O discurso do rei Gordon Ryan

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Gordon Ryan em foto de Blanca Marisa Garcia para a GRACIEMAG

Gordon Ryan em foto de Blanca Marisa Garcia para a GRACIEMAG

A foto é antiga, de 2018, mas nunca foi tão atual. Gordon Ryan é o novo rei do Jiu-Jitsu sem kimono. Já era há algum tempo, mas ainda havia quem duvidasse. Agora não há mais. Se você gosta dele ou não, pouco importa. O rei é inconteste, e você sabe disso.

Aos 27, o americano tem quase 1,90m de altura, 100kg, é forte, técnico, flexível, mas não parece ter alcançado a majestade “apenas” por esses atributos. A grande virtude do campeão tem a ver com o aspecto mental. Confiança. Nesse quesito nunca vimos ninguém como Gordon Ryan.

Entre a vitória na final da categoria acima de 99kg e a superluta do ADCC 2022, o prodígio de New Jersey não vestiu um casaco com capuz e foi se concentrar isolando-se num canto do vestiário, como é comum entre atletas de elite. Gordon foi para a plateia, sentou-se ao lado da esposa e de amigos, posou para fotos com os fãs, parecia estar se divertindo no recreio do colégio. Chegou a fazer postagens no Instagram. Quando voltou para a superluta, o semblante do campeão era o de quem iria executar uma tarefa trivial.

E depois de finalizar André Galvão, o americano desafiou Felipe Preguiça para lutar ali mesmo, naquele tablado, em sequência, sem necessidade de descanso, e por mais que isso incomode muita gente, não parecia bravata. Gordon faria mais uma luta tranquilamente, caso Preguiça e a organização do evento topassem.

Sempre criticaram GR por falar demais, mas o que incomoda não é exatamente isso. Não são palavras ao vento. Embora o verniz seja de arrogância, a essência é de confiança no mais alto quilate. O americano fala, faz e ainda explica como fez e fará de novo. Prova por A mais B que está certo. E assim vai entrando na cabeça dos oponentes e destruindo seus rivais por dentro, aniquilando aquilo que acreditamos ser o mais importante entre as virtudes de um lutador: a mente forte.

Para insurgir contra o rei e tomar a coroa de Gordon Ryan, não basta que o desafiante seja o mais técnico do mundo, tenha raça e gás infinito. O acesso ao trono é sobretudo uma questão psicológica. Um xadrez invisível. Se o desafiante não tem a mente blindada, nem ouse mexer peças nesse tabuleiro. Sua rainha tombará, garante o monarca.

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