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	<title>Fedor Emelianenko | Graciemag</title>
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	<description>The Original Brazilian Jiu-Jitsu Magazine — BJJ news</description>
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		<title>Do baú: o Jiu-Jitsu e a guarda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graciemag Newsroom]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 11:13:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Antes das finalizações consagradoras de Fabricio Werdum (sobre o poderoso Fedor) e de Anderson Silva (sobre o "poderosão" Sonnen), sua revista mais completa sobre Jiu-Jitsu já reforçava a importância da guarda. Confira, estude e aprenda!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em fevereiro de 2009, GRACIEMAG publicou uma reportagem de capa sobre a história e os mistérios da arte de fazer guarda, destrinchando os aspectos mais importantes desta posição essencial do Jiu-Jitsu. Confira, reveja e assine logo sua GRACIEMAG para mais reportagens como essa, capazes de levar seu Jiu-Jitsu, e sua leitura, a um outro patamar.<br />
</em></p>
<div id="attachment_17374" style="width: 590px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/08/Rilion-senta1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17374" class="size-full wp-image-17374 " title="Rilion Gracie faz guarda durante o treino" alt="Rilion Gracie faz guarda durante o treino" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/08/Rilion-senta1.jpg" width="580" height="386" /></a><p id="caption-attachment-17374" class="wp-caption-text">Rilion ensinando guarda aos alunos em Miami. Foto: Ray Santana.</p></div>
<p>Sim, você nem lembra, mas já nasceu fazendo guardinha. Se parou de treinar por uns tempos o vacilo foi seu. Afinal, a posição, eterna salva-vidas dos lutadores de Jiu-Jitsu nos ringues, já estava consagrada há tempos. Anos. Séculos.</p>
<p>Quem olhar a obra-prima “Riña en el Mesón del Gallo”, tela de um dos melhores pintores de todos os tempos, se não o melhor, Francisco Goya, pode observar a seguinte cena: uma briga de bar, espanhóis dando pauladas para todos os lados. No centro da tela, um cara em posição superior parece&#8230; estar passando a guarda! Bem, deve-se ter um pouco de imaginação para ver isso.</p>
<p>Mas a criatividade esteve sempre ligada à guarda. Num livro obscuro, encontrado nas prateleiras do estudioso Márcio Feitosa, professor da Gracie Barra, pode-se ler uma teoria de que pigmeus africanos já valorizavam, no combate corpo-a-corpo, a técnica de manter as pernas entre o feroz agressor e o seu nariz. Espernear, portanto, sempre foi a salvação.</p>
<div id="attachment_17375" style="width: 590px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/08/Goya-site4.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17375" class="size-full wp-image-17375" title="Goya site" alt="" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/08/Goya-site4.jpg" width="580" height="362" /></a><p id="caption-attachment-17375" class="wp-caption-text">O quadro de Goya, pintado em 1777, está hoje no Museu do Prado, em Madri.</p></div>
<p>Foi o Jiu-Jitsu brasileiro, no entanto, que melhor explorou e valorizou a guarda, como a arte de se defender no chão e equalizar os pesos do agressor e do agredido. Mais do que o judô, sambo ou qualquer outra.</p>
<p>Mas, e os japoneses? Não foram eles que criaram a técnica? Não existem escolas até hoje que priorizam a parte de grappling no judô, parte esta chamada por eles de newaza? Sim, é verdade. Perguntemos, então, a um especialista como o carioca Flávio Canto, o chão mais ofensivo do judô mundial, como ele vê a questão.</p>
<p>“Acho o Jiu-Jitsu brasileiro excepcional. Sua grande contribuição para o newaza mundial, e para o jogo de guarda, foi aliar uma quantidade tão grande de praticantes com a criatividade do brasileiro. Daí surgiu toda a gama de posições e situações inéditas, consagradas hoje”, diz o medalhista olímpico em Atenas-2004. “Guarda-aranha, por exemplo, eu nunca vi antes em lugar nenhum, é coisa do Jiu-Jitsu brasileiro. Outro aspecto positivo da arte é cair fazendo guarda e virando-se sempre de frente para o adversário, afinal ninguém tem olho na nuca. É este reflexo que falta a muitos judocas e wrestlers.”<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>De pedra em pedra, a muralha</strong></p>
<p>Quando aportou no Brasil no início do século XX, o japonês Conde Koma não trouxe apenas um eficaz jogo de pernas, aprendido com afinco pelo jovem Carlos Gracie. Passou também lições orientais de disciplina, saúde e honra que permeariam a história da família para sempre. Buscando espalhar a arte que lhe dava tantos benefícios, Carlos começou a fazer história – e a escrever também a história da guarda. “Ele foi o primeiro ocidental a superar um campeão oriental, em 1924, numa época em que os japoneses achavam os ocidentais uns degenerados”, lembra o filho Rilion Gracie, considerado a melhor guarda da família. Foi contra Geo Omori, quando o grande mestre puxou para a guarda e aplicou um tomoe-nage, o popular “balão”, e caiu montado. O Gracie então estalou o braço do valente japonês, que mandou a luta seguir com as veias saltadas.</p>
<p>Mais tarde, em 1951, quando o irmão Helio Gracie fechou a guarda e, com seus pulsos (fortes até hoje), pôs o exímio judoca Jukio Kato para dormir, num estrangulamento de gola, a arte da guarda estava consagrada. E pronta para continuar sendo desenvolvida, graças à criatividade e suor de outros Gracies, Barretos, Hemetérios, Machados, Vigios, Alves, Virgílios, Gomes, Behrings, Duartes, Penhas, Jucás, Castello Brancos, Góes, Vieiras, Santos e Silvas. E até um Stambowsky. Cada novo fiel adepto da guarda ia dando sua contribuição, depositando uma pedra aqui, cimentando ali, e ajudando a erguer a reputação da guarda como essência do Jiu-Jitsu.</p>
<p>A metáfora de construção, na verdade, não é gratuita. Para Carlos Gracie Jr., a posição de guarda é como a fortaleza que dá segurança ao lutador. Você não perde necessariamente a guerra se não tem uma muralha sólida, mas que ajuda, ajuda. Inclusive para, do alto dela, postar seu arsenal ofensivo: “A guarda é a fortaleza do lutador de Jiu-Jitsu. Você escolhe se prefere lutar com ela aberta ou fechada”, ensina.</p>
<p>“Numa guerra, o mais inteligente é o quê?&#8221;, indaga Carlinhos. &#8220;Começar a guerra de portões fechados. Na guarda fechada, você está guerreando com o inimigo fora dos seus muros. Se o cara abre sua guarda, ele derruba sua porta levadiça. É a posição limítrofe, que obviamente exige nova estratégia. Se ele invadir, ou seja, passar sua guarda e chegar do lado, a batalha começa a se desenrolar dentro dos seus domínios, com você muito mais exposto. Complicou, vai exigir o triplo de força para você se defender, mas não quer dizer que não haja saída.”</p>
<p><iframe title="Helio Gracie vs Kato" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/HMAu0A-vQm8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>O escudo vira arma</strong></p>
<p>No Rio dos anos 1950, o Jiu-Jitsu já era famoso por dar a qualquer magrinho a chance de ser sua própria fortaleza. Foi, então, a vez de Carlson Gracie dar sua contribuição à guarda – primeiro em seus tempos de lutador, depois com seus alunos. Competitivo ao extremo, Carlson começou a especializar seus alunos, para ganhar os campeonatos. Era quando bradava: “Ou és guardeiro, ou és passador”. Se o leitor perguntar quem foram seus melhores pupilos, quatro bons guardeiros estarão certamente na lista: Cássio Cardoso, Ricardo de la Riva, Sergio Bolão e Murilo Bustamante.</p>
<p>“Há o mito de que o Carlson só treinava passadores de guarda. Mas além do De la Riva, ele tinha outro aluno, Marcelo Duque Estrada, o Homem-Polvo, hoje juiz, que tinha uma guarda incrivelmente elástica”, comenta o mestre faixa-coral Redley Vigio. “Cássio Cardoso, por exemplo, era completo. Mas a guarda dele de fato marcou: todo estudante de Jiu-Jitsu devia assistir à sua luta de uma hora de duração contra Marcelo Behring, em 1988. Marcelo também tinha uma senhora guarda, e o final é sensacional. Está toda no Youtube.”</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Cassio Cardoso vs Marcelo Behring - Parte 01" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/sy-hSzyEoFU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Grandes para a época, com cerca de 76kg, Cássio tinha no aluno de Rickson Gracie seu maior rival, e a luta de uma hora foi o tira-teima entre os dois, realizado na Lagoa, na casa de shows Jardim Babilônia, ex-Roxy Roller. “Carlson me disse para puxar para a guarda e cansá-lo. Usei até uma raspagem que aprendi com Marcio Macarrão, mas na época não valia ponto. No fim, passei a guarda três vezes e ele passou uma, 6 a 2, na pontuação da época. Hoje, seria algo como 21 a 5”, comenta Cássio, de 46 anos.</p>
<p>Até 1994, não bastava o lutador de baixo inverter a luta e cair por cima para ganhar os pontos de raspagem – tinha de fazê-lo usando apenas golpes reconhecidos, como o tomoe-nage, ou o pé na virilha, ou a tesoura clássica, entre outros poucos. Com a reforma de regras, proposta pela recém-inaugurada Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, bastava aos guardeiros passar a ficar por cima para faturar dois pontos. Eles agora estavam prestigiados. E prontos para surpreender.</p>
<p>“A guarda, que até 1994 era mais um escudo, passou a ser a arma que podia decidir a luta. Lembro de ter visto na academia, em 1987, Renzo Gracie fazer guarda-aranha pela primeira vez. Como ele era um cara com muitos recursos, usava pouco nas competições. Eu, magrinho, adorei a invenção e surpreendi muita gente”, lembra Vinicius Magalhães, o Draculino, de 37 anos. O show dos guardeiros começava. No mesmo ano, com o gancho de fora enrolado pelo seu pé largo e mole, Ricardo de la Riva conseguiu parar o ímpeto do praticamente imbatível Royler Gracie, e ganhou uma guarda com seu nome.</p>
<p>Com um “joelho morto”, como lembra, Roberto “Gordo” Corrêa foi obrigado a improvisar e também deixou sua marca na arte. “A meia-guarda, que até então podia ser considerada uma posição favorável ao atleta de cima, quase tão boa para atacar como do cem-quilos, é hoje uma posição perfeita para o cara de baixo contra-atacar. Não tem jeito, o Jiu-Jitsu segue em franca evolução”, observa Carlinhos Gracie.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Rilion Gracie now teaching in Miami Florida" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/dHLdu6iF64Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>Perna dura? Ok, você ainda pode ser um ótimo guardião</strong></p>
<p>Difícil falar na evolução da posição sem citar dois outros foras-de-série. Roberto “Roleta” Magalhães, o engenheiro das raspagens, influenciou uma geração com golpes novos, armadilhas improváveis que superaram, nos Mundiais, craques de diversas gerações – de Wallid Ismail (1996) a Zé Mario Sperry (1998), de Amaury Bitetti (1999) a Fernando Margarida (2000). Não à toa, os três donos das guardas mais admiradas da atualidade – Rubens Cobrinha, Bráulio Estima e Roger Gracie – consideram a ele, Roleta, o melhor que já viram lutar. Outro exímio guardeiro, com finalizações surreais, foi Antonio “Nino” Schembri, que também deu novo ritmo ao Jiu-Jitsu ofensivo – no caso, o rock de seu ídolo Elvis Presley.</p>
<p>Alongados, de pernas fortes e flexíveis, os dois ases da Gracie Barra ajudaram a solidificar o mito de que guarda eficiente é guarda elástica, quase mágica. Não necessariamente. Árbitro da batalha entre Roleta e Wallid, no Mundial 1996, o policial Sergio Ignácio cansou de treinar com as melhores guardas da Gracie Barra. Passador dos bons, forte, adepto daquele jogo de amassar, viu-se num dilema na faixa-marrom: “Ou eu aprendia a fazer guarda, ou Carlinhos não me graduaria faixa-preta. Foi quando expus meu problema para Renzo, e ele me deu o pulo do gato que acabaria com meu temor de fazer guarda: a boa reposição não exige elasticidade, abertura de pernas – basta você não deixar o cara passar da linha do seu joelho. Essa lição facilita muito para repor”.</p>
<p>A partir daí, seu jogo de guarda pode ganhar asas. Como o “Carcará” Bráulio Estima revela: “Quando eu ataco, faço de trás para a frente. Primeiro, bloqueio a defesa do adversário para o meu ataque, e só depois busco o golpe fatal. São ajustes mínimos. A primeira coisa a fazer é quebrar a postura do adversário. Aí trabalho e tento anular sua defesa, antes mesmo de atacar. Assim, se eu ataco um triângulo mas o cara defende, acaba sobrando um braço. Hoje, o bom guardeiro não é aquele que defende a melhor passagem do adversário, e sim aquele que não deixa o adversário começar a aplicar sua melhor passagem. Não se pode deixá-lo desenvolver seu melhor jogo. É o famoso ‘passo à frente’”.</p>
<p>Para você chegar a um estágio avançado, porém, jamais se esqueça de construir uma base sólida, para sua muralha não ruir: “Quem quer ter uma boa guarda deve aprender e treinar todas as etapas da guarda”, diz Fabio Gurgel, líder da Alliance. “Primeiro fechada, com o adversário de joelhos; depois com o mesmo em pé; depois a guarda clássica com pé na virilha e suas variações. Insista no básico, que depois seu biótipo e seu tipo de jogo vão certamente definir o que é ideal para você.” Pronto, agora você está pronto para espernear – desta vez, com toda a classe.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="O treino de Paulo Miyao para aquecer a guarda no Jiu-Jitsu" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/dSMdod38Nh4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>The post <a href="https://www.graciemag.com/o-jiu-jitsu-brasileiro-e-a-guarda/">Do baú: o Jiu-Jitsu e a guarda</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Os melhores de todos os tempos no MMA? Confira a lista</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2021 17:16:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quer arrumar confusão entre seus familiares e amigos mais chegados, sem falar de política? Vai aí uma sugestão infalível. Reúna todos em volta de uma inofensiva mesa de bar, ou de uma casa de sucos, e pense num tópico apreciado por todos – pode ser MMA, futebol, automobilismo, cinema, música ou cuspe à distância. Em&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_143896" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-143896" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2015/12/0503-1.jpg" alt="" width="640" height="427" class="size-full wp-image-143896" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2015/12/0503-1.jpg 640w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2015/12/0503-1-300x200.jpg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2015/12/0503-1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /><p id="caption-attachment-143896" class="wp-caption-text">Fedor vs. Zuluzinho at Pride Shockwave 2005. Photo: Susumu Nagao/GRACIEMAG</p></div>
<p>Quer arrumar confusão entre seus familiares e amigos mais chegados, sem falar de política? Vai aí uma sugestão infalível. Reúna todos em volta de uma inofensiva mesa de bar, ou de uma casa de sucos, e pense num tópico apreciado por todos – pode ser MMA, futebol, automobilismo, cinema, música ou cuspe à distância. Em seguida, introduza o assunto: quem é o melhor de todos os tempos? Pronto. O furdunço está armado.</p>
<p>Tal tipo de discussão é marcado pelo subjetivismo e, seja qual for o tema, dificilmente haverá consenso. Pelé, Maradona ou Messi? Bill Russell, Michael Jordan ou LeBron James? Fellini, Kubric ou Tarantino? Jimi Hendrix, Jimmy Page ou Eric Clapton? Tudo vai sempre depender do critério e do gosto de quem escolhe. Os fãs mais clássicos hão de defender o legado dos que fizeram história no passado e assim foram consagrados; vão falar da dificuldade em ser original e pavimentar o caminho para as novas gerações. Sequer vão se mostrar abertos a discutir as realizações de novos expoentes, minimizando-as diante da importância dos feitos de seus ídolos. Para estes, Pelé será sempre o Rei, independentemente do que aconteça nos próximos 2 mil anos de futebol.</p>
<p>Os mais novos e impressionáveis costumam votar em seus contemporâneos. Exaltam a superioridade física, técnica ou tecnológica atual e são capazes de desprezar o contexto histórico em que os antigos ícones atuavam. Para estes, Pelé não teria velocidade e preparo físico para competir com o ritmo do futebol atual e ficaria à sombra do argentino Messi se jogassem no mesmo time.</p>
<p>Há, ainda, os que foquem em números absolutos para defender seu ponto de vista. Apegando-se a critérios puramente objetivos, fica difícil questionar Michael Schumacher e seus sete títulos mundiais de automobilismo, ainda que os oponentes do alemão fossem inferiores ao nível de competição que enfrentavam Senna, Prost, Mansell e Piquet.</p>
<p>Outros, por fim, ainda vão se concentrar na beleza ou no grau de dificuldade das conquistas. Para estes, o elemento qualitativo (difícil de definir) superaria o raso quantitativo. Vale muito mais o trabalho imortal de Alfred Hitchcock do que os dois Oscar de melhor diretor de Alejandro González Iñárritu.</p>
<p>Percebeu o nível da dificuldade, caro leitor? Por isso evito cair nessa pilha de apontar o melhor de todos, como a mídia apressou-se a fazer novamente após o UFC 214, quando Jon Jones sobrou contra Dan Cormier, com um lindo nocaute. O feito deu-se no fim de julho. Em agosto, surgiu a notícia de que Jon Jones lutara dopado, e os analistas se recolheram, assobiando. Quem estava certo, contudo, era o grande estudioso Albert Einstein, que provou que tudo é relativo. De fato, não dá para falarmos em melhor lutador da história do esporte sem, ao menos, ponderarmos as virtudes e defeitos dos principais mitos da modalidade. E aí sim poderemos aprender com eles, a quem eu chamo de “Os quatro grandes”. Ei-los, a seguir.</p>
<p><strong>Fedor, o imperador combalido</strong></p>
<p>O russo Fedor Emelianenko, conhecido como “O Último Imperador”, foi o maior campeão do Pride Fighting Championship e é o atleta mais dominante da categoria peso pesado da história do MMA. Numa divisão de peso onde até um golpe de raspão é capaz de abrir rombo em parede, é um feito homérico permanecer invicto durante mais de nove anos. Se formos falar em números, Emelianenko venceu 27 lutas durante este período (mais lutas do que Jon Jones tem em sua carreira, por sinal).</p>
<p>Se formos avaliar a magnitude dos combates, precisamos considerar que Fedor é pequeno e gordinho se comparado aos gigantes que abateu. Estamos falando de uma época em que os anabolizantes eram consumidos sem qualquer controle, tornando os pneus proeminentes do russo uma verdadeira medalha de valor. Emelianenko encarou e superou todas as ameaças que ousaram atravessar seu caminho: os chutes mortais de Mirko “Cro Cop” Filipovic, o então invencível Jiu-Jitsu de Rodrigo “Minotauro”, o suplê inacreditável de Kevin Randleman e o ground and pound do campeão do Pride GP Mark Coleman, entre outros riscos. E ainda mostrou queixo e coração, no duelo em que recuperou-se após quase ser nocauteado em pé pelo japonês Fujita.</p>
<p>Em seu desfavor, contudo, pesam o fato de não ter lutado no UFC e não ter avaliado quando encerrar a carreira. No início dos anos 2000, os desafios no Pride eram superiores aos da organização americana. Todavia, com o fim do evento japonês, muitos acreditam que Fedor deveria ter se provado e conquistado o cinturão do UFC para se garantir indiscutivelmente como o melhor da história. Essa impressão só piorou quando, em 2010, Fabricio Werdum tirou a invencibilidade do Imperador com aquela chave de braço do triângulo que chocou o planeta – sua primeira derrota desde 2000.</p>
<p>Seguiu-se então uma sequência de derrotas pungente, para o limitado Antonio “Pezão” e para o bem menor Dan Henderson; um punhado de vitórias sem brilho, contra oponentes como Fábio Maldonado, e por fim o nocaute sofrido em pouco mais de um minuto contra o simplório Matt Mitrione. O crepúsculo da carreira de Fedor tende a manchar seu legado e cada derrota desnecessária o coloca um passo mais longe do trono, na visão de seus detratores.</p>
<div id="attachment_95406" style="width: 695px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-95406" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2013/08/Screen-shot-2013-08-20-at-10.09.11-AM-1.png" alt="" width="685" height="455" class="size-full wp-image-95406" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2013/08/Screen-shot-2013-08-20-at-10.09.11-AM-1.png 685w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2013/08/Screen-shot-2013-08-20-at-10.09.11-AM-1-300x199.png 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2013/08/Screen-shot-2013-08-20-at-10.09.11-AM-1-150x100.png 150w" sizes="auto, (max-width: 685px) 100vw, 685px" /><p id="caption-attachment-95406" class="wp-caption-text">O chute mais famoso de Anderson Silva, no UFC 126. Foto: James Law</p></div>
<p><strong>Anderson, o gênio dançarino</strong></p>
<p>Se o critério for beleza e ineditismo dos feitos, Anderson Silva é de fato o maioral. O brasileiro é o mais inventivo gênio a calçar as luvas de duas onças. Fintas e esquivas cinematográficas, socos e chutes precisos, movimentos arriscadíssimos e impensáveis. Anderson trouxe tudo isso ao octógono como jamais foi feito. Um verdadeiro artista, o Da Vinci da pancadaria.</p>
<p>Além de ainda ser o lutador com maior número de vitórias consecutivas (16) e o campeão com o maior número de defesas de cinturão consecutivas (11) no UFC, Anderson não se contentava em apenas vencer. Ele verdadeiramente dava espetáculo. Cada vez que o “Aranha” baixava os braços e se esquivava dos socos inimigos, o coração do público disparava. Quando contragolpeava com precisão e vencia, os espectadores deliravam. E ainda por cima, 14 de suas 17 vitórias no UFC foram por nocaute ou finalização, estabelecendo mais um recorde que permanece. Ele dava aos fãs o que eles queriam e os surpreendia com algo que nem sabiam que queriam. Momentos como o chute frontal contra Vitor Belfort e as esquivas contra Forrest Griffin serão eternamente contados em prosa e verso nas antologias do esporte.</p>
<p>Muito do que gera argumentos para não tê-lo como o maior atleta de todos os tempos advém do jeito difícil e egocêntrico com que Anderson se portou, especialmente no auge de sua carreira. Com o tempo, Silva passou a escolher demais seus oponentes, criar dificuldades para fechar contratos, atuar de maneira excessivamente desdenhosa, lutar parecendo estar desmotivado. Nas vitórias contra Patrick Coté, Thales Leites, Demian Maia e Nick Diaz, Anderson parecia estar deliberadamente com o freio de mão puxado, a ponto de exasperar o público e a organização do evento. Na derrota para Chris Weidman, o brasileiro exagerou na autoconfiança e nas provocações, a ponto de errar em sua especialidade e ser nocauteado. A confiança o engrandecera e a soberba o derrubara.</p>
<p>Outra crítica recorrente é acerca da fragilidade de seu jogo de wrestling. Anderson era excepcional em manter a distância de seus oponentes usando esquivas e sua envergadura. Mas não se pode dizer que tinha um jogo completo em todos os aspectos do MMA, sofrendo grandes dificuldades para se defender e levantar das quedas aplicadas pelos bons wrestlers que enfrentou (casos de Henderson, Sonnen e Cormier). Estariam os críticos se excedendo ao exigir perfeição de um lutador que já era sobrenatural em seus pontos fortes?</p>
<div id="attachment_148672" style="width: 410px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-148672" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2011/04/georges-st-pierre-1.jpg" alt="" width="400" height="267" class="size-full wp-image-148672" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2011/04/georges-st-pierre-1.jpg 400w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2011/04/georges-st-pierre-1-300x200.jpg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2011/04/georges-st-pierre-1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><p id="caption-attachment-148672" class="wp-caption-text">Georges st-Pierre em foto de Josh Hedges.</p></div>
<p><strong>GSP, o completo estrategista</strong></p>
<p>Se o melhor lutador do mundo for aquele com o jogo mais completo e equilibrado em todos os aspectos do MMA, teríamos de coroar Georges St-Pierre. Aprimorando-se visivelmente durante o decorrer de sua carreira, o peso meio-médio canadense alcançou um patamar em que não se via falhas no seu jogo.</p>
<p>Tal polivalência permitiu que Georges se tornasse o supremo estrategista do esporte. Se o oponente era um wrestler, St-Pierre mantinha a luta em pé e jabeava intensamente. Se o oponente era um striker, ele encurtava a distância, derrubava e anulava o pobre desafiante. Com isso, conseguiu a impressionante marca de 19 vitórias no UFC (ele é o segundo em quantidade de vitórias na organização). Tudo muito planejado, quase matemático. GSP vingou com autoridade as únicas duas derrotas que sofreu (para Matt Hughes e Matt Serra) e venceu os maiores nomes da categoria meio-médio, incluindo lendas como Hughes e BJ Penn (em seu auge).</p>
<p>Apesar de tudo isso, já vinha sendo notada em St-Pierre uma falta de gana em assumir riscos em nome do espetáculo. Desde a vitória contra BJ Penn em 2007, suas lutas estavam cada vez mais metódicas e monótonas. Esse estilo burocrático afastou alguns fãs e a falta de gana quase lhe custou a vitória contra Jonny Hendricks. Como dizia o poeta, que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental. Para seus críticos, as lutas feias e pragmáticas impedem que o faixa-preta canadense use a coroa com a realeza que o posto exige.</p>
<div id="attachment_221233" style="width: 660px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-221233" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003-1024x759.jpg" alt="" width="650" height="482" class="size-large wp-image-221233" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003-1024x759.jpg 1024w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003-300x223.jpg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003-768x570.jpg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003-150x111.jpg 150w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/02/IMG-20200209-WA0003.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px" /><p id="caption-attachment-221233" class="wp-caption-text">Jon Jones com o cinturão meio-pesado do UFC. Foto: Reprodução/Instagram</p></div>
<p><strong>Jones, o destruidor autodestrutivo</strong></p>
<p>E enfim chegamos a ele, o craque invicto que bem poderia ser o favorito absoluto ao título de soberano do MMA. Jon “Bones” Jones é, apesar de tudo, o campeão mais jovem e assustador da história do UFC. Jones parece não ser humano, mas algo construído para ser o lutador perfeito: alto, forte, veloz, dono de reflexos impecáveis e da maior envergadura do UFC; e além de tudo pronto para disparar socos e chutes eficientes, um excelente wrestling, finalizações justas e um QI de luta elevado.</p>
<p>No Octagon, Jones não se afoba, não se assusta, não se arrisca desnecessariamente e, salvo raras oportunidades, jamais foi verdadeiramente ameaçado pelos seus adversários. OK, isso ficou parecendo a descrição do Chuck Norris, mas é verdade. Ele realmente “limpou” a categoria meio-pesado do UFC, transformando-a de uma das mais disputadas no esporte para uma terra arrasada onde poucos se arriscam.</p>
<p>Perto de completar dez anos como profissional, Jones conta uma única “derrota” em sua carreira, na verdade uma desclassificação por golpe ilegal contra Matt Hamill. Portanto, podemos dizer que Jones jamais foi vencido por outro atleta. De fato, o grande inimigo de Jon Jones é ele mesmo.</p>
<p>O campeão que podia ser incontestável se envolveu em lamentáveis escândalos com drogas, dopings e crimes dignos das páginas dos tabloides mais sórdidos. Jones, sob influência de drogas, bateu no veículo de uma mulher grávida e fugiu sem prestar socorro. Teve problemas recorrentes no antidoping por uso de cocaína e de substâncias proibidas. Desastres que lhe acarretaram longos períodos de suspensão, a perda do título e dúvidas constantes acerca da influência do doping em suas performances. Por fim, ainda é visto por muitos como um lutador desleal, devido a golpes direcionados aos joelhos e dedadas nos olhos.</p>
<p>Os próprios atributos de Jones também o afastam da preferência como melhor de todos. Primeiro, por não colecionar desafios emblemáticos, nos quais sofreu riscos reais e os superou – o único duelo tenso foi contra Alexander Gustafsson. Segundo, por sua disciplina extrema, o que o impediu de se arriscar em lutas monótonas que poderia ter definido com autoridade (casos das lutas com Rashad Evans, Ovince St-Preux e Glover Teixeira). Sempre parecia faltar aquele algo a mais, aquilo que anima o esporte, aquilo de que são feitas as lendas.</p>
<p>Em seu retorno ao UFC, no último dia 29 de julho, Jones parecia estar querendo vencer até mesmo esses últimos questionamentos. Enfrentou o duríssimo Dan Cormier, contra quem tinha uma verdadeira animosidade e que vinha motivado, fazendo contra Jones a melhor luta de sua carreira – até o momento em que Jones despertou. Aproveitando-se de um rápido instante em que Dan abaixou-se para golpear, Jones desferiu uma estrondosa canelada na cabeça de seu oponente. Ao ver Cormier cambaleando, “Bones” avançou como um tubarão que sente o cheiro de sangue, atacando até a interrupção do juiz. Uma vitória aparentemente incontestável, contra um oponente perigoso, definida com um lance de genialidade. E ainda com direito a uma cereja no bolo: o belo discurso da vitória, exaltando os méritos do adversário, mostrando enfim a maturidade nunca antes vista, e até sinalizando uma possível mudança para o peso pesado – onde poderia provar ser o mito inconteste do esporte.</p>
<p>Mas teria Jones vencido mesmo seu “passageiro sombrio”, como o personagem Dexter define seu lado tenebroso? Eis que, menos de um mês depois, a Usada anunciou que o campeão teria sido flagrado em teste antidoping para o UFC 214. Novamente uma enorme mancha se coloca entre Jon Jones e a supremacia do MMA. Quem sabe pela última e definitiva vez.</p>
<p>Como vimos, existem argumentos a favor e contra cada um dos postulantes. Entretanto, ao contrário do velho artilheiro mineiro Dadá Maravilha, viemos com a problemática, mas não com a “solucionática”. Cabe a você, amigo leitor, definir quem é o melhor de todos os tempos e defender com luvas e dentes sua escolha, na próxima confraternização com os amigos e em emails para nossa redação, no endereço enquete@graciemag.com. Afinal, quem foi o “cara” no MMA? Com a palavra, o sábio leitor.</p>The post <a href="https://www.graciemag.com/os-melhores-de-todos-os-tempos-no-mma-confira-a-lista/">Os melhores de todos os tempos no MMA? Confira a lista</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Rilion Gracie: &#8220;No Jiu-Jitsu, a guarda é a salvação do fraco&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2020 16:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A guarda é a salvação do fraco”, disse Rilion Gracie na GRACIEMAG de fevereiro de 2009. Pois hoje, depois das vitórias de Fabricio Werdum e Anderson Silva, todos parecem entender melhor a importância do jogo de pernas do Jiu-Jitsu numa situação de luta.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“A guarda é a salvação do fraco”, disse Rilion Gracie em entrevista a GRACIEMAG, em clássica edição de fevereiro de 2009.<br />
</em></p>
<p><em>Seja você um atleta de MMA querendo evitar um sufoco tamanho-família, um competidor de Jiu-Jitsu ou um apaixonado praticante, você deve se aprofundar no conceito de guarda para evoluir nos treinos. Relembre então o que Rilion nos ensinou, e não perca sua próxima GRACIEMAG. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_17613" style="width: 537px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/09/RAY-SANTANA-PHOTOGRAPHY-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17613" class="wp-image-17613 size-full" title="RAY SANTANA PHOTOGRAPHY 01" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/09/RAY-SANTANA-PHOTOGRAPHY-01.jpg" alt="" width="527" height="580" /></a><p id="caption-attachment-17613" class="wp-caption-text">O exímio guardeiro Rilion Gracie, em foto de Ray Santana</p></div>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>GRACIEMAG:</em> Rickson Gracie sempre disse aos quatro ventos que você tem a melhor guarda da família. O que faz uma guarda ser boa?</strong></p>
<p><em>RILION GRACIE:</em> A guarda sempre foi uma forma de equilibrar a luta entre duas pessoas, trazendo a disputa para o chão, onde um cara de 60kg equaliza as forças e passa a ter melhores chances de surpreender um cara de 120kg. Quando ganhei a faixa-preta, há 25 anos, eu tinha 59kg. E sempre tive o espírito de vencer o adversário, entendia o Jiu-Jitsu da minha família como uma arte de defesa, mas cujo objetivo é finalizar o adversário. Da mesma forma que a gente hoje vê com centenas de magrinhos, donos de uma guardinha boa porque não tinham opção, isso aconteceu comigo também. A guarda é a salvação do fraco.</p>
<p><strong>Como você desenvolveu seu jogo?</strong></p>
<p>Orientado por Rolls, Carlinhos, Rickson, Crolin – professores que foram meus espelhos –, percebi que eu tinha de ter uma guarda muito boa para enfrentar qualquer um, mas uma guarda completa – não me interessava apenas resistir aos oponentes, ficar me defendendo sem conseguir fazer nada na luta. Mas a primeira luz que tive, na faixa-azul, foi: se eu não consigo neutralizar o cara na guarda, que eu tenho milhões de opções de barreiras, as pernas as mãos e tudo, se ele passar estou morto – vou ter de fazer o triplo de força, e ainda com o cara com o peso em cima do peito, amassando meu pescoço, orelha. Então a primeira preocupação é: não perder.</p>
<p><strong>E o estágio seguinte?</strong></p>
<p>Na faixa-roxa eu já estava bem flexível, e a guarda com fama de intransponível nos campeonatinhos. Mas acontece que eu ganhava porque o cara de cima ia cansando, e acabava dando uns moles no triângulo, ou então eu ia pras costas e tal. Então, passei a outro estágio, desenvolvido na marrom: conciliar a guarda defensiva com a ofensiva, incorporando um jogo variado de finalizações na guarda, raspagens e ida às costas. Foi aí que meu Jiu-Jitsu passou a melhorar em todos os sentidos, porque eu começava a cair por cima do adversário, e tinha de me aproveitar desta situação favorável. Hoje, eu me acho melhor por cima do que por baixo. Prefiro jogar por cima – meu objetivo é pular o muro e atacar o adversário.</p>
<blockquote><p>Eu me especializei em dar brecha para o cara passar, pois é nessa hora que ele faz força – e então cansa ou cai em alguma armadilha” Rilion</p></blockquote>
<p><strong>Qual é o macete para o adversário cair nas armadilhas da guarda?</strong></p>
<p>Um tipo de guarda é aquele que você agarra as mangas, trava os braços do cara, mas você também não faz nada, e fica aquela luta feia. Outra é a guarda onde você dá o gostinho para o cara. Ele vê uma chance de passar, faz força, mas não passa. Eu me especializei nisso, em dar brecha para o cara passar – e aí ou ele faz força e cansa, ou cai em alguma armadilha. Porque eu não acredito no ser humano que não cansa. O cara mais bem preparado do mundo, se confrontado com a técnica certa, executada com perfeição, ele será obrigado a fazer força, e alguma hora vai cansar. Todo mundo tem um limite, cabe a você encontrar o método e o caminho para fazer o adversário chegar lá.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Rilion Gracie ensina uma de suas raspagens favoritas no Jiu-Jitsu" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/HKqu6SeI6f8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>Qual é a sua guarda favorita?</strong></p>
<p>Jiu-Jitsu para mim é o fácil e o eficiente. É aquele que você é capaz de ensinar a qualquer aluno que entrar na sua academia, caso contrário ele pega as coisas dele e não aparece mais.</p>
<p>Procuro fazer minha guarda de frente para o cara, pelo menos na minha forma de lutar. E tento deixar o cara o tempo todo preocupado em ser finalizado, com medo de bater. Mesmo que o cara saiba se defender, a preocupação leva ao desgaste, à exaustão. E, quando errar, ele dança. Quanto maior for a qualidade técnica do adversário, mais você tem de buscar preocupá-lo.<br />
Então, claro que até faço meia-guarda, algumas vezes. Mas, se o adversário é muito bom, depois de eu raspar ele também vai se mostrar um cara bom por baixo. Aí um raspa para lá, o outro raspa para cá, e fica aquela luta que estamos vendo nos campeonatos. Claro, você tem de saber o seu objetivo ao fazer guarda. Se for raspar para vencer por pontos, perfeito. Mas eu não quero deixar o oponente preocupado apenas em evitar ser raspado. Ele tem de se sentir constantemente ameaçado.</p>
<p><strong>Existe algum tipo de guarda ruim?</strong></p>
<p>Eu respeito qualquer posição. Se eu ensino uma técnica para dez pessoas diferentes, sei que, por mais que eu queira, cada aluno vai se adequar a um aspecto e não a outro. O Jiu-Jitsu é uma arte infinita, o baixinho não vai ter o mesmo jogo do cara de pernas longas. Por isso o mestre não pode botar uma viseira e tachar uma guarda de boa e outra de ruim. O segredo é enxergar as falhas e virtudes da posição, jamais condenar, com arrogância. Agora, o cara que quer ser referência em guarda não pode saber uma guarda só. Tem de saber outros caminhos, para o dia que encontrar uma pedra na frente.</p>
<blockquote><p>Jiu-Jitsu é sensibilidade” Rilion</p></blockquote>
<p><strong>Qual é o seu desafio hoje, quando treina?</strong></p>
<p>Poupar mais energia que antigamente. Estou melhor tecnicamente, mais experiente, mas não sou o mesmo Rilion de 15 anos atrás. Me sinto bem para a minha idade, claro, e sei que o Rilion de 35 anos fatalmente venceria o Rilion de 25. Mas hoje, aos 45, não me recupero com a mesma rapidez. Antigamente eu imprimia o ritmo, dava duas respiradas e estava pronto novamente para dar 20, 30 treinos. Sei que fisicamente estou em processo de decadência. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo de voo, mais sutilezas milimétricas você tem.</p>
<p>Por exemplo, você começa a desenvolver uma sensibilidade capaz de adivinhar o pensamento do adversário. Um segundo antes de o cara dar o arranque, seu ganchinho está lá bloqueando. Jiu-Jitsu é isso. Sem sensibilidade, sem uma conexão espiritual com a arte, o cara ganha no preparo, na disposição, e fica sendo para sempre um grossão, dono de um estilo feio.</p>
<p><strong>Seu irmão Rolls Gracie<strong> (1951-1982) é visto como</strong></strong><strong> a ponte do Jiu-Jitsu tradicional para o moderno. </strong><strong>Ele também foi o elo da guarda do passado para a guarda moderna?</strong></p>
<p>Sem dúvida. Quando o Jiu-Jitsu caiu na mão do Rolls, evoluiu uns 50 anos em dez. Ele pegou um fusca e transformou numa Ferrari, e deu na nossa mão. Claro, já existia a roda, o farol. Mas foi com Rolls que a guarda passou de defensiva, esperando o oponente, para uma posição com um arsenal de ataques.</p>
<p>Ele tinha uma cabeça muito aberta e dinâmica, sempre deu atenção ao aluno, e gostava de escutá-los, de ver posições novas. Hoje você pega um cara de destaque e parece que tem de pedir pelamordedeus para ensinar uma posição para o cara. Foi Rolls então que formou a que, para mim, foi a geração de ouro do Jiu-Jitsu: Carlinhos, Crolin, Rickson e tantos alunos do Rolls de fora da família. Aprendi muito de guarda vendo os treinos de um deles, o Talarico, que inclusive tinha umas pernas curtas.</p>
<p><em>Gostou do que leu, e sentiu vontade de aprender mais? Assine agora mesmo sua GRACIEMAG, <a href="http://www.graciemagshop.com.brhttps://graciemagshop.com.br/produto/revista-digital/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">clicando aqui.</a></em></p>The post <a href="https://www.graciemag.com/rilion-gracie-no-jiu-jitsu-a-guarda-e-a-salvacao-do-fraco/">Rilion Gracie: “No Jiu-Jitsu, a guarda é a salvação do fraco”</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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