Xandão Neves e a missão de mudar vidas através do Jiu-Jitsu

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Xandão e seus jovens alunos. Foto: Reprodução

Apesar do cenário competitivo em ascensão, existem aqueles que veem o Jiu-Jitsu primeiramente como uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida de seus praticantes. É o caso de Alexandre Neves, mais conhecido como Xandão por seus amigos e alunos. GMI e líder da Outlast Academy, o faixa-preta conta que, embora não tenha nada contra competir, seu objetivo principal é mudar as vidas daqueles que chegam ao seu tatame.

De volta a Curitiba após 10 anos acumulando conhecimento nos Estados Unidos, Xandão papeou com GRACIEMAG para compartilhar suas experiências e objetivos no Jiu-Jitsu, além de ressaltar a importância de se manter atualizado na arte suave. Confira nas linhas abaixo!

* Entre para o time GMI! *

GRACIEMAG: Como você conheceu o Jiu-Jitsu?

XANDÃO: Meu primeiro contato com o Jiu-Jitsu foi na Chute Boxe. Comecei lá aos treze anos, após sair do judô por conta da morte do meu professor. Após dois anos treinando muay thai, eu fiz uma luta interna com um garoto que era faixa-azul de Jiu-Jitsu. Fui para a trocação, mas o meu adversário me colocou pra baixo e me pegou no armlock. Depois, fui pra revanche e foi a mesma coisa. Perguntei que estilo de luta era aquele e ele me falou, então não perdi tempo e me matriculei no Jiu-Jitsu no dia seguinte, ainda na Chute Boxe. Meu professor foi o Cristiano Marcello, que ficou comigo até a faixa-roxa, aos 20 anos. Depois fui para os Estados Unidos, onde obtive a faixa-preta e morei até os 31 anos.

Gostava de competir?

Comecei a competir no Jiu-Jitsu assim que peguei a faixa-amarela. No início, ainda com a amarela e com a azul, competia bastante, mas esse hábito foi diminuindo conforme alcancei a roxa e a marrom. Até fui campeão mundial na preta pela Jiu-Jitsu World League, nos Estados Unidos, mas eu não sou um cara muito focado em competição. Ao meu ver, competição é um trabalho, algo que fazemos porque é necessário para obter experiência, mas eu gosto mesmo é de dar aula. Quando estou treinando, procuro sempre aprender coisas novas para transmitir para os alunos.

Treinando nos tatames da Checkmat, após sair do Brasil. Foto: Reprodução

Qual é a sua memória mais marcante da sua graduação à faixa-preta?

Obtive a preta em 2015 nos Estados Unidos, pelas mãos do professor João Assis, da Checkmat. Sempre quis ser faixa-preta de Jiu-Jitsu e de muay thai, então lembro de me sentir muito bem, com uma sensação de dever cumprido por ter finalmente alcançado um dos meus sonhos. Foi um dia muito bom que deixou uma memória maravilhosa e fez crescer ainda mais o meu respeito pelo professor João, que me ensinou muito.

Você também ficou uma época treinando juntos aos irmãos Mendes. Como foi esta experiência?

Treinei lá por dois anos e foi uma experiência muito boa e divertida. Eles eram muito organizados e cobravam isso dos alunos, só podíamos treinar se estivéssemos com tudo higienizado, desde o kimono limpo até as unhas cortadas. O conteúdo das aulas também era muito bem trabalhado, com muitos drills e rolas de três minutos para ficar mais dinâmico. Tinham também treinos mais pesados, voltados para competição, que ensinavam muitas posições legais e promoviam rolas mais longos, para simular um torneio. Foi uma das experiências mais legais que vivi e posso dizer, sem exagero, que mudou o meu Jiu-Jitsu.

Com a meta de ser professor já alcançada, qual é o seu atual objetivo no Jiu-jitsu?

Hoje eu carrego e trago ao tatame da minha escola a missão de mudar a vida dos meus alunos. Não tem problema se quiser competir, mas o meu foco é ajudar essas pessoas a superar seus medos a cada treino. Tem gente aqui que sofre com ansiedade, depressão ou estresse, e eu quero ajudar o máximo que posso a superar esses obstáculos. Ouvir que consegui mudar a vida de um deles é o que mais vale a pena para mim.

“Meu foco é ajudar essas pessoas a superar seus medos a cada treino”. Foto: Reprodução

Qual é o ensinamento mais importante que você passa aos seus alunos?

Um aprendizado que tive quando treinei na Califórnia e que sempre ensino aos meus alunos é a persistência. Pode estar tomando a maior surra, mas é preciso levantar e ir para cima com a força para vencer. Isso também vale para a vida fora dos tatames, mesmo que esteja tudo dando errado, é preciso ter foco e não desistir nunca dos seus objetivos.

Qual é o diferencial para ser um bom professor no Jiu-Jitsu?

É importante se manter sempre atualizado, tanto nas técnicas como nas metodologias. Ser “Old School” ou “Raiz” não é algo que me atraia, pois isso vai na contramão da evolução e acaba te levando a perder a relevância e se tornar obsoleto. Eu sempre busco me aprimorar em todos os aspectos da minha vida, especialmente no meu papel de professor. Hoje eu estou buscando a psicologia, para que eu consiga identificar melhor as individualidades dos meus alunos e, consequentemente, ser mais eficaz na minha abordagem com eles.

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