Ronny Carvalho e o foco necessário para ser um campeão no Jiu-Jitsu

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Ronny com a molecada boa do Jiu-Jitsu. Foto: Reprodução

Professor da GB West Bay Doha, no Catar, nosso GMI Ronny Carvalho conhece bem os desafios da vida de um atleta, sempre em busca de títulos no Jiu-Jitsu. Com isso em mente, o faixa-preta abriu seu baú de histórias para GRACIEMAG e contou sobre sua trajetória, seu foco nos treinos e as qualidades necessárias para conquistar o sonhado ouro nas competições. Confira nas linhas abaixo!

* Entre para o time GMI! *

GRACIEMAG: Qual foi o seu primeiro contato com o Jiu-Jitsu?

RONNY CARVALHO: Sou de Formiga, uma cidade mineira que gerou grandes nomes do Jiu-Jitsu como Rodrigo Ranieri, Marcelo Garcia e Matheus Diniz. Inclusive, foi através do Ranieri que o Jiu-Jitsu começou a ter força em Formiga e foi por causa dele que conheci o esporte. Na época, eu tinha 14 anos de idade e me apaixonei rapidamente. Pouco tempo depois, conheci o mestre Paulão Rezende, que ensinou o Jiu-Jitsu para o Ranieri. Ele morava em Poços de Caldas, que é uma cidade vizinha, e foi o responsável por lapidar essa geração de atletas que saiu de Formiga. Nós deixamos a nossa cidade natal e fomos morar em lá para poder treinar com o Paulão.

Como foram seus primeiros anos no Jiu-Jitsu?

Me mudar para Poços de Caldas foi uma grande mudança na minha vida. A cidade já tinha fama no Jiu-Jitsu porque o Marcelinho Garcia havia conquistado o Mundial na faixa-azul e por conta de outros atletas que saíram de lá e deixaram a sua marca no esporte. Quando cheguei na cidade, passei a ter uma visão diferente do Jiu-Jitsu e decidi que queria viver dele, mas entendia que para isso eu precisaria me adaptar ao sistema de treinamento do Paulão, que era duríssimo. Sem falar que os campeonatos rolavam mensalmente e todos competiam, com estímulo do Paulão. Às vezes nem tínhamos dinheiro para viajar, mas nos juntamos e íamos na raça mesmo para participar das competições. Foi uma época cheia de altos e baixos, mas também foi uma ótima experiência e uma fase muito boa da minha vida. Apesar de estar hoje na Gracie Barra, junto com o Bráulio Estima, a quem sou muito grato, mantenho meu respeito e minha admiração pelo Paulão, que me ensinou tudo que eu sei sobre o Jiu-Jitsu.

Eventualmente você saiu de Minas Gerais e ficou em Brasília, sob a tutela do professor João Roque. O que motivou essa mudança?

Apesar de morar em Poços de Caldas, eu frequentemente precisava sair do estado por conta do trabalho e, nessas ocasiões, eu procurava outras academias para treinar. Quando fui para Brasília, eu procurei o João Roque por indicação do meu mestre e me adaptei bem ao estilo dele. O João é um mestre incrível e eu passei a considerar ele e o pessoal de lá como minha segunda família no Jiu-Jitsu. Me mantive competindo mensalmente e ficava impressionado com os atletas de lá, só tinha casca-grossa. Após um ano e alguns títulos conquistados em Brasília, o João Roque me graduou à faixa-marrom.

Ronny com Léo Vieira em sua conquista no Europeu 2008. Foto: Reprodução

Quais são as memórias mais marcantes da sua graduação à faixa-preta?

Eu fui graduado à preta no fim de 2008, pelas mãos do professor Reinaldo Ribeiro. Pouco tempo depois de chegar na marrom, o Bernardo Pitel, que era aluno do João Roque, me chamou para ir junto com ele competir no Europeu. Fui vice-campeão na categoria Master 1 e decidi ficar por lá, treinando junto com o Reinaldo. Eu fui criado junto com ele no Jiu-Jitsu, éramos da mesma equipe. Me senti muito honrado em receber a preta das mãos dele, que foi um cara que me cobrou muito e me ensinou mais ainda sobre o Jiu-Jitsu. Estreei minha faixa no ano seguinte e alcancei o terceiro lugar no Europeu 2009 da IBJJF.

O ensino é uma vertente do Jiu-Jitsu que é cada vez mais procurada por praticantes, independente da idade. Na sua opinião, é possível equilibrar a vida de atleta e a de professor?

Acho importante manter o foco nos nossos objetivos. Se o atleta busca ser campeão, independente de ser estadual, nacional ou mundial, ele precisa manter esse foco. O caminho para alcançar esse patamar não é fácil, são muitos desafios e dificuldades. Preparar um aluno que vive com a mentalidade de competição para ser professor, especialmente se for jovem, é algo que eu não sou a favor. Prefiro trabalhar o psicológico desse atleta para que ele não se perca do seu objetivo, sempre tendo em mente as coisas que ele precisa fazer para alcançar essa meta, como treinar bastante, comer bem e dormir cedo.

Qual é o treino que não pode faltar em uma das suas aulas?

Eu sempre trago um dos treinos que aprendi com o Paulão Rezende, nos meus primórdios lá em Poços de Caldas. Coloco os alunos para fazer três minutos de guarda e depois, ainda na mesma dupla, mais três minutos de passagem de guarda. Divido esse treino em quatro rodadas, sendo que nas duas primeiras é permitido finalizar e nas últimas mantemos apenas a passagem. Como o objetivo é que o aluno consiga passar a guarda de maneira rápida, colocamos uma margem de trinta segundos para completar uma raspagem. Isso aumenta muito o nível do atleta nas competições.

Qual é o diferencial para um atleta se tornar um campeão?

Na parte física, acredito que um campeão precisa ter, no mínimo, seis horas diárias de treino. Essas horas podem ser divididas ao longo de vários treinos no dia, mas é essencial para que o atleta possa formular uma estratégia e praticar bastante. O jogo do campeão deve consistir de, no máximo, quatro posição que ele vá usar nas lutas, ou seja, manter o foco dos treinos no que ele já sabe fazer. Uma queda que ele consiga fazer bem ou uma raspagem que esteja habituado, são movimentos que devem integrar o jogo desse atleta e devem ser a prioridade no treinamento.

Na parte psicológica, ao meu ver, se trata de um esforço conjunto entre o professor e o atleta. Por um lado, o atleta precisa ter disciplina e dedicação para chegar ao alto nível necessário para se tornar um campeão. Consumo de bebidas alcoólicas, ou até mesmo refrigerantes, e dormir tarde não combinam com a vida de um atleta profissional. Por outro lado, o professor precisa saber administrar o psicológico desse aluno, sem cobrar de forma excessiva. Além do preparo físico, um campeão precisa estar mentalmente blindado para deixar de lado as dificuldades da vida dentro e fora dos tatames e executar sua estratégia com sucesso na competição.

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