Miltão Machado relembra origens do seu compromisso com o Jiu-Jitsu na Gracie Barra

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Professor Miltão Machado, ao centro, com a turma da Gracie Barra HQ. Foto: Reprodução

Texto: Milton Machado

Meu primeiro contato com as artes marciais foi com Jiu-Jitsu. Já sabia algo a respeito por conta das primeiras edições do UFC. O ano era de 1995, eu morava no sul de Minas Gerais e tinha alguns amigos na faculdade que eram de Brasília. Eles tinham as fitas VHS do UFC, e eu assistindo o Royce Gracie destruir todo mundo me chamou a atenção, mas não a ponto de querer praticar aquele esporte. No final daquele ano, voltei pra casa da minha família em Governador Valadares e naquela época eu gostava de puxar ferro, mas estava só por conta de festas e noitadas, e o físico já estava mudando para pior. Então, decidi procurar por algo diferente da maromba para ficar em forma novamente.

Visitei academias de karatê, muay thai e kung fu, mas não estava muito afim de tomar socos e chutes, então procurei o judô. Eu estava com 20 anos de idade e o professor então me falou que eu já estava um pouco fora da idade pra ficar tomando quedas e que aprender o “chão” seria mais interessante. A princípio não queria muito, eu tinha aquele pensamento do tipo “não quero marmanjo me apertando”ou “o kimono muito pesado, se me abafar eu morro”, e por aí vai. O professor na época que era o Léo Barbosa, aluno do Bitta, e ele me ofereceu um mês de graça. Topei tentar.

Naquele tempo a coisa funcionava diferente. Não existia o profissionalismo e cuidados com segurança de hoje. Quem pisava no tatame entrava ali pra matar ou morrer, ou seja, meu primeiro dia os caras quase me mataram, daí eu fiquei muito puto e continuei treinando nas semanas seguintes só pra dar o troco. Com duas semanas de treino eu senti uma mudança no meu corpo e na minha cabeça, um sentimento diferente. Eu havia me encontrado e nunca mais parei.

Lembro de falar com minha namorada na época que eu não queria saber de estudar, iria só trabalhar e treinar Jiu-Jitsu, e que iria me tornar faixa-preta para ensinar e fazer pelos outros o que o Jiu-Jitsu havia feito por mim. Daí nunca mais parei. Passei por equipes pequenas em Mina, depois Bahia ondei treinei da azul até a roxa, então me mudei pro Espírito Santo por causa da minha namorada. Nessa época já era faixa-roxa e lá comecei treinar com o professor Elcio Freitas, faixa-preta do mestre Moacir, e fiquei até a faixa marrom, isso foi entre 2006 e 2007.

* Entre para o time GMI! *

Eu e minha namorada nos separamos e eu estava voltando pra Minas. Perguntei pro meu professor quem eu devia procurar e ele disse que se possível treinasse na Gracie Barra. Voltei e fui morar no norte do estado, onde conheci o professor Marcos David que era ligado ao Aldo Caveirinha. Cheguei lá, me apresentei, fui convidado a treinar e aí já viu, a galera quis fazer a “sabatina” pra ver se eu estaria apto a entrar no grupo. Após 2 horas de porrada, eu fui convidado a permanecer no grupo, e logo depois fui graduado à faixa-preta, em 2007, pelo professor Marcos David.

Até então competia o máximo que podia quando minha agenda e o bolso permitiam, por conta do meu trabalho e família. A partir de 2008 comecei a competir assiduamente e desde então são 12 anos em que não paro. Atualmente compito no mínimo todo mês. Comecei a ensinar ainda na azul quando estava morando na Bahia. Naquela época era difícil encontrar faixas-pretas ensinando em cidades pequenas e, incentivado pelo meu professor naquela época, comecei a ensinar. Era difícil conciliar por conta do trabalho, mas não desisti.

Em 2007 abri um pequeno espaço na cidade de Januaria, mas novamente devido ao trabalho me mudei para cidade de Andradas, no Sul de Minas. No ano de 2010 em uma conferência da GB o professor Marco Joca fez um discurso no qual falou que viu muitos faixas-pretas deixarem o Jiu-Jitsu por ser difícil naqueles tempos, sobreviver da arte suave, e percebeu que era porque os professores não se dedicavam 100% ao esporte, e nesse caso era difícil para colher resultados satisfatórios. Depois de ouvir eu parei pra pensar e finalmente resolvi que iria me dedicar somente a prática e ensino da arte suave.

Abri minha própria escola Gracie Barra Andradas, que foi essencial para o reconhecimento do meu trabalho. Vim ao EUA em 2015 para competir o Mundial de Masters(Las Vegas) e Pan Sem Kimono (Nova York). No Mundial fui parado nas quartas pelo Fabrício Morango por uma vantagem, no Pan fui vice no peso e terceiro no absoluto. Voltei pro Brasil e comecei a pensar em voltar pro Pan do ano seguinte. Vim lutar o Pan em 2016 e a convite dos Professores Kayron Gracie e Rafael Moskito passei seis meses auxiliando aulas e aprendendo inglês na GB Rancho Santa Margarita, e também competindo.

Voltei para o Brasil em setembro daquele ano e em maio de 2017 o Rafael me convidou para vir competir pela escola GB Chino e aqui estou desde então. Deixei meus instrutores coordenando a escola no Brasil, e eles vem realizando um trabalho muito bom ajudando na expansão do Jiu-Jitsu GB naquela região.

A maior barreira pra mim como atleta e professor foi a língua inicialmente, mas o Rafael sempre me ajudou muito nesse aspecto, sempre me corrigindo e ainda com o apoio dos amigos de equipe ficou fácil de aprender e se adaptar. Atualmente estou competindo e treinando nas escolas GB Costa Mesa e GB West Anaheim, e tenho planos para abrir minha própria escola em breve, e dessa forma poder levar os benefícios do Jiu-Jitsu para todos e fazer pelos outros o que o Jiu-Jitsu fez por mim.

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