Medo do coronavírus? O que o Jiu-Jitsu nos ensinou para encarar a pandemia

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Roger Gracie em papo com Graciemag. Foto: Reprodução

1. A lição de Roger Gracie

Sempre que alguém estranhava o temperamento manso e tranquilão de Roger Gracie, o tricampeão mundial absoluto ensinava: “Sou calmo assim por causa dos treinos. No Jiu-Jitsu, perder o controle é perder a luta.” Em momentos de crise, lembre de Roger e procure manter o equilíbrio emocional. Afinal, ainda pior que o vírus pode ser o desespero e o descontrole: “Se o sujeito que está sofrendo um golpe decide se debater de qualquer maneira para sair da posição, ele está simplesmente se movimentando a favor do ajuste do golpe”, argumenta o Gracie. “O bom lutador deve ser paciente. É como alguém se afogando. Se ele se debater, vai perder oxigênio mais rápido e pode tomar decisões precipitadas. Começar a nadar de qualquer jeito pode levá-lo ainda mais para o fundo. Agora, se ele estiver tranquilo, pode chegar à tona com facilidade.”

2. A lição de João Gabriel Rocha

O foco e a mente blindada de João Gabriel são um diferencial na sua carreira. Foto: IBJJF

Em 2014, o campeão João Gabriel teve a carreira subitamente interrompida, ao ser diagnosticado com câncer. O atleta formado por Leandro Tatu se viu obrigado a ficar um ano sem treinar, período em que se submeteu a sessões dolorosas de quimioterapia. “Ficar sem poder treinar, sem competir e ainda ler a GRACIEMAG e ver que eu não estava na edição do Mundial…”, recordou o carioca. O quadro triste, no entanto, o fez dar extremo valor às pequenas coisas: “Depois que alguém se vê momentaneamente privado de treinar, de fazer o que mais ama, essa pessoa, ao retornar aos treinos no futuro, jamais vai aceitar desculpas esfarrapadas para se ausentar da academia. Ela sabe o quanto vestir o kimono e treinar, algo aparentemente banal, é na verdade vital para a nossa existência. Fora isso, ainda pude analisar certas posições sem ter um campeonato no horizonte, um calendário me pressionando a ter que aprender de forma afobada, sem entender corretamente a mecânica de cada movimento. Foi um período de intensa reflexão e estudos. Vi milhares de vídeos pela internet”. Inspire-se no exemplo de João Gabriel e adapte seu estudo.

3. A lição de Kyra Gracie

Kyra Gracie na inauguração da nossa GMI Gracie Kore. Foto: Carlos Arthur Jr.

Kyra Gracie aprendeu com a família que uma alimentação saudável não era apenas essencial para lutar bem – mas para viver melhor. Em tempos de doença viral, cada célula do seu organismo deve estar pronta para contra-atacar, o que é mais fácil quando se come alimentos naturais. O exercício diário, caseiro nestes dias, também é outro aliado. “Leio muito sobre alimentação”, diz Kyra, como boa Gracie que é. “Gosto de adicionar alimentos novos no meu cardápio, sempre com a aprovação do meu médico Dr. Victor Sorrentino e sua equipe de nutricionistas.” Kyra não esquece os dias em que visitava o bivô Carlos Gracie, e via o mestrão ativo apesar da idade avançada, comendo suas frutas e queijos. “Aqui em casa, todos comemos os mesmos alimentos. Não existe biscoito recheado, doces açucarados ou suco de caixinha… No lanche das meninas vario uma fruta, água de coco, milho, tapioca e faço biscoitos de cacau com leite de amêndoas, mel e farinha de coco.” Siga o hábito de Kyra e não busque a boa forma apenas por um período, e sim durante toda a vida.

4. A lição de Fabio Gurgel

Fabio Gurgel. Foto: Arquivos GRACIEMAG

Em vídeo postado nas suas redes, Fabio Gurgel refletiu sobre como minimizar essa crise mundial. “Primeiro é preciso encarar o problema como o Jiu-Jitsu nos ensina: de frente”, diz o general da Alliance, que numa segunda etapa seguiu outro mandamento da arte suave: a camaradagem entre parceiros de treino e amigos colecionados em tantos anos de Jiu-Jitsu. Fabio está programando uma série de dez seminários mundiais, em escolas de diversas bandeiras, sem custos para os alunos, para quando a crise acalmar. E você, tem falado com os amigos da academia e familiares? Se encarar um momento difícil, como alguém doente na família (toc toc toc), converse com seus colegas de treino, seus mestres. Ao dividir seu problema e pedir ajuda aos companheiros, você certamente vai conseguir enxergar a saída. Como em qualquer bom treino de Jiu-Jitsu, aliás.

5. A lição de Rodrigo Minotauro

Rodrigo Minotauro em coletiva realizada no Copacabana Palace. Foto: Carlos Arthur Jr.

Mesmo quando voltava de uma luta pau-pereira no UFC ou Pride FC, a fera Rodrigo Minotauro nunca gostou de ficar muitos dias parado. Para o peso pesado, inquieto como muitos lutadores de Jiu-Jitsu, a movimentação constante é a melhor rotina, mesmo que ele não pudesse treinar forte. A bicicleta ergométrica e as pedaladas, nesses casos, sempre foram uma saída para se manter ativo. Na hora do retorno à luta, contudo, o principal é não voltar procurando ser o campeão da academia, indo para cima dos mais duros da equipe – procure fazer rolas de duração mais curta e treinos específicos para recuperar o tempo e os ajustes de cada técnica. Nesses casos, retorne com muita atenção ao aquecimento (chegue cedo ao treino), para proteger as articulações e musculatura. Evite ir até seu limite e escute seu corpo. Outra recomendação para tempos de confinamento é em relação a hidratação – você não é carro para beber água apenas quando o tanque seca, após o treino. É fundamental hidratar ao longo do dia, de hora em hora, como parte da rotina. Assim seu corpo vai produzir os fluidos corporais responsáveis pela lubrificação articular e remover as substâncias tóxicas do organismo. Para variar a água, experimente tomar a alcalina e a água de coco, favoritas de muitos lutadores. E não desanime, que as águas vão rolar e logo logo você estará de volta aos treinos. Oss!

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