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	<title>Crolin Gracie | Graciemag</title>
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	<description>The Original Brazilian Jiu-Jitsu Magazine — BJJ news</description>
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		<title>Rilion Gracie: &#8220;No Jiu-Jitsu, a guarda é a salvação do fraco&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2020 16:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A guarda é a salvação do fraco”, disse Rilion Gracie na GRACIEMAG de fevereiro de 2009. Pois hoje, depois das vitórias de Fabricio Werdum e Anderson Silva, todos parecem entender melhor a importância do jogo de pernas do Jiu-Jitsu numa situação de luta.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“A guarda é a salvação do fraco”, disse Rilion Gracie em entrevista a GRACIEMAG, em clássica edição de fevereiro de 2009.<br />
</em></p>
<p><em>Seja você um atleta de MMA querendo evitar um sufoco tamanho-família, um competidor de Jiu-Jitsu ou um apaixonado praticante, você deve se aprofundar no conceito de guarda para evoluir nos treinos. Relembre então o que Rilion nos ensinou, e não perca sua próxima GRACIEMAG. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_17613" style="width: 537px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/09/RAY-SANTANA-PHOTOGRAPHY-01.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17613" class="wp-image-17613 size-full" title="RAY SANTANA PHOTOGRAPHY 01" src="https://www.graciemag.com/wp-content/uploads/2010/09/RAY-SANTANA-PHOTOGRAPHY-01.jpg" alt="" width="527" height="580" /></a><p id="caption-attachment-17613" class="wp-caption-text">O exímio guardeiro Rilion Gracie, em foto de Ray Santana</p></div>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>GRACIEMAG:</em> Rickson Gracie sempre disse aos quatro ventos que você tem a melhor guarda da família. O que faz uma guarda ser boa?</strong></p>
<p><em>RILION GRACIE:</em> A guarda sempre foi uma forma de equilibrar a luta entre duas pessoas, trazendo a disputa para o chão, onde um cara de 60kg equaliza as forças e passa a ter melhores chances de surpreender um cara de 120kg. Quando ganhei a faixa-preta, há 25 anos, eu tinha 59kg. E sempre tive o espírito de vencer o adversário, entendia o Jiu-Jitsu da minha família como uma arte de defesa, mas cujo objetivo é finalizar o adversário. Da mesma forma que a gente hoje vê com centenas de magrinhos, donos de uma guardinha boa porque não tinham opção, isso aconteceu comigo também. A guarda é a salvação do fraco.</p>
<p><strong>Como você desenvolveu seu jogo?</strong></p>
<p>Orientado por Rolls, Carlinhos, Rickson, Crolin – professores que foram meus espelhos –, percebi que eu tinha de ter uma guarda muito boa para enfrentar qualquer um, mas uma guarda completa – não me interessava apenas resistir aos oponentes, ficar me defendendo sem conseguir fazer nada na luta. Mas a primeira luz que tive, na faixa-azul, foi: se eu não consigo neutralizar o cara na guarda, que eu tenho milhões de opções de barreiras, as pernas as mãos e tudo, se ele passar estou morto – vou ter de fazer o triplo de força, e ainda com o cara com o peso em cima do peito, amassando meu pescoço, orelha. Então a primeira preocupação é: não perder.</p>
<p><strong>E o estágio seguinte?</strong></p>
<p>Na faixa-roxa eu já estava bem flexível, e a guarda com fama de intransponível nos campeonatinhos. Mas acontece que eu ganhava porque o cara de cima ia cansando, e acabava dando uns moles no triângulo, ou então eu ia pras costas e tal. Então, passei a outro estágio, desenvolvido na marrom: conciliar a guarda defensiva com a ofensiva, incorporando um jogo variado de finalizações na guarda, raspagens e ida às costas. Foi aí que meu Jiu-Jitsu passou a melhorar em todos os sentidos, porque eu começava a cair por cima do adversário, e tinha de me aproveitar desta situação favorável. Hoje, eu me acho melhor por cima do que por baixo. Prefiro jogar por cima – meu objetivo é pular o muro e atacar o adversário.</p>
<blockquote><p>Eu me especializei em dar brecha para o cara passar, pois é nessa hora que ele faz força – e então cansa ou cai em alguma armadilha” Rilion</p></blockquote>
<p><strong>Qual é o macete para o adversário cair nas armadilhas da guarda?</strong></p>
<p>Um tipo de guarda é aquele que você agarra as mangas, trava os braços do cara, mas você também não faz nada, e fica aquela luta feia. Outra é a guarda onde você dá o gostinho para o cara. Ele vê uma chance de passar, faz força, mas não passa. Eu me especializei nisso, em dar brecha para o cara passar – e aí ou ele faz força e cansa, ou cai em alguma armadilha. Porque eu não acredito no ser humano que não cansa. O cara mais bem preparado do mundo, se confrontado com a técnica certa, executada com perfeição, ele será obrigado a fazer força, e alguma hora vai cansar. Todo mundo tem um limite, cabe a você encontrar o método e o caminho para fazer o adversário chegar lá.</p>
<p><iframe title="Rilion Gracie ensina uma de suas raspagens favoritas no Jiu-Jitsu" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/HKqu6SeI6f8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>Qual é a sua guarda favorita?</strong></p>
<p>Jiu-Jitsu para mim é o fácil e o eficiente. É aquele que você é capaz de ensinar a qualquer aluno que entrar na sua academia, caso contrário ele pega as coisas dele e não aparece mais.</p>
<p>Procuro fazer minha guarda de frente para o cara, pelo menos na minha forma de lutar. E tento deixar o cara o tempo todo preocupado em ser finalizado, com medo de bater. Mesmo que o cara saiba se defender, a preocupação leva ao desgaste, à exaustão. E, quando errar, ele dança. Quanto maior for a qualidade técnica do adversário, mais você tem de buscar preocupá-lo.<br />
Então, claro que até faço meia-guarda, algumas vezes. Mas, se o adversário é muito bom, depois de eu raspar ele também vai se mostrar um cara bom por baixo. Aí um raspa para lá, o outro raspa para cá, e fica aquela luta que estamos vendo nos campeonatos. Claro, você tem de saber o seu objetivo ao fazer guarda. Se for raspar para vencer por pontos, perfeito. Mas eu não quero deixar o oponente preocupado apenas em evitar ser raspado. Ele tem de se sentir constantemente ameaçado.</p>
<p><strong>Existe algum tipo de guarda ruim?</strong></p>
<p>Eu respeito qualquer posição. Se eu ensino uma técnica para dez pessoas diferentes, sei que, por mais que eu queira, cada aluno vai se adequar a um aspecto e não a outro. O Jiu-Jitsu é uma arte infinita, o baixinho não vai ter o mesmo jogo do cara de pernas longas. Por isso o mestre não pode botar uma viseira e tachar uma guarda de boa e outra de ruim. O segredo é enxergar as falhas e virtudes da posição, jamais condenar, com arrogância. Agora, o cara que quer ser referência em guarda não pode saber uma guarda só. Tem de saber outros caminhos, para o dia que encontrar uma pedra na frente.</p>
<blockquote><p>Jiu-Jitsu é sensibilidade” Rilion</p></blockquote>
<p><strong>Qual é o seu desafio hoje, quando treina?</strong></p>
<p>Poupar mais energia que antigamente. Estou melhor tecnicamente, mais experiente, mas não sou o mesmo Rilion de 15 anos atrás. Me sinto bem para a minha idade, claro, e sei que o Rilion de 35 anos fatalmente venceria o Rilion de 25. Mas hoje, aos 45, não me recupero com a mesma rapidez. Antigamente eu imprimia o ritmo, dava duas respiradas e estava pronto novamente para dar 20, 30 treinos. Sei que fisicamente estou em processo de decadência. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo de voo, mais sutilezas milimétricas você tem.</p>
<p>Por exemplo, você começa a desenvolver uma sensibilidade capaz de adivinhar o pensamento do adversário. Um segundo antes de o cara dar o arranque, seu ganchinho está lá bloqueando. Jiu-Jitsu é isso. Sem sensibilidade, sem uma conexão espiritual com a arte, o cara ganha no preparo, na disposição, e fica sendo para sempre um grossão, dono de um estilo feio.</p>
<p><strong>Seu irmão Rolls Gracie<strong> (1951-1982) é visto como</strong></strong><strong> a ponte do Jiu-Jitsu tradicional para o moderno. </strong><strong>Ele também foi o elo da guarda do passado para a guarda moderna?</strong></p>
<p>Sem dúvida. Quando o Jiu-Jitsu caiu na mão do Rolls, evoluiu uns 50 anos em dez. Ele pegou um fusca e transformou numa Ferrari, e deu na nossa mão. Claro, já existia a roda, o farol. Mas foi com Rolls que a guarda passou de defensiva, esperando o oponente, para uma posição com um arsenal de ataques.</p>
<p>Ele tinha uma cabeça muito aberta e dinâmica, sempre deu atenção ao aluno, e gostava de escutá-los, de ver posições novas. Hoje você pega um cara de destaque e parece que tem de pedir pelamordedeus para ensinar uma posição para o cara. Foi Rolls então que formou a que, para mim, foi a geração de ouro do Jiu-Jitsu: Carlinhos, Crolin, Rickson e tantos alunos do Rolls de fora da família. Aprendi muito de guarda vendo os treinos de um deles, o Talarico, que inclusive tinha umas pernas curtas.</p>
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