O campeão que veio do lixo

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Com a cinta dos pesados no ombro, Ngannou mostra a alegria de tirar uma foto com Mike Tyson, seu ídolo de infância. Foto: Reprodução

Se você acha a sua trajetória no Jiu-Jitsu atribulada, cheia de altos e baixos, é porque ainda não leu muito sobre a vida de Francis Ngannou, novo campeão dos pesos pesados do UFC após nocautear Stipe Miocic. O lutador de 119 kg, cotado para enfrentar tanto Jon Jones como Mike Tyson num duelo dos sonhos, sofreu antes de encontrar uma boa academia de artes marciais e assinar com o Ultimate.

Ngannou nasceu na pequena cidade de Batié, em Camarões. Aos 6 anos de idade, viu seu pai, um valentão que volta e meia brigava na rua, se separar da mãe. Sentia vergonha do olhar dos vizinhos, que falavam da má reputação paterna. Fã de Mike Tyson, o pequeno Francis sonhava em achar uma academia para lapidar seus punhos, mas cadê tempo? Aos 12, já trabalhava numa mina de areia. Começou a praticar boxe nos tempos livres aos 22, quando começou a mirar o mar. Foi primeiro para Douala, cidade portuária do seu país, e depois para o Marrocos, já pensando em migrar ilegalmente para a Europa.

“Passei um ano cruzando fronteiras na África, vivendo no mato e comendo comida do lixo. Uma vida terrível”, contou o campeão ao portal Bleacher Report. Quando enfim conseguiu embarcar para a Europa, foi imediatamente preso na Espanha, onde ficou detido por dois meses. Solto, se mandou para a França, onde, aos 26 anos, dormia na rua. “Mas, comparado com o que vivi até chegar ao Marrocos, dormir num estacionamento em Paris era como estar num hotel cinco estrelas”, lembrou.

Suas três primeiras preocupações em solo parisiense foram: descobrir onde conseguir comida, onde poderia dormir e onde havia uma academia para treinar. E foi justamente naquele ginásio, onde ganhou sua primeira ajuda de custo (50 euros), que o grandalhão de 1,93m ouviu sobre uma certa modalidade de luta, chamada MMA. Hoje, o camaronês de 34 anos é apontado como o soco mais potente do mundo, e é tão festejado em seu país como seus compatriotas mais famosos, como os artilheiros Samuel Eto’o e Roger Milla e o filósofo Achille Mbembe.

A caminhada anda dura? Inspire-se na sobrenatural força de vontade de Francis Ngannou, o homem que veio do lixo para provar que, na vida como nas artes marciais, não existe glória sem sacrifício.

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