A lição de persistência de Isaac Doederlein, rei dos pesos-pena no Mundial 2022

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Isaac Doederlein vibra durante triunfo na Pirâmide, no Mundial 2022 da IBJJF. Foto: Tyy Withrow

Isaac Doederlein vibra durante triunfo na Pirâmide, no Mundial 2022 da IBJJF. Foto: Tyy Withrow

Aluno de Rubens Cobrinha e um dos grandes talentos da Alliance, Isaac Doederlein protagonizou um dos momentos mais emblemáticos do Mundial de Jiu-Jitsu 2022, no início de junho na Pirâmide em Long Beach. Depois de anos à caça do maior título do esporte, o resiliente peso-pena conquistou seu primeiro título mundial na faixa-preta. Ele se tornou o sexto americano a conseguir esta façanha.

Isaac teve atuação irretocável na charmosa Pirâmide este ano. Ele chegou embalado à final após finalizar duas das três lutas disputadas anteriormente, via chave de pé. Na disputa pelo ouro, Doederlein fez duelo disputado contra Diego Sodré e se consagrou nos segundos finais, quando conseguiu a raspagem ao berimbolar o adversário. O placar de 2 a 0 conquistado no apagar das luzes foi suficiente para coroar Isaac.

Em bate-papo com a equipe do GRACIEMAG.com, Isaac descreveu o momento em que conseguiu a raspagem dourada e distribuiu boas lições para os leitores.

GRACIEMAG: O que esse título representa para você?

ISAAC DOEDERLEIN: Esse título é um sonho que se tornou realidade. Desde a adolescência, sonhava em competir como faixa-preta e ganhar um título mundial. Ainda mais no peso-pena, que já foi dominado por grandes campeões no passado. Ter finalmente esse título, numa das divisões mais acirradas do esporte, representa todos os anos de trabalho árduo que dediquei ao Jiu-Jitsu. Passei milhares de horas nos tatames fazendo tudo o que pude para me manter no topo em constante evolução. Vi tantos recém-chegados chegar à faixa-preta e ganhar o título mundial no seu primeiro ou segundo ano, mas não desisti, e ganhei na minha sexta tentativa. Era difícil não me comparar aos outros, mas tive de me lembrar constantemente que todos têm um caminho diferente, e o meu seria do meu jeito. Agora que consegui, tenho uma história diferente para contar.

E para inspirar os outros também. O que passava na sua cabeça quando raspou o Diego Sodré no finzinho da luta pelo ouro?

Só me lembro dos dois últimos minutos da luta. O Diego estava muito forte e a base dele estava bem firme. Nenhuma das minhas tentativas de raspar estava funcionando. Ele não ia me deixar pontuar de jeito nenhum. Vieram alguns pensamentos negativos à minha cabeça, e pensei: “Será realmente assim que vou deixar terminar esta minha incrível campanha no Mundial?” Fiquei no lado mais duro da chave, consegui duas vitórias por finalização e ainda ganhei nas vantagens de um lutador duríssimo [Alex Sodré]. Antes da final, o Cobrinha me disse: “Isaac, quatro minutos até o momento mais importante da sua vida”. Por isso, quando ouvi essa voz estalar na minha cabeça no último minuto, fechei minha mente e comecei a tentar tudo o que podia. Quando me dei conta, tinha conseguido a raspagem. Olhei para a pontuação e vi que só faltavam 15 segundos. Ouvi a Pirâmide começar a rugir, o público estava enlouquecido. Foi uma sensação espantosa. Um momento incrível que vou levar comigo para o resto da minha vida, pode apostar.

O que mudou depois de ter o braço levantado?

Eu não conseguia acreditar que era real. Depois de tantos anos de tentativas e falhas, inclusive nas faixas coloridas, sinto que tirei um peso enorme das costas. Esse objetivo pesou muito nos meus ombros durante tantos anos, e depois de cada tentativa, a possibilidade de chegar lá parecia cada vez menos provável. No entanto, mantive o foco em melhorar. Agora que venci, estou muito mais feliz com a forma como tenho treinado. Sinto que agora sou capaz de evoluir e melhorar ainda mais rapidamente, porque tenho menos pressão sobre mim. Mal posso esperar para vencer o Mundial novamente!

Qual foi a sua estratégia na final com o Diego?

Eu sabia que ia ser uma luta difícil, já tinha lutado com ele antes, e sabia que ele é muito estratégico, não se abre à toa. Por isso, o objetivo era largar na frente no começo para ele se expor. Obviamente, não deu certo e tive de seguir com meu plano B. Tive que me esforçar muito para conseguir a raspagem no fim.

Acha que sua experiência fez diferença?

Depois de todos os anos que investi no meu jogo, me sinto confortável em muitas situações. Passei por fases em que me especializei em certas situações, e o que aconteceu para mim este ano foi que finalmente me preparei bem em tudo. Foi o que fez a diferença, ao meu ver. O que também mudou para mim nessa competição foi que lutei realmente estrategicamente e forcei os meus adversários a entrar no meu jogo.

Quais são seus objetivos agora?

O meu objetivo é ganhar pelo menos três títulos mundiais com kimono. Este ano, quero ganhar o ADCC e possivelmente lutar no One. Sempre me interessei muito pelo Jiu-Jitsu sem kimono, mas nunca consegui treinar de forma consistente devido a uma certa culpa de tirar o foco do meu jogo de kimono. Por isso, vou treinar bastante sem kimono agora para conquistar o que falta.

 

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