Victor Hugo: “Foi minha única esperança e a agarrei com tudo”

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Aluno de Xande Ribeiro e prodígio da Six Blades Jiu-Jitsu, o lutador cearense Victor Hugo Costa é o atual bicampeão peso pesadíssimo, novo dono da categoria em que Marcus Buchecha, Roger Gracie, Marcio Pé de Pano, Fabricio Werdum, Gabriel Napão, Gabriel Vella, Léo Leite e Mario Sperry reinaram, entre outras feras.

Mas não foi nada fácil. No Mundial 2022, em 5 de junho, na Pirâmide de Long Beach, Victor Hugo e Gutemberg Pereira proporcionaram um duelo eletrizante pela medalha de ouro.

O atleta da GFTeam teve um começo avassalador e abriu 2 a 0 e quatro vantagens. No entanto, Victor Hugo cresceu nos últimos minutos, catou a perna de Berg quando o adversário tentava passar a meia-guarda e buscou a raspagem, que foi o ponto
de partida para uma virada histórica, uma das grandes lutas da temporada.

Em seguida, Victor passou a guarda e montou para marcar 9 a 2 e morder o ouro na divisão. O campeão pesadíssimo detalhou com a equipe do GRACIEMAG.com o que viveu no Mundial, e sua maior motivação para se manter em alto nível.

GRACIEMAG: O que passava na sua cabeça naquele instante em que você foi raspar o Gutemberg na final do peso pesadíssimo?

VICTOR HUGO: Aquela raspagem não apenas me salvou de uma possível finalização ou uma passagem de guarda dele, mas me deu um sentimento instantâneo de que o sonho ainda estava
vivo. A energia que veio do meu coach e da torcida serviram de gasolina para que eu não parasse até conseguir passar e montar. Aquele foi o único momento da luta onde eu
tive uma oportunidade de fazer algo, e eu agarrei com tudo o que tinha.

Como você avalia seu desempenho no Mundial?

Acredito que lutei bem, mas minha atuação pode melhorar. Apenas alguns notaram, mas a última vez em que eu tinha lutado de kimono tinha sido seis meses antes. E não por opção, mas por necessidade. Todas as vezes que planejei lutar nesse primeiro semestre acabei me lesionando e não pude competir. Com isso, eu já esperava e sabia que não ia ser um “passeio no parque”. Até porque os nomes que estavam nas minhas chaves
estavam bem mais ativos nas competições. Independente disso tudo, eu sempre confiarei no meu Jiu-Jitsu e acredito que isso é uma confiança que o Jiu-Jitsu te dá. Isto é, não importa a ocasião, você sempre deve estar pronto para qualquer que seja o desafio. Seja na vida ou nos tatames.

Como você superou a derrota no absoluto para o Gustavo Batista para manter o foco na categoria?

Ao incluir seu nome no absoluto você já tem de estar pronto para tudo, seja fazer cinco lutas antes da sua categoria ou acabar perdendo. É muito importante saber separar as coisas
e dar um “restart” na mente. O único que sentimento que eu tive naquela luta foi que acabei não dando meu máximo até o último minuto, e isso não foi suficiente para assegurar o resultado. Acabei perdendo por decisão dividida, mas na minha mente o que ficou foi o pensamento de dar meu máximo na categoria em cada luta. Deu certo.

Apesar de novo, você já conquistou alguns dos títulos mais importantes no Jiu-Jitsu. Qual é a sua maior motivação para continuar treinando forte?

Aos 25 anos de idade, sou muito grato por tudo que já alcancei dentro do Jiu-Jitsu – e a cada novo objetivo ou meta que tenho, vejo que com planejamento correto, esforço e estar acompanhado de pessoas incríveis faz tudo ser possível. Sou rodeado de pessoas que me motivam a ser não apenas um melhor atleta, mas um faixa-preta, uma pessoa e um líder de academia melhor! Minha motivação segue sendo essa, e procuro explorar minhas capacidades ao máximo. Aos poucos sei que vou colhendo os frutos dessa minha jornada.

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