então ela dizia que ia contar para o Royler, e eu ficava tremendo, parava na mesma hora”, relembrou. “Dos 40 alunos que começaram comigo, só eu cheguei a faixa-preta. E é isso que nos distingue do resto das pessoas, é essa persistência obrigatória para se formar como faixa-preta que a gente leva para os outros aspectos da vida”.

3. Royler: técnica, raça, honra e amor

A cada discurso, uma faceta da carreira de Royler era destacada. Por ser magrinho, foi por anos considerado o competidor mais técnico não só da família, mas do Jiu-Jitsu mundial. Pelo temperamento e pelos traços, muitos o consideram o mais parecido com grande mestre Helio Gracie. Pela raça e coragem derramadas no tatame, inspirou muitos craques da nova geração.

Quando Rickson enfim venceu o trânsito carioca, chegou e recebeu a palavra, outro lado de Royler foi mencionado. E arrancou lágrimas de quem discursava e de quem recebia a homenagem.

“Houve uma época na minha carreira, nos anos 1990, que eu estava indo ao Japão lutar sozinho, pois parte da minha família entendeu que era hora de dar suporte apenas a outro segmento, que lutava nos EUA. Royler, contra todos os pedidos, ficou ao meu lado e foi comigo. Ele para mim não é símbolo apenas de honra e técnica refinada, e sim símbolo de um amor de irmão que vou levar para toda a vida”.

Rolker Gracie, Royler Gracie e Rickson Gracie, no dojô da Gracie Humaitá.

Rolker, Royler e Rickson, no dojô da Gracie Humaitá.

E para você, companheiro do GRACIEMAG.com? Qual foi o momento da carreira de Royler que mais o marcou?

Ler matéria completa Read more