Artigo: Como se prevenir às dores no púbis, por Gustavo Asmar

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Dor recorrente na região do púbis pode ser tratada por um especialista. Foto: Reprodução

Por: Dr. Gustavo Asmar

* Artigo publicado originalmente nas páginas da GRACIEMAG #243 . Para mais conteúdos exclusivos com o melhor do Jiu-Jitsu mundial, assine a revista mais tradicional do esporte em formato digital *

A pubalgia é uma doença com muita incidência entre os praticantes de esportes em que ocorrem mudanças bruscas de direção nos movimentos, assim como movimentações explosivas. É o caso do futebol, da corrida e também do Jiu-Jitsu, só para citarmos três exemplos. O conceito do tratamento da pubalgia vem mudando drasticamente. Antigamente, atacava-se apenas a dor e recomendava-se o tratamento fisioterápico na região do púbis. Hoje em dia, o conceito mudou. Os ortopedistas ligados ao trauma do esporte procuram estudar exaustivamente a biomecânica do quadril, da coluna vertebral e da musculatura do “core” do corpo, para assim identificar o porquê do início deste quadro.

Uma das causas seria o desequilíbrio muscular entre a musculatura adutora (muito forte e encurtada) com um enfraquecimento da musculatura abdominal. Se não trata do rapidamente, este processo pode levar a uma fraqueza na parede posterior do canal inguinal, gerando hérnias musculares no local. E, pela proximidade com um nervo chamado genital, gera uma dor referida na região do púbis. Logo, não adianta fazer uma fisioterapia focada no púbis, pois a dor é irradiada de outra região. Nesses casos, devemos sempre iniciar o tratamento com fisioterapia e reforço da musculatura abdominal e paravertebral, e, nos casos sem sucesso, indicar a cirurgia de reforço da parede abdominal onde há a lesão.

Outra causa que vem ganhando muito destaque é a grande relação entre a dor na região pubiana e pacientes que apresentam uma restrição na mobilidade articular do quadril. Essa restrição pode ser causada por uma doença chamada impacto fêmur acetabular (muito mais comum em lutadores de Jiu-Jitsu que na população geral) ou por um trabalho ineficaz de alongamento e fortalecimento muscular da região do quadril.

No caso de impacto do quadril (uma alteração anatômica que o lutador possui associada a movimentos repetitivos, como o da raspagem, acentua a destruição articular), o tratamento é cirúrgico, por meio de um procedimento minimamente invasivo com vídeo. Já nos casos musculares, bons treinadores em conjunto com o fisioterapeuta obtêm ótimo resultado terapêutico.

A conclusão que chegamos é que o problema no púbis não se trata de uma doença local, mas sim do reflexo de uma alteração biomecânica em diversos locais da bacia, da coluna e da coxa, a qual pode gerar uma dor irradiada ou uma sobrecarga mecânica nesta região. Portanto, o tratamento eficaz é buscar qual lesão o lutador realmente apresenta e tratá-la com brevidade. Daí a importância do acompanhamento médico e da procura por um especialista em trauma do esporte assim que apareçam os sintomas.

* Dr. Gustavo Asmar é ortopedista especialista em trauma
do esporte e cirurgia vídeo artroscópica. Membro do Centro
de Trauma do Esporte do INTO

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