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O que aprendi sobre Jiu-Jitsu sendo árbitro, por Augusto Tanquinho

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Augusto Tanquinho

 Depois de anos arbitrando, o colecionador de medalhas Augusto “Tanquinho” Mendes foi campeão mundial com kimono (2013), sem kimono (2012/2015) e do ADCC 2019, e ainda chegou à elite do MMA no UFC. Foto: Ivan Trindade

1) No início de minha carreira como lutador profissional, eu rapidamente aprendi que ao arbitrar grandes eventos da IBJJF eu conseguia ter detalhes técnicos difíceis de serem visualizados por vídeo – detalhes e movimentações executados, ainda por cima, pelos maiores nomes do Jiu-Jitsu. Provavelmente, somente o adversário e o árbitro central têm acesso a algumas riquezas de detalhes que acontecem na luta, pela rapidez com que acontecem. Casos de uma pegada crucial ou um um controle escondido.

2) Aprendi a dominar as regras do esporte, já que eu decidi estudar muito para ser um árbitro acima da média. Isso me deu vantagens na hora da luta, ao saber utilizar a regra a meu favor quando era a minha hora de tirar o terno de árbitro e voltar a vestir o kimono.

3) Arbitrei tantas lutas em que vi atletas deixarem as vitórias escorregarem pelas mãos que aprendi que o Jiu-Jitsu é muito mais complexo do que eu podia supor. A partir desse aprendizado, senti a necessidade de me tornar completo como atleta, para ser capaz de dominar toda e qualquer ação que uma luta pudesse me levar – e não perder por detalhes no fim.

4) Aprendi a não usar o árbitro como desculpa de uma derrota. Como atleta, sabemos muito bem que ninguém gosta de perder, e às vezes procuramos desculpas para as derrotas, como dores, contusões ou erros do juiz. Sim, árbitros erram, são humanos e trabalham por vezes até o limite, mas muitas vezes acertam; cabe ao atleta ser humilde o suficiente, autocrítico e saber que ele como atleta errou também. E aí sim voltar à academia e corrigir suas falhas para chegar aonde quer chegar. E, sempre bom, vale estudar as regras a fundo, pois muitas vezes é mais fácil reclamar do que se aprofundar e entender o regulamento. Assim, ao enxergar os próprios erros em vez de culpar o árbitro, o artista marcial será capaz de sair da zona de conforto e chegar a um patamar mais elevado.

5) E, primeiro e mais importante, percebi como ser árbitro de Jiu-Jitsu é difícil, então aprendi a respeitá-los ainda mais quando estão trabalhando – eles têm frações de segundos para tomar decisões, trabalham sob uma pressão grande para acertar e não ganham bem como os lutadores profissionais. A grande maioria dos árbitros ama o Jiu-Jitsu e foi essa a maneira deles de retribuir para a comunidade, trabalhando sério e por amor.

 

  • Entrevistado por Marcelo Dunlop.

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