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	<title>Down | Graciemag</title>
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	<description>The Original Brazilian Jiu-Jitsu Magazine — BJJ news</description>
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		<title>O que aprendi com meu irmão Pi, instrutor de Jiu-Jitsu e portador de Down, por André Monteiro</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2020 11:20:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por: André Monteiro* * Para mais conteúdos exclusivos com o melhor do Jiu-Jitsu mundial, assine a revista mais tradicional do esporte em formato digital * Venho hoje, a convite de GRACIEMAG, falar um pouco do meu irmão que me alegra e inspira sempre, o Felipe “Pi”, faixa-marrom de Jiu-Jitsu. Felipe, que tem síndrome de Down,&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_224623" style="width: 1290px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-224623" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201.jpeg" alt="" width="1280" height="883" class="size-full wp-image-224623" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201.jpeg 1280w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201-300x207.jpeg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201-1024x706.jpeg 1024w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201-768x530.jpeg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image2-e1589109181201-150x103.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><p id="caption-attachment-224623" class="wp-caption-text">O craque Felipe com o irmão André, em foto marcante de Ilan Pellenberg</p></div>
<p style="text-align: right;"><em>Por: André Monteiro*</em></p>
<p><a href="http://www.graciemagshop.com.br"><em><strong>* Para mais conteúdos exclusivos com o melhor do Jiu-Jitsu mundial, assine a revista mais tradicional do esporte em formato digital *</strong></em></a></p>
<p>Venho hoje, a convite de GRACIEMAG, falar um pouco do meu irmão que me alegra e inspira sempre, o Felipe “Pi”, faixa-marrom de Jiu-Jitsu. Felipe, que tem síndrome de Down, treina desde 2008, e é um cara que tem preguiça para tudo, menos para duas coisas: comer (adora seus brownies) e botar o kimono para treinar Jiu-Jitsu.</p>
<p>Comecei a treinar Jiu-Jitsu em 1992 e anos e anos depois vim morar nos Estados Unidos, onde tenho minha academia, em Long Island. Por eu ser o irmão mais velho, o Pi se acostumou a me seguir em meus hábitos. Foi assim, por exemplo, que também se tornou vascaíno fanático, sempre com seu caderno anotando os times e jogadores do clube. Até o dia em que resolveu que queria me imitar também no Jiu-Jitsu.</p>
<p>Era 2008, e ele até então não treinava. Ao passar as férias comigo, como de hábito, ele gostou da minha rotina nos Estados Unidos e começou a treinar direto, todos os dias. Começava assim a respirar, a seu modo particular, o estilo de vida do Jiu-Jitsu – na academia, por exemplo, assumiu o balcão e pedia nome e telefone de quem passasse. Com seu jeito brincalhão, conquistou rapidamente a todos, e sem falar uma palavra em inglês!</p>
<div id="attachment_224621" style="width: 1290px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-224621" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0.jpeg" alt="" width="1280" height="854" class="size-full wp-image-224621" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0.jpeg 1280w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0-300x200.jpeg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0-1024x683.jpeg 1024w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0-768x512.jpeg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image0-150x100.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><p id="caption-attachment-224621" class="wp-caption-text">Felipe orgulhoso com seu diploma de faixa-marrom. Foto> Ilan Pellenberg</p></div>
<p>Passei a morar, em 2010, com um amigo, o faixa-preta Leandro Fabrício “Dodô”, e junto com a gente um monte de cariocas que tinham vindo ensinar Jiu-Jitsu no Texas. A casa era uma bagunça e tanto, mas o meu irmão se divertia. Com dois anos de treino, ele conquistou assim a faixa-azul.</p>
<p>Quando estava no Rio, o Pi treinava na Nova Geração e na academia do Mauro Ayres. Com o Dodô, ele pegou a faixa-roxa. E, em 2019 agora, foi enfim graduado faixa-marrom.</p>
<p>Mesmo com todas as dificuldades, meu irmão tem como mérito uma memória visual incrível para o Jiu-Jitsu básico. Ele realmente vê uma técnica e a executa de primeira, sem maiores problemas. Para um gordinho, ele se movimenta muito bem e, claro, tem suas posições favoritas.</p>
<div id="attachment_224625" style="width: 864px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-224625" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817.jpeg" alt="" width="854" height="710" class="size-full wp-image-224625" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817.jpeg 854w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817-300x249.jpeg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817-768x639.jpeg 768w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/image4-e1589109367817-150x125.jpeg 150w" sizes="(max-width: 854px) 100vw, 854px" /></a><p id="caption-attachment-224625" class="wp-caption-text">Felipe tendo a faixa-marrom amarrada pelo irmão André Monteiro. Foto: Ilan Pellenberg</p></div>
<p>Se, antigamente, era eu que o inspirava a treinar, hoje é o contrário. O Pi me inspira em vários aspectos. Primeiro: ele não falta aos treinos, dia de treino dele é dia de treino, ele conta com isso e nada o impede.</p>
<p>A segunda é que o Pizão não tem medo nenhum de competir. Já disputou, assim, competições no Rio e nos EUA. Ao lutar, ele não muda o que ele é: quer brincar, dar espetáculo para a torcida e, claro, ganhar. Ele tem apenas um defeito ao treinar: o bicho não quer saber de bater! Dar os três tapinhas não entra na cabeça do valente Pizão.</p>
<p>E isso a gente fala com ele mil vezes, porque é perigoso – na academia todos o conhecem e soltam, mas num campeonato fica aquela tensão – então, há sempre uma conversa com o árbitro, os treinadores e até com o oponente dele. No fim é divertido.</p>
<div id="attachment_224627" style="width: 626px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/56f99a5c-fdb1-4b8d-a05b-a8f29164ba7c-e1589109466727.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-224627" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/56f99a5c-fdb1-4b8d-a05b-a8f29164ba7c-e1589109466727.jpeg" alt="" width="616" height="450" class="size-full wp-image-224627" srcset="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/56f99a5c-fdb1-4b8d-a05b-a8f29164ba7c-e1589109466727.jpeg 616w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/56f99a5c-fdb1-4b8d-a05b-a8f29164ba7c-e1589109466727-300x219.jpeg 300w, https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2020/05/56f99a5c-fdb1-4b8d-a05b-a8f29164ba7c-e1589109466727-150x110.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px" /></a><p id="caption-attachment-224627" class="wp-caption-text">Felipe em ação no campeonato de Jiu-Jitsu. Foto: Arquivo pessoal.</p></div>
<p>O sonho do Pi agora é ter a própria academia. Ele já gosta de ajudar na aula das crianças aqui em Long Island e sabe ser durão com elas, quando fazem bagunça. Eu acho isso o máximo, e se ele quer, ele vai conseguir.</p>
<p>A faixa-preta ainda vai chegar. Minha meta é que ele siga vindo treinar, e continue nos ajudando, para se tornar um ótimo assistente nas aulas. Não quero graduá-lo como um faixa-preta por honra ao mérito – quero, sim, que seja por puro merecimento e honestidade, com respeito à realidade dele. Ele cansa muito mais que outros, por exemplo, mas adora um desafio, e gosta de se embolar até com faixas-pretas campeões, uma fera. É em cima do tatame que ele vai provar se merece o êxito, como o Jiu-Jitsu ensina.</p>
<p>Meu irmão sempre foi muito colado comigo, e repito sempre aos amigos: sou grato por ter o Pi do jeito que ele é. Eu sei que muitas pessoas acham que eles são limitados, porém a capacidade deles de se adaptarem à nossa realidade o tornam seres humanos únicos.<br />
A felicidade, o amor e o carinho que ele sabe transmitir – e não apenas para os parentes, mas para todos ao redor – são marcas especiais de muitos com a síndrome de down, e com ele isso não é diferente. Quem conhece um down de perto certamente tem boas memórias de convívio.</p>
<p>Rumo à faixa-preta, Pizão! Obrigado por tudo.</p>
<p>* André Monteiro, faixa-preta quarto grau e professor da academia A-Force BJJ Academy, foi entrevistado pelo editor Marcelo Dunlop.</p>The post <a href="https://www.graciemag.com/o-que-aprendi-com-meu-irmao-pi-instrutor-de-jiu-jitsu-e-portador-de-down-por-andre-monteiro/">O que aprendi com meu irmão Pi, instrutor de Jiu-Jitsu e portador de Down, por André Monteiro</a> first appeared on <a href="https://www.graciemag.com">Graciemag</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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