25 lições de vida (e Jiu-Jitsu!) que aprendemos ao cobrir o UFC

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Demian Maia em foto de Carlos Arthur Jr.

Em 25 anos de história, o UFC proporcionou lições de extremo valor para valorosos astros e campeões faixas-pretas, na vitória e na derrota. Compilamos, a seguir, o que eles aprenderam de melhor para ajudar você a combater suas ansiedade, dores e questionamentos. Confira!

* Artigo publicado originalmente nas páginas da GRACIEMAG #266. Para mais conteúdos exclusivos com o melhor do Jiu-Jitsu mundial, assine a revista mais tradicional do esporte em formato digital *

1. A lição de Demian para você acertar no alvo
Em 2014, durante uma severa infecção que o impedia de treinar, Demian Maia percebeu que sucesso não é sinônimo de obsessão: “Pela primeira vez desde os 12 anos, fiquei sem treinar por 90 dias”, relembra Demian, 41 anos. “Comi besteiras, bati 94 quilos. Aqueles meses de jogar tudo para o alto me deram uma forma diferente de ver as coisas. Eu havia lido um livro muito tempo atrás chamado ‘A arte cavalheiresca do arqueiro zen’. O cara se concentra, mira, procura a perfeição e acerta perto do alvo, mas nunca no alvo. O mestre fala que é preciso tentar mais relaxado. Finalmente entendi o significado. Sempre fui obsessivo, mas ser bitolado atrapalha seu desempenho. Existe um ponto ideal entre dedicação e relaxamento e encontrá-lo é a chave do sucesso”.

2. A lição de Royce para reagir com eficiência
Para o pioneiro Royce Gracie, primeiro campeão do UFC, o verdadeiro artista marcial precisa aprender que não há uma técnica mais importante que outras: “A verdade é que todas as técnicas básicas são importantes. É o conjunto delas que faz o Jiu-Jitsu ser tão eficiente, não apenas uma”, ensinou Royce à equipe GRACIEMAG. “E é preciso treinar muito para que elas estejam no modo automático. Na hora do combate à vera, a cabeça não tem tempo para pensar em nada, é só o reflexo do treino reagindo. Quando você estiver em perigo, no UFC, num campeonato ou na rua, você tem de estar pronto para reagir. Afinal, não vai haver tempo de ir para casa se preparar…”

3. A lição de Anderson para não desperdiçar energia positiva
O mantra principal de Anderson Silva sempre foi: “A situação está dura? Mantenha sempre o bom humor”. O espírito leve do jovem Aranha o ajudava a treinar com mais vontade, a ficar depois da hora nos treinos, cercado pelos amigos, corrigindo as falhas ou aperfeiçoando as qualidades. Mas suas principais lições de vida talvez tenham sido a de jamais usar nas ruas as habilidades adquiridas. Dois tutores o ajudaram nisso; Kang, seu professor coreano de taekwondo, um dia lhe disse: “Brigar na rua é para os fracos. Quando alguém dá um presente ruim para você e você não pega, com quem fica o presente? Com ele. Provocação é a mesma coisa. Não aceite”. O outro foi seu tio Benedito, que era ainda mais claro: “Anderson, se brigar na rua, boto você dentro do canil com o cachorro”.

Jon Jones com Ulpiano e Tussa. Foto: Reprodução

4. A lição de Jon Jones para apreciar as vitórias
Para Jon Jones, invicto há uma década no UFC, lutar é provar que a inteligência pode prevalecer sempre, por mais tensa que seja a situação. “Eu não gosto de bater em outros caras – gosto de ser mais esperto do que eles”, ensina Jones.

5. A lição de McGregor para atingir o ápice
Para o rei da autoconfiança Conor McGregor, o sucesso não tem mistério – é transformar, por meio de muito suor, sonho em realidade: “Sempre fui um sonhador e minha primeira ambição era me tornar um jogador de futebol. Eu estava sempre em campo fazendo exercícios e drills depois que escurecia à noite. Eu tinha uma paixão e ao mesmo tempo a vontade de fazer o que era necessário para chegar a algum lugar. Eu amava futebol e estava sempre jogando mais do que assistindo. Quando conheci os esportes de combate, no entanto, outro sonho me dominou”, diz Conor, que anunciou sua aposentadoria aos 30 anos, com milhões e milhões de dólares na conta. Para ele, é preciso treinar para ser confiante: “A dúvida só é removida por ação. Se você não está trabalhando, é por aí que entra a dúvida”.

6. A lição de Kron para ter gás ao lutar
Como você procura aumentar seu gás na academia? A fórmula de Kron, o único Gracie na ativa hoje no UFC, é tão simples quanto desafiadora: “Em todo treino, eu chego a um ponto em que me sinto completamente exausto”, explica. “Mas, em todo treino, eu passo desse ponto e treino mais um pouco. Não é o seu corpo que deve determinar a hora de parar”.

Amanda Nunes com o cinturão do UFC. Foto: Reprodução

7. A lição de Amanda para driblar a ansiedade
Para a campeã Amanda “Leoa” Nunes, um dos maiores obstáculos mentais do lutador é a ansiedade, a vontade de estar sempre treinando. Por isso é preciso arrumar um passatempo que descanse a cabeça fora das horas de treino: ”Descansar corpo e mente é fundamental. Eu mal chegava em casa, já pensava em voltar para a academia”, disse Amanda. “Foi quando aprendi que precisava relaxar a cabeça e ter um tempo para minha vida – brincar com meu cachorro, sair com a namorada e assistir a um filme, passear num parque”.

Fabrício Werdum em foto de Carlos Arthur Jr.

8. A lição de Werdum para lutar com o máximo de pressão
Fabricio Werdum, ouro no Mundial de Jiu-Jitsu, bicampeão do ADCC e vencedor do título dos pesos pesados do UFC, venceu tudo que disputou. Ele gosta de reforçar o conceito de pressão: “Quando a gente pensa em pressão no Jiu-Jitsu e no MMA, muitas vezes associamos somente ao passador, ao lutador que joga por cima e quer passar ou montar. Mas a pressão está o tempo todo envolvida na luta, e deve ser jogada a nosso favor”, diz o lutador gaúcho. “Por baixo, fazendo guarda, mesmo guarda aberta, é preciso botar pressão nas pernas. É preciso botar pressão no pé na virilha. Você não deve parar de incomodar o rival, não deve dar espaço nenhum em momento nenhum.”

9. A lição de Belfort para comer pouco e manter a forma
Ao longo da carreira, Vitor Belfort sempre destacou a importância da alimentação para quem quer durar nos tatames, lições que aprendeu com seu mestre Carlson. “A gente come para ter energia nos tatames”, ensinou Vitor certa vez. “Por isso de dia é preciso comer mais, para ter combustível nos treinos, e de noite basta uma saladinha, uma vitamina – de noite vamos dormir, ninguém gasta de noite a mesma energia do que de dia”.

10. A lição de BJ Penn para ser sábio ao lutar
O campeão havaiano BJ Penn é quem definiu: “O MMA é puro caos, e para ser um bom lutador é simples – você tem de estar preparado, física e mentalmente, para lidar com esse caos”.

11. A lição de Renzo para quem gosta de elogios
Não ligue para elogios ou palavras que façam bem à sua vaidade. Para o bom lutador, há apenas um elogio que conta, como explica o veterano Renzo Gracie: “Os três tapinhas representam um elogio ao oponente, é o melhor elogio que existe.”

12. A lição de Amaury Bitetti para aguentar o tranco
Para o veterano do UFC Amaury Bitetti, o sucesso do lutador vem de como ele usa suas valências e compensa suas dificuldades: “Eu sempre fui um lutador baixo, mas era muito forte, muito rápido, e aguentava qualquer tranco”, diz Bitetti. “Minha principal qualidade era não perder nunca as posições que conquistava. Isso faz um lutador campeão.”

Randy Couture em foto de Josh Hedges.

13. A lição de Randy Couture para os dias de mau resultado
O lendário americano Randy Couture tem uma frase marcante: “Olha, se perder uma luta é a pior coisa que já aconteceu em toda a sua vida, você está indo muito bem”.

14. A lição de Matt Hughes para os dias de vitória
Ex-campeão até 77kg, o americano duro na queda Matt Hughes certa vez resumiu bem a postura de um verdadeiro campeão: “Quando você perder, fale pouco. Quando você vencer, fale menos”.

15. A lição de Roan Jucão para recuperar a musculatura
Depois do treino, como você cuida do corpo? Para o veterano do UFC e do ADCC Roan “Jucão” Carneiro, nada cai melhor do que uma banheira fria ou um bom mergulho na água gelada. “Nem todo mundo tem uma banheira à disposição. Por isso, se você tem sorte de morar no litoral, dê um mergulho no mar após o treino”, recomenda Jucão. “Sua musculatura agradece”.

16. A lição de Miocic para manter sempre os pés no chão
Stipe Miocic, um dos campeões mais simples e humildes em 25 anos de UFC, conquistou o cinturão dos pesos pesados da organização e ainda assim manteve seu segundo trabalho, como membro efetivo e paramédico do corpo de bombeiros de Cuyahoga, em Ohio. “A vida de um campeão só muda porque ficamos mais ocupados”, diz Miocic. “Mas sigo sendo bombeiro, e meus chefes seguem me mandando limpar latrinas. Acho que não tem nada demais, é bom para manter os pés no chão”.

17. A lição de Chuck Liddell para se manter atualizado
Para Chuck Liddell, ídolo até 93kg nos anos 2000, é preciso acompanhar a evolução das técnicas. “A evolução do esporte de combate é tão rápida que, se você desacelerar um segundo, você faz parte do passado”.

18. A lição de Machida para respeitar corpo e mente
O astro do karatê Lyoto Machida tem um mantra: “Meu corpo é minha espada, minha mente é minha lâmina”.

Ronda Rousey em foto de Carlos Arthur Jr.

19. A lição de Ronda Rousey para lutar pelo que deseja
“A vida é uma luta desde o minuto em que você solta o seu primeiro respiro até o instante em que você exala o seu último”, ensinou a estrela do judô Ronda Rousey. “Você tem de lutar o tempo todo, porque não pode contar com mais ninguém lutando por você. E você muitas vezes vai precisar lutar por pessoas que não podem lutar por si mesmas. Para obter algo verdadeiramente de valor, portanto, você tem de estar sempre lutando.”

20. A lição de GSP para ser calmo porém eficiente
Lei de Georges St-Pierre: “Quanto mais calmo você se torna, mais você será capaz de escutar”. O consagrado canadense da divisão até 77kg também ensinou: “Aquele que tem mais conhecimento tem a vantagem”.

Ronado Jacaré em foto de Carlos Arthur Jr.

21. A lição de Jacaré para perseverar
Ronaldo Jacaré é um mestre da disciplina e do foco: ”A partir daquele dia em que fiz meu primeiro treino de Jiu-Jitsu, resolvi que aquele esporte iria me seguir pelo resto da vida. Me apaixonei no primeiro treino”, diz Jaca. Para alcançar todos os seus títulos, o bicampeão mundial absoluto e atleta de destaque do UFC encara os treinos e a carreira como um ambiente inóspito. “Às vezes você pode achar que está num deserto, mas precisa apenas de coragem para dar mais um passo e persistir. Em poucos passos, você vai direto para o paraíso. Mas para isso é necessário perseverar. E muitos param no meio do caminho”.

22. A lição de Roger para treinar feliz
Seu objetivo é alcançar a felicidade a cada dia? Ouça a lição do finalizador Roger Gracie: “A receita do sucesso e de uma vida feliz é escolher uma profissão que dê prazer, caso contrário você vai passar anos deprimido”, reflete Roger. “As pessoas às vezes não têm muita opção, mas é preciso se esforçar e tentar. Afinal, quando você piscar, sua vida terá ido embora”.

23. A lição de Minotauro para controlar o medo
Se você costuma lutar absoluto ou treina com gente mais pesada na academia, é sempre de bom tom escutar Rodrigo Minotauro, o finalizador de gigantes. “Dizem que lutador não pode sentir medo, mas eu já senti medo lutando”, admite Minota. “Me perguntam no que eu penso quando aparece um daqueles gigantes, oponentes de 130, 170kg. A verdade é que nessas horas não pode pensar muito – se a gente pensar muito, dá uma amarelada. Por isso o melhor macete é pensar no que você vai tentar impor e executar na luta, e menos no que seu oponente tem de bom.”

Nick Diaz de kimono. Foto: Divulgação/ Lucky Gi

24. A lição de Nick Diaz para ser um lutador agressivo
“Todo mundo diz que a luta é 90% mental, e isso é verdade”, afirmou o ferrabrás Nick Diaz. “Saber que você pode passar 15 ou 25 minutos sem qualquer desgaste de fato ajudá a manter a vantagem mental sobre seu oponente. Creio que alguns lutadores têm medo em relação ao condicionamento, ficam com medo de cansar ali no octógono, mas eu não quero ter essa ansiedade, não posso ter medo de nada. Sei que posso ir 100% lá em cima e nunca ter de me preocupar em ficar cansado”.

25. A lição final de Demian Maia
Começamos este artigo com Demian, e encerramos com ele. O lutador paulista, que já pensa em aposentadoria, reflete que há conquistas mais importantes que medalhas, cinturões e troféus: “Minha serenidade com a proximidade da aposentadoria no UFC é consequência do meu senso de dever cumprido. Encaro as artes marciais como uma forma de arte. O Jiu-Jitsu é uma maneira de expressarmos nossa personalidade, de como reagimos aos acontecimentos”, disse o faixa-preta, em artigo no portal UOL. “Quando comecei a lutar, com 19 anos, o Jiu-Jitsu era um meio para atingir um outro fim, o de ser campeão de MMA. Com o tempo, a coisa mudou. Hoje o UFC virou um meio para eu desenvolver meu Jiu-Jitsu”.

Foto: Reprodução

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