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	<description>The Original Brazilian Jiu-Jitsu Magazine — BJJ news</description>
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		<title>Túnel do tempo: É preciso saber perder no Jiu-Jitsu e no MMA</title>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_205281" style="width: 660px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-205281" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/11/lyoto2-1024x682.jpg" alt="" width="650" height="433" class="size-large wp-image-205281" /><p id="caption-attachment-205281" class="wp-caption-text">Lyoto Machida acabou nocauteado no primeiro round por Derek Brunson, no UFC Sâo Paulo. Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images</p></div>
<p><em>Conteúdo publicado originalmente nas páginas da GRACIEMAG número #239 (2017). Para ter acesso a outros artigos especiais sobre o melhor do Jiu-Jitsu e do MMA, assine a nossa edição digital e leia antes! <a href="https://graciemagshop.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Clique aqui e confira</a>!</em></p>
<p>Perder dói. Vamos deixar de lado o falso estoicismo e assumirmos uma verdade absoluta: ninguém gosta de perder. Não conheci até hoje nenhum ser iluminado o suficiente para ficar indiferente a uma derrota ou alguém moralmente elevado o suficiente para, imediatamente, acreditar que aquilo ocorreu para o próprio bem.</p>
<p>É duro aceitar, mas a realidade é que, tanto o esporte quanto a própria vida são feitos de vitórias e derrotas, de bons e maus momentos. O que diferencia realmente as mentes fortes é saber reconhecer essa realidade e se recuperar após uma perda.</p>
<p>Gênios como Michael Jordan, Muhammad Ali e Georges St-Pierre souberam transformar derrotas em aprendizados e em motivação para se recuperarem. Corrigiram falhas, aprimoraram-se e apresentaram algumas das melhores atuações da história do esporte após sofrerem reveses pesados.</p>
<p>Infelizmente, essa não é a regra. Muitos astros conquistam uma autoconfiança tão elevada que a derrota passa a ser algo inconcebível. Quanto melhores eles são e mais vitórias vão acumulando, mais iludem-se de que são invencíveis. Quando essa ilusão é desfeita, perdem sua fundação e despencam em uma queda sem fim.</p>
<p>Autoconfiança é sim algo positivo. É ótimo mentalizar a vitória, acreditar em si mesmo, achar sempre que é possível vencer. Porém, como todo remédio, aconfiança em doses excessivas torna-se um veneno. Grandes lutadores como Anthony Pettis, Anderson Silva e Ronda Rousey apoiaram-se tanto na crença de que eram indestrutíveis que não souberam se recuperar da perda de seus cinturões.</p>
<p>Anthony Pettis tem o apelido de “Showtime”. Um apelido que era digno de suas lutas soltas, inventivas, criativas. Pettis tinha desenvoltura para arriscar desde a invenção do chute “Matrix” (chute com apoio na grade do octógono que aplicou no WEC) até a finalizar Ben Henderson (lutador mais graduado no Jiu-Jitsu e então campeão de UFC) com um armlock clássico de dentro da guarda. Porém, depois de ser pressionado e perder seu título para Rafael dos Anjos, parece que o destemor que o tornava especial esgotou-se. O Showtime acabou e seguiram-se quatro derrotas em cinco lutas, todas com desempenhos pífios.</p>
<p>No caso de Anderson Silva, o impacto do fim da invencibilidade é ainda mais evidente. O Spider é, na minha opinião, o lutador mais fantástico da história do MMA e soube, como ninguém no UFC, explorar a autoconfiança para potencializar seu talento, intimidar seus adversários e proporcionar grandes espetáculos ao público. Anderson baixava a guarda, expunha o rosto para que os oponentes tentassem acertá-lo e apresentava esquivas quase impossíveis. Arriscava porque acreditava piamente que não iria perder.</p>
<p>Contra Chris Weidman, essa rotina foi empregada em excesso e deu errado. Anderson foi nocauteado e perdeu o título que ostentou por quase sete anos. Isso não significa que tudo o que havia feito até então estava errado ou que sua carreira deveria acabar ali. Mas o que vimos daí em diante foi um lutador vacilante, conservador, temeroso. Nas lutas contra Nick Diaz e Michael Bisping, não tenho dúvidas de que o brasileiro tinha tudo para ganhar com direito a “couvert artístico”. Acontece que, sem a confiança necessaria, o que se sucedeu foram combates mornos nos quais Anderson parecia estar com o freio demão puxado.</p>
<p>Por pior que seja a situação de Pettis e Silva, sem dúvida o caso mais acintoso de não saber assimilar a derrota é o de Ronda Rousey. A ex-judoca olímpica foi a grande responsável pela popularização do MMA feminino e chegou a ser a maior estrela do UFC como um todo. Estava invicta e tinha um cartel inacreditável de 12 vitórias, todas por nocaute ou finalização, totalizando meros 25min36s de tempo na soma de todos os seus combates.</p>
<p>Tudo ia maravilhosamente bem até aquele chute. A canela esquerda de Holly Holm no UFC 193, em 2015, tirou muito mais do que o título de Ronda. A primeira derrota tirou toda sua estima, seu equilíbrio psicológico, sua própria identidade. Ronda simplesmente sumiu, engolida pela depressão e autocomiseração. Fugiu da imprensa, abandonou a academia, engordou. Toda aquela confiança que era vista como uma força mostrou-se uma grande fragilidade. Uma tênue máscara que escondia uma mulher instável, frágil, despreparada para lidar com as adversidades da vida.</p>
<p>A volta da ex-campeã no UFC 207 atraiu milhões de espectadores. Rousey estava novamente bela e em forma, aparentemente pronta para recuperar seu cinturão. Todavia, um olhar mais atento revelava que algo não estava certo.</p>
<p>Ronda não participou dos eventos normais de imprensa e promoção da luta. Recusou-se bizarramente a falar após a pesagem. Boatos diziam que ela havia chorado no vestiário após ver-se frente a frente com a soberana campeã Amanda Nunes. Na pesagem, a brasileira estava radiante ao entrar com uma intimidadora máscara de leoa. Já Ronda estava agitada e com um olhar receoso, sem o costumeiro brilho confiante. No momento em que o octógono se fechou no dia 30 de dezembro de 2016, ocorreu um massacre. A atual campeã avançou para cima de Ronda e desferiu 47 golpes para encerrar a luta em 48 segundos. Rousey foi um alvo fixo e não apresentou qualquer perigo à brasileira. Sua mente não estava lá. Ainda estava presa àquela derrota em novembro de 2015.</p>
<p>Estes tristes exemplos nos mostram que precisamos saber perder se quisermos de fato nos reerguer. O Jiu-Jitsu nos mostra que uma queda é só o começo do combate e que podemos perfeitamente vencer quando estamos por baixo.</p>
<p>Há vários aforismos da sabedoria oriental que pregam a aceitação e compreensão das derrotas como forma de crescimento. Mas, para não ser clichê, lembro os ensinamentos do mais icônico sábio da mitologia cinematográfica, o inesquecível mestre Yoda: “Treine para se desapegar de tudo o que você teme perder”.</p>The post <a href="https://www.graciemag.com/tunel-do-tempo-e-preciso-saber-perder-no-jiu-jitsu-e-no-mma/">Túnel do tempo: É preciso saber perder no Jiu-Jitsu e no MMA</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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