A primeira graduação à distância no Jiu-Jitsu a gente não esquece

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Faixa-preta e árbitro do UFC Osíris Maia com o pupilo e também faixa-preta Carlos Cobrinha. Foto: Arquivo pessoal

Mesmo em tempos de confinamento, percebi outro dia como o Jiu-Jitsu permanece com sua capacidade de nos alegrar e surpreender.

Pela primeira vez em quase 15 anos como faixa-preta, mais de 30 de Jiu-Jitsu, fui graduado de uma maneira diferente – à distância, por meio de meu smartphone e redes sociais. Coisas do coronavírus, mas que me deram uma felicidade imensa, que dificilmente vou esquecer. A ideia partiu do professor e responsável pelo que sou hoje, e por eu conseguir viver da luta e do Jiu-Jitsu: meu mestre Osiris Maia.

Fui formado por faixas-pretas diretos de Carlson Gracie, todos campeões: Marcelo Alonso, Amaury Bitetti e Maurício Saddam. Entretanto, foi o Osiris Maia – também faixa-preta do Carlson, além de grão-mestre de muay thai pela equipe Naja e árbitro do UFC – quem me acompanhou em todas as graduações na minha academia Brazilian Fight, no Rio de Janeiro. Em 2006, a faixa-preta foi por ele amarrada em mim e também pelo meu companheiro Gabriel Willcox, outro personagem fundamental para que eu alcançasse o mérito.

Graças ao Osiris e a suas lições de Jiu-Jitsu, me atirei em competições, onde belisquei medalhas em todas as faixas, entre branca e preta, e depois me tornei instrutor e professor. Como jornalista nos canais GRACIEMAG, articulista no portal do UFC e em cargos de destaque no canal Combate, sempre procurei aplicar seus ensinamentos.

Jamais deixei os treinos de lado, mas fiquei anos sem me importar com os graus na faixa-preta, por interpretar que era algo importante apenas aos mestres e donos de academia. Mas, em Portugal, onde resido hoje e onde voltei às minhas raízes – como professor de Jiu-Jitsu e de novo como colaborador de GRACIEMAG – fui lembrado pelo Osiris de que minha faixa estava desatualizada, por assim dizer.

Mas, como conversei com ele, eu jamais me sentiria à vontade em aplicar os famosos esparadrapos na faixa sem um consentimento ou convite de um professor graduado.

Por isso tudo, o vídeo abaixo foi uma emoção diferente, e um alento. Ainda mais quando nos vemos a milhares de quilômetros da maioria dos amigos e família, trancados num apartamento em meio a uma pandemia mundial.

Relembrei partes importantes da minha vida, e de elementos que fazem tão legal essa relação de aluno e mestre, que é uma grande amizade no fim das contas. Pode parecer estranho, para muitos leitores, uma graduação à distância, eu sei. Mas receber um reconhecimento assim, de palavras e gestos, é sempre inspirador. Espero que seja para vocês também.

E fica a lição: o Jiu-Jitsu, de perto ou de longe, é sempre um sólido fundamento para nossas vidas.

Veja o vídeo da graduação, aqui:

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