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	<title>Marcio Pé de Pano | Graciemag</title>
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	<description>The Original Brazilian Jiu-Jitsu Magazine — BJJ news</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Aug 2024 14:43:48 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marcio Pé de Pano | Graciemag</title>
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		<title>Como trabalha a mente de um competidor, por Saulo Ribeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graciemag Newsroom]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Aug 2024 14:27:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A espera pelas lutas, a análise dos adversários, o relato dos combates. O texto a seguir, produzido e editado para a GRACIEMAG #67, conta o Mundial de Jiu-Jitsu de 2002 na visão de Saulo Ribeiro, maior recordista em títulos até então, com seis medalhas de ouro e duas de prata acumuladas em sete anos de&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A espera pelas lutas, a análise dos adversários, o relato dos combates. O texto a seguir, produzido e editado para a GRACIEMAG #67, conta o Mundial de Jiu-Jitsu de 2002 na visão de Saulo Ribeiro, maior recordista em títulos até então, com seis medalhas de ouro e duas de prata acumuladas em sete anos de competição.</em></p>
<p>Aprenda com ele. E assine nossa <a href="http://www.graciemagshop.com.br" target="_blank" rel="noopener">revista digital para ler artigos como este. Oss!</a></p>
<p><em><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/Saulo-e-pai-site.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-7271 aligncenter" title="Saulo e pai site" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/Saulo-e-pai-site.jpg" alt="" width="480" height="312"></a><br />
</em></p>
<p>Todo dolorido. Foi assim que eu acordei no domingo, 28, último dia do sétimo Mundial de Jiu-Jitsu.</p>
<p>Peguei o meu kimono para ir para o Tijuca Tênis Clube pensando o seguinte: se hoje fosse um dia normal, a possibilidade de eu ir treinar era zero. Ia fazer um rango no restaurante Guaranamania, deitar e descansar. Tava na maior lombra.</p>
<p>Ao mesmo tempo, eu tinha de ir trabalhar, correr atrás do título que ainda não possuía, o de campeão absoluto. Fiz a minha parte ontem, venci três lutas e estou classificado para a final, mas não foi fácil.</p>
<p>Na verdade, depois da minha segunda luta, contra o [Roberto Corrêa] Gordo, sentei no chão ao lado do tatame muito puto. Fiz preparação física nos últimos meses, achava que estava numa forma ótima, mas no meio da luta eu tava morto.</p>
<p>Eu sabia que a minha luta com o “Careca” ia ser difícil, sempre é. Ao contrário da garotada nova que tem por aí, ele não erra, não dá esgrima e a gente se equivale tecnicamente. Mas quando eu abri vantagem no início, e quando ele me deu a perna direita e tomou um kouchi-gari, achei que a luta tava ganha. De repente, ele tinha trancado as pernas nos meus joelhos, e eu fui raspado. Puxei o ar e não veio nada, e me segurei para não transparecer meu desespero. Fechei a guarda e, antes do fim, quando fui para a minha raspagem, ele cresceu o olho no crucifixo, como sempre, e fiz mais dois pontos.</p>
<blockquote><p>Não adianta se preparar, você só sabe o que vai acontecer com o seu corpo ali dentro se você esteve ali antes&#8221; Saulo Ribeiro</p></blockquote>
<p>Tinha vencido, mas estava revoltado com o meu mau condicionamento. E fiquei me perguntando o porquê. Remoí isso durante o resto do dia, e só hoje de manhã achei a explicação: falta de ritmo de competição. No meu melhor ano, 98, eu lutava campeonato quase todos os finais de semana. De Jiu-Jitsu ou judô, pequeno ou grande, não queria saber. Desde 99, só tenho lutado o Mundial e o ADCC. É isso. Não adianta se preparar, você só sabe o que vai acontecer com o seu corpo ali dentro se você tiver estado ali antes. E quanto mais você competir, mais você vai conhecer o seu corpo.</p>
<p>Chegar no ginásio do Tijuca é sempre bom. Foi lá que, desde 96, venci cinco campeonatos mundiais. Claro que é problemático lembrar que ano passado – único ano em que fui derrotado –, nessa mesma hora, eu estava na mesma situação: tinha chegado à final do absoluto, mas ia tentar lutar o meio-pesado para ser campeão. A experiência tinha me ensinado que eu não podia cair no mesmo erro, partir para dentro dos caras do peso feito um louco e ficar no bagaço para as finais.</p>
<p>Até hoje ainda acho que eu não perdi o campeonato para o [Fernando Pontes] Margarida, durante a final. Eu perdi antes. Para o [Flávio Almeida] Cachorrinho, na semifinal. Apesar de ter vencido a luta, ele me matou. Que cara forte! Se ele não desse a esgrima, ia ser o cara mais difícil de ser vencido de todos. Eu não sei como ele perde para o Margarida, se ele é muito mais forte.</p>
<p><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/DSC_0076.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-7277 aligncenter" title="DSC_0076" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/DSC_0076-e1268508289939.jpg" alt="" width="312" height="480"></a></p>
<p>Esse ano, meu plano era outro: vencer o peso sem me cansar muito. E, na área de aquecimento, como tava de baia, ia poder ver todo mundo antes de eu lutar. O Erik [Wanderley] foi chamado. Era hora de olhar o inimigo contra um cara mais fraco. Ele certamente vai usar todas as suas armas mais fortes para acabar logo o serviço. No meio da luta, alguém chega e pergunta: “Vai de moto para casa?”. “Claro, trouxe até o capacete”, brinco, sem deixar claro que, na verdade, aquela Honda Biz de prêmio para o campeão era o que menos importava.</p>
<p>Continuo prestando atenção. Ele mete a mão direita por cima, é candidato a tomar um ipon-seoi. Tomou uma queda. É outro cara bom e forte, mas, por baixo, dá a esgrima. Eu sei que ele vai vencer, provavelmente chegar à final, então reparo mais. Em pé, outro trejeito. Ele finge que vai puxar para a guarda e coloca a perna direita na frente para atacar. Pode tomar um ouchi-gari. Essa vai ser a estratégia.</p>
<p>11:00. Já estou há quase uma hora esperando, e minha luta se aproxima. De repente, noto um movimento na entrada do ginásio. Corro os olhos à procura do motivo e me surpreendo. É o Rickson. Veio fazer uma visita surpresa. A responsabilidade aumentou. O homem vai ver se tenho feito direito o dever de casa. Acompanho o bicho e penso alto: “O cara é foda. Dá para sentir a sua energia”.</p>
<p>A presença de Rickson, Royler, Renzo no estádio e alguns erros que vejo os caras cometendo nas lutas me faz refletir no suporte que esses caras me deram, me poupando de muitos desses erros. A versatilidade do Royler, sempre apto a fazer qualquer tipo de jogo; por cima, por baixo, em pé, no chão. O Renzo, que mesmo quando morre no gás nas lutas, ninguém consegue fazer nada com ele, o que prova ainda mais a sua técnica. E o Rickson, que quando treina contigo parece que tem 200kg. Procuro aprender o que cada um deles tem de melhor, adaptar isso no meu jogo.</p>
<p>Volto a prestar atenção nas disputas. No ringue mais próximo, o da esquerda, [Ricardo] De la Riva vai lutar. É uma incógnita. Só dará para saber como ele vai se sair depois da primeira bufada. Voltar após nove anos é complicado. Depois de um [ano] já é foda. Uma torcida grande grita para ele. Maneiro o cara ter um carisma assim. Ele vence bem, e volta para a área de aquecimento. Vou cumprimentá-lo, e ele me parabeniza, aproveitando para elogiar o Royler. Dá para sentir que não é falsidade, esse cara é gente fina mesmo. Tem uma humildade muito grande. Mesmo se perder, continua sendo campeão.</p>
<p>Vejo a luta do Fábio Nascimento, o cara que vou enfrentar de primeira. Ele raspa o outro na meia-guarda. Ontem, na primeira luta do absoluto, ele me levantou assim. Mas eu pensei: “Me recuso a ir nessa”, e atochei o peso.</p>
<p>A minha hora não chega e por mais que queira me concentrar, fiquei mais é vendo as outras categorias, analisando os caras que estão aparecendo. Não sei porque, penso numa luta do Pé de Chumbo com o “Jaca”. Essa ia ser boa de ver. Os caras são muito preparados e fazem força sem cerimônia&#8230; No ringue que o De la Riva lutou, agora o [Marcelo] Pupo tava vencendo uma luta da categoria leve. Reparo como ele melhorou. Antigamente ele era fraco, mas agora, não perde posição, distribui o peso melhor. Pode surpreender e ser campeão.</p>
<blockquote><p>Ele me deu a esgrima já no início da luta. Pensei: &#8216;Assim ele facilita o trabalho da diretoria'&#8221;</p></blockquote>
<p>Fiz a minha primeira luta, e venci por pontos. Ele me deu a esgrima já no início da luta. Pensei: “Assim ele facilita o trabalho da diretoria”. Com esse erro, eu sabia que ia ser difícil perder. E venci. No meio da luta, ele fez uma pegadinha chata na minha perna, me prendeu na meia-guarda. Depois eu estudo isso melhor, penso. Vou lá cumprimentar meu pai, minha mulher, o pessoal que veio torcer por mim. Por mais que eu esteja focado na competição, tenho que dar uma atenção para quem tá sempre comigo.</p>
<p>Voltei então para a área de aquecimento, mas agora o tempo passava mais rápido. Quando Frédson e De la Riva se preparavam para lutar a semifinal do pena, eu já estava voltando para o outro lado, onde ia lutar a semifinal. Pensei na luta deles: meu coração está com o Frédson, que é de Manaus e da Gracie Barra, mas acredito na vitória do De la Riva. É mais técnico. E, nessa hora, se eu não acreditar mais na técnica, vou acreditar em quê?</p>
<p>Na espera para a semifinal, vejo o Pé de Pano – meu adversário na decisão do absoluto – chegando na área de luta. Com um tamanho desse, um peso desse e umas pernas dessas, não dá para pensar boa coisa. Ele vem falar comigo, porque a gente tinha meio que se comprometido de não lutar. Mas em um caso desses não tem jeito, e eu sei disso. É o título que os dois tão querendo, e qualquer pacto agora fica de lado. Os dois vão dar tudo, sem cerimônia.</p>
<p>Entro para lutar com o [Marcel] Louzado, do Godói. No início da luta, eu faço os dois pontos que vão me garantir a vitória, com uma ida para as costas em pé. Novamente, minha tática funciona. Eu tinha visto na luta anterior, contra o [mineiro Vinícius Antunes] Wallid, que ele entra de o-chi-gari. Deixei então minha perna direita na frente, de isca, e quando ele entrou, tirei a perna, agarrei na dele e fui para as costas. Ele tentou correr atrás, mas eu tava na final, e sabia disso. E a situação dele foi piorando no decorrer da luta.</p>
<p>Mal o juiz levanta o meu braço, uma surpresa de merda. Enquanto eu tava lutando, meu irmão tinha se machucado no ringue ao lado, e me avisaram. Chorando, ele era atendido pelos médicos e tava fora da briga.</p>
<p>Faltavam três horas para o início das finais. A única coisa que vinha na minha cabeça era o seguinte: comer ou não comer?</p>
<p><strong>Intermissão</strong><br />
17:00. Chegou a hora. Eles anunciam a ordem das finais. O absoluto primeiro. Pensei bem, coloquei a realidade na balança e pedi para trocar. Era arriscado demais. Posso cansar muito, perder para o Pé e fazer uma luta ruim no meio-pesado, perigando ficar sem os dois títulos. Lutando o meio-pesado primeiro eu teria mais chances de garantir ao menos um título. E podia ganhar mais confiança para a final do absoluto.</p>
<p>A luta contra o Erik foi dentro do previsto. Ele colocou a perna na frente, eu usei o ouchi-gari. Saí na frente, e era o que eu precisava. Lá para as tantas, ele me deu a esgrima. Cheguei na meia e consegui mais uma vantagem. Ele ainda tentou um ezequiel, mas eu sabia que não existia ângulo para apertar, já que eu tava jogando o meu peso para frente. Passei a guarda e garanti o título. Mas depois da força que eu fiz, deu até fraqueza pensar que ainda tinha o Pé de Pano.</p>
<p>Descansei enquanto rolaram as finais de todos os outros pesos. E entrei com uma tática definida na luta contra o Pé de Pano. O negócio era jogar por cima mesmo. Essa história de que ele não sabe passar [a guarda] é besteira, ele é pesado e passou a guarda de todo o mundo por aí. Eu ia obrigar o cara a mudar o tipo de guarda, jogar com os ganchos por dentro. Conseguir umas vantagens e quem sabe uma passagem e vencer. O plano foi indo bem, mas ele é tão longo que até a guarda de gancho me complicou, e eu acabei sendo raspado. Ainda dava para correr atrás, mas me descuidei e ele botou na [guarda] fechada. Foi quando eu senti o seu peso. Não dava para abrir de qualquer jeito, era capaz de ele cair montado. Tentei abrir sem ficar em pé, mas ele levantava o quadril e, com aquelas pernas longas, minha mão ia da canela para o joelho. Não tinha jeito, aquela era dele.</p>
<p>Após a premiação, enquanto dava uma entrevista, meu pai me jogou uma latinha da gelada. Era tudo que eu precisava, fazia um mês que não tomava uma cerveja. Mas a análise dos meus erros não saía da cabeça. E pensei em duas resoluções. Número um: tenho que competir tudo, Jiu-Jitsu e Judô, e estar em um ritmo bem melhor. Número dois: no fim das contas, disputar o meio-pesado novamente diminuiu minhas chances no absoluto. Ano que vem vou arriscar só o aberto. “Ano que vem”, eu pensei, e essa é a melhor parte: a vontade de estar aqui de novo. Isso eu ainda não perdi.</p>
<div id="attachment_7275" style="width: 322px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/Saulo-Napao-20021.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7275" class="size-full wp-image-7275" title="Saulo Napao 2002" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/03/Saulo-Napao-20021.jpg" alt="" width="312" height="480"></a><p id="caption-attachment-7275" class="wp-caption-text">Saulo Ribeiro por cima de Gabriel Napão. Fotos: Gustavo Aragão/GRACIEMAG</p></div>
<p><strong>O card de Saulo até 2002: 26-4<br />
</strong></p>
<p><strong>2002<br />
absoluto</strong><br />
Márcio Cruz (d)<br />
Gabriel Gonzaga (v)<br />
Roberto Corrêa (v)<br />
Fábio Nascimento (v)</p>
<p><strong>meio-pesado</strong><br />
Erik Wanderlei (v)<br />
Marcel Louzado (v)<br />
Fábio Nascimento (v)</p>
<p><strong>2001<br />
absoluto</strong><br />
Fernando Pontes (d)<br />
Márcio Cruz (vc)<br />
Leandro Borgo (v)<br />
Marcos Scheffer (v)</p>
<p><strong>meio-pesado</strong><br />
Fernando Pontes (d)<br />
Flávio Almeida (v)<br />
Murilo Rupp (v)<br />
Roger Coelho (v)</p>
<p><strong>2000<br />
super-pesado</strong><br />
Daniel Simões (v)<br />
Gabriel Gonzaga (v)<br />
Adílson Lima (v)<br />
Roberto Ferreira (v)</p>
<p><strong>1999<br />
meio-pesado</strong><br />
Roberto Magalhães (v)<br />
José Marcelo (v)<br />
Givanildo Santana (v)<br />
Marcelo Hertz (v)</p>
<p><strong>1998<br />
pesado</strong><br />
Fabio Gurgel (v)<br />
Murilo Bustamante (v)<br />
Anderson Xavier (v)</p>
<p><strong>1997<br />
médio</strong><br />
José Mario Sperry (d)<br />
Antônio Schembri (v)<br />
Rony Rústico (v)<br />
Guilherme Santos (v)</p>
<p><strong>1996</strong><br />
leve<br />
Marcio Feitosa (v)</p>
<p>*v – vitória; d – derrota; vc – vitória por contusão</p>The post <a href="https://www.graciemag.com/saulo-ribeiro-ensinou-as-dores-e-sufocos-de-ser-um-campeao-de-jiu-jitsu/">Como trabalha a mente de um competidor, por Saulo Ribeiro</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Buchecha, Preguiça, Jacaré: uma breve história dos apelidos no Jiu-Jitsu</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Sep 2023 09:02:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Exatos 130 anos antes de Conor McGregor nascer, um americano de sangue irlandês já sacudia o cenário de lutas nos EUA, e já era conhecido pelos fãs por um singelo apelido: “The Boston Strong Boy”. Eram tempos do pugilato de mãos nuas, sem luvas, em que um boxeador chegava a lutar 75 assaltos para&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<div id="attachment_156994" style="width: 1114px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-156994" class="wp-image-156994 size-full" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1.jpg" alt="" width="1104" height="696" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1.jpg 1104w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1-300x189.jpg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1-768x484.jpg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1-1024x646.jpg 1024w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/06/roleta99_2-1-150x95.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1104px) 100vw, 1104px" /><p id="caption-attachment-156994" class="wp-caption-text">Rodrigo Minotauro contra Roberto Roleta, durante o Mundial de 1998.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Exatos 130 anos antes de Conor McGregor nascer, um americano de sangue irlandês já sacudia o cenário de lutas nos EUA, e já era conhecido pelos fãs por um singelo apelido: “The Boston Strong Boy”.</p>
<p>Eram tempos do pugilato de mãos nuas, sem luvas, em que um boxeador chegava a lutar 75 assaltos para garantir um título mundial. Foi o que o peso pesado John L. Sullivan (1858–1918), o tal “garoto fortão de Boston”, precisou fazer em 1889 – numa época, aliás, que McGregor não era nome de craque, e sim de bola de futebol.</p>
<p>Como se vê, vem de longe a história dos apelidos nas artes marciais. Ao pesquisar as razões de tantos apelidos, tratamos de conversar com uma dezena de especialistas e jornalistas, e as respostas foram bem parecidas: “Não faço ideia”. O que nos animou, então, a investigar mais o tema, já que desistir é para os fracos.</p>
<p>Apelidos sempre foram um modo universal de demonstrar intimidade e carinho, em todas as línguas. Normalmente, encurtamos ou repetimos uma sílaba do nome para formar a alcunha, e assim um senador Robert é chamado de Bob nos EUA, um Roberto vira Bebeto no Brasil e, mesmo na peculiar língua alemã, um doutor Friedrich pode virar Fritz, para os companheiros de mesa.</p>
<p>As modalidades esportivas são recheadas de “nomes de guerra” marcantes, de “Minotauro” a “Maguila”, e aí entra um outro aspecto: o fator promocional. Aquele velho empresário de boxe já entendia que “Boston Strong Boy” vendia bem mais ingressos do que John L. Sullivan, assim como Conor McGregor tratou rapidamente de popularizar o apelido “Notorious” para faturar mais no UFC.</p>
<p>No Brasil, em especial nas academias de luta, a multiplicação de apelidos parece ter raízes um pouco diferentes: vão de um meio singelo de ajudar o mestre a identificar o aluno no meio da multidão até origens ligadas à capoeira, que cruzou seus caminhos com o Jiu-Jitsu nas primeiras lutas de vale-tudo.</p>
<div id="attachment_203608" style="width: 660px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-203608" class="wp-image-203608 size-large" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898-692x1024.jpg" alt="O peso pesado John Sullivan, o &quot;Boston Strong Boy&quot;, lutava sem luvas, mas já com um nome de guerra. " width="650" height="962" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898-692x1024.jpg 692w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898-203x300.jpg 203w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898-768x1137.jpg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898-101x150.jpg 101w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2017/08/John_L._Sullivan_1898.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /><p id="caption-attachment-203608" class="wp-caption-text">John Sullivan, o &#8220;Boston Strong Boy&#8221;, lutava sem luvas, mas já com seu nome de guerra.</p></div>
<p>O historiador Joel Rufino dos Santos, por exemplo, sugeria que a tradição brasileira de se colocar apelidos em atletas de futebol vinha provavelmente das rodas de capoeira. Na época em que a capoeiragem era vista como vadiagem, os praticantes usavam apelidos para esconder a verdadeira identidade dos bambas, que tinham outros empregos quando não estavam treinando. Daí a tradição que se mantém até hoje, de cada capoeirista ganhar um apelido ao se formar. Segundo Rufino, com a entrada do negro no mundo do futebol – quando muitos clubes de várzea surgiram de grupos de capoeiras – a profusão de apelidos ganhou os gramados.</p>
<p>Nas academias de Jiu-Jitsu, o tal &#8220;nome de guerra&#8221; também pode ter ajudado lutadores com vidas duplas. Caso do primeiro deles, o japonês Conde Koma. E também de campeões mundiais mais recentes, caso de Roberto Magalhães, por exemplo. Medalhista de ouro do primeiro Mundial de Jiu-Jitsu em 1996, Roberto era um respeitável engenheiro durante o dia; de noite, quando vestia o kimono, transmutava-se no popular &#8220;Roleta&#8221;.</p>
<p>Seja como for, a invenção de apelidos marcantes segue sendo um charme do boxe e do Jiu-Jitsu, e é útil tanto para valorizar a “marca”, casos de “Notorious” ou “Money”, ou para fazer graça, como nos casos de “Buchecha” ou “Pé de Pano”. Na maioria das vezes, contudo, é uma soma da autoconfiança com bom humor, como no caso da lenda Muhammad Ali, para quem apenas um nome não foi suficiente: ele teve dois (nasceu Cassius Clay). E, quando precisou de um apelido, criou ele mesmo um para si: “The Greatest”, o maior de todos. Pouca marra?</p>
<p>Um apelido criativo não é garantia de sucesso nas artes marciais, mas no Jiu-Jitsu até que costuma dar sorte. Se você duvida, vá perguntar a Preguiça, Pé de Pano, Cobrinha, Margarida, e Carcará; Comprido, Roleta, Cara de Sapato e Tererê; Buchecha e Jacaré. Eles talvez possam responder melhor.</p>
<div id="attachment_190416" style="width: 805px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-190416" class="wp-image-190416 size-full" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2016/06/Marcus-Buchecha-x-Felipe-Preguica-no-absoluto-Foto-Luca-Atalla-1.jpg" alt="Marcus Buchecha x Felipe Preguica no absoluto Foto Luca Atalla" width="795" height="597" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2016/06/Marcus-Buchecha-x-Felipe-Preguica-no-absoluto-Foto-Luca-Atalla-1.jpg 795w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2016/06/Marcus-Buchecha-x-Felipe-Preguica-no-absoluto-Foto-Luca-Atalla-1-300x225.jpg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2016/06/Marcus-Buchecha-x-Felipe-Preguica-no-absoluto-Foto-Luca-Atalla-1-768x577.jpg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2016/06/Marcus-Buchecha-x-Felipe-Preguica-no-absoluto-Foto-Luca-Atalla-1-150x113.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 795px) 100vw, 795px" /><p id="caption-attachment-190416" class="wp-caption-text">Buchecha x Preguiça no absoluto do Mundial 2016: batalha dos apelidos e um clássico do Jiu-Jitsu. Foto: Luca Atalla/GALLERR</p></div>The post <a href="https://www.graciemag.com/money-notorious-buchecha-uma-breve-historia-dos-apelidos-nas-artes-marciais-e-no-jiu-jitsu/">Buchecha, Preguiça, Jacaré: uma breve história dos apelidos no Jiu-Jitsu</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Do baú: o que Xande Ribeiro aprendeu com Bruce Lee</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graciemag Newsroom]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jun 2022 16:16:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ao abrir o baú GRACIEMAG nos deparamos com a edição #223, na qual o ídolo dos Mundiais Xande Ribeiro dividiu sua vasta experiência com nossa equipe. Entre os tópicos da entrevista, o vitorioso professor detalhou a arte de &#8220;roubar a essência&#8221; dos adversários, e ainda revelou o que aprendeu ao ler os escritos de um&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_160282" style="width: 730px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-160282" class="size-full wp-image-160282 " src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2014/07/xande.jpg" alt="Saulo Ribeiro treinando com o irmão Xande durante ensaio fotográfico. Foto: Divulgação" width="720" height="528" /><p id="caption-attachment-160282" class="wp-caption-text">Xande com o irmão Saulo durante ensaio: &#8220;O Jiu-Jitsu é a arte mais honesta e pura que existe, é a arte de se expressar com o corpo e o espírito&#8221;. Foto: Divulgação</p></div>
<p>Ao abrir o baú GRACIEMAG nos deparamos com a edição #223, na qual o ídolo dos Mundiais Xande Ribeiro dividiu sua vasta experiência com nossa equipe.</p>
<p>Entre os tópicos da entrevista, o vitorioso professor detalhou a arte de &#8220;roubar a essência&#8221; dos adversários, e ainda revelou o que aprendeu ao ler os escritos de um dos artistas marciais mais famosos de todos os tempos, o ator e lutador Bruce Lee.</p>
<p>Visto nos anos 1970 pela comunidade do Jiu-Jitsu apenas como um ator dono de movimentos plásticos, Lee com o tempo foi ganhando respeito como pensador das artes marciais e um lutador de mente aberta – praticava inclusive a luta de chão, anos antes de o Jiu-Jitsu ganhar fama por todo o planeta.</p>
<p>Xande, também dono de uma cabeça aberta, mergulhou nos ensinamentos de Bruce Lee e contou o que aprendeu. Relembre trechos da entrevista de Xande, a seguir.</p>
<p><strong>GRACIEMAG: Você teve a dura e deliciosa tarefa de enfrentar alguns dos lutadores mais talentosos da história, de Pé de Pano a Marcelinho Garcia, de Jacaré a Roger. O que aprendeu com eles?</strong></p>
<p><em>XANDE RIBEIRO:</em> Toda vez que enfrento alguém, costumo dizer que roubo um pouco da essência de cada um. O Jiu-Jitsu é a arte mais honesta e pura que existe, é a arte de se expressar com o corpo e o espírito, e no momento da luta, cada ser humano ascende ao nível mais elevado do ser, onde não existe o pensar, simplesmente o fluir. Com isso, nosso corpo, espírito e mente sempre absorvem algo de cada um. Hoje sou o lutador que sou simplesmente por ter vivido e sentido todas essas experiências. As pernas pesadas de Pé de Pano, a velocidade e técnica do Marcelinho, a explosão e pressão do Jaca e o desconforto que a técnica do Roger nos impõe, tudo isso são aspectos técnicos que me obrigaram a me adaptar e evoluir. Mas o que fica, realmente, é a satisfação de ter batalhado com esses grandes guerreiros da arte suave e ter histórias para contar às gerações por vir.</p>
<p><strong>GRACIEMAG: Você recentemente mergulhou na obra e ensinamentos de Bruce Lee, em visita a academias e velhos amigos do astro de Hollywood. Que lições extraiu dessa visita?</strong></p>
<p><em>XANDE RIBEIRO</em>: Quando me mudei para os Estados Unidos, fui morar em Ohio com o Chris Blanke, nosso primeiro faixa-preta americano. O cara se tornou um pai para mim. Até então, eu só conhecia Bruce Lee dos filmes e sempre somos um pouco céticos em relação a artes marciais exibidas no cinema. Foi quando aprendi que o Chris era faixa-preta de uma modalidade chamada wing chu do gung fu, um discípulo do James DeMille, um mestre da primeira turma do Bruce e amigo pessoal do ator. Eu me interessei em aprender mais sobre sua vida. Certa noite, encontrei no porão da casa dele diversas anotações do DeMille e também cópias de escritas do próprio punho do Bruce Lee. Passei horas lendo tudo e aprendi que ele estava realmente muito à frente de seu tempo. O conhecimento dos aspectos físico, psicológico, emocional e de meditação aliado às técnicas era sensacional. E, naquele instante, aprendi a separar o Bruce dos filmes e o Bruce artista marcial. O Chris me ensinou um pouco das técnicas e algumas delas eu descobri que até já usava no Jiu-Jitsu, mas sem supor que eram de fundamentos tão similares. Recentemente, DeMille juntou seus alunos originais para um último seminário em Seattle, e fui convidado e tive o enorme prazer de aprender com ele. Não só teecnicas e ensinamentos, como também muitas histórias do Bruce Lee. As bases e teorias do Bruce Lee são totalmente aplicáveis ao jogo de solo e ao Jiu-Jitsu como um todo, como fundamentos de energia, alavanca, geração de força, bloqueio, fluência – todas ideias que na verdade ajudaram ainda mais a entender meu jogo e meu Jiu-Jitsu. Essa experiência me ajudou ainda mais como professor, pessoa e lutador.</p>
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