Amanda Nunes, uma Leoa à caça do cinturão no UFC 277

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Única lutadora a defender o cinturão do UFC em duas categorias, Amanda Nunes (21v-5d) tem compromisso marcado contra a algoz Julianna Peña (11v-4d), neste sábado 30 de julho, pela luta principal do UFC 277, em Dallas, nos Estados Unidos.

Derrotada pela rival em dezembro do ano passado, a brasileira tenta a retomada do título peso-galo para voltar a ser duplamente campeã.

A campeã Julianna Peña protagonizou um dos momentos mais surpreendentes do esporte ao finalizar a faixa-preta de Jiu-Jitsu. A baiana não perdia desde setembro de 2014 e somava 12 vitórias seguidas, com direito a triunfos sobre Miesha Tate, Ronda Rousey, Valentina Shevchenko (2x), Cris Cyborg e Holly Holm. Justamente, a brasileira carregava franco favoritismo. Depois de perder o primeiro round, Peña quebrou a banca em seguida.

A destemida desafiante levou a melhor na trocação e derrubou Amanda com certa tranquilidade. Foi o começo do fim. Instantes depois, Julianna pegou as costas e estrangulou a popular “Leoa” com um mata-leão.

De lá para cá, as campeãs têm se encontrado com frequência. Elas foram as treinadoras da 30ª edição do reality show “The Ultimate Figher”, o TUF, e a disputa aqueceu a rivalidade entre as lutadoras. Os participantes do programa são atletas do peso pesado masculino e mosca feminino. Julianna conhece bem o programa. A americana descendente de venezuelanos foi a primeira mulher a venceu uma edição do “TUF”.

A preparação de Amanda Nunes para a revanche conta com um fator inédito. Pela primeira vez desde que escalou até se consagrar no UFC, a Leoa fará um camp de treinamento fora da American Top Team. Mãe da jovem fera Raegan Ann, de 1 ano, e esposa da também lutadora Nina Ansaroff, Amanda optou com fazer um camp próprio. Um dos fatores que motivou a saída da baiana da ATT foi a ascensão da ex-companheira de treinos Kayla Harrison, apontada como futura estrela do MMA e possível rival da brasileira.

Apesar da derrota e da saída da American Top Team, uma das academias mais conceituadas no esporte, como duvidar do potencial de uma das campeãs mais dominantes dos esportes de combate?

Para os principais comentaristas do esporte, apontar uma suposta queda de desempenho de Amanda seria precipitado.

Inegavelmente, a brasileira teve sua pior atuação nos últimos sete anos e foi superada por uma rival que teve atuação irretocável. Contudo, a Leoa tem as credenciais para abocanhar o cinturão peso-galo.

Afinal, Amanda segue sendo uma das atletas mais completas da história do MMA feminino: são 13 vitórias por nocaute, quatro por finalização e quatro via decisão dos jurados. Já superou adversárias do mais alto quilate, diferentemente de Julianna, que já foi finalizada por Valentina Shevchenko e Germaine de Randemie, ambas derrotadas duas vezes por Amanda.

Por mais que tenha sido batida duas vezes nos últimos cinco anos, Julianna provou o valor de uma estratégia eficiente. Dona de cinco vitórias por finalização e três por nocaute, a campeã tem um jogo equilibrado, capaz de superar uma das campeãs mais dominantes do esporte. Peña foi superior na trocação, especialidade de Amanda, e resolveu onde se sente mais confortável. Assim, Julianna deu início a uma nova era na categoria.

Peña estará novamente diante de uma leoa faminta disposta a retomar o lhe foi seu por quase uma década. A Leoa, rainha da selva, irá à caça para provar que também reina na divisão. A hegemonia de Amanda acabou no dia 11 de dezembro, mas um novo ciclo, como acontece na natureza, pode começar no dia 30 de julho.

Para esquentar para o duelo, relembre a jovem Amanda Nunes em ação no Jiu-Jitsu, durante o Campeonato Pan-Americano da CBJJE, em Salvador, em 2009.

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