O competidor master deve se preparar como adulto? Líder do ranking Juninho Boi responde

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Fabiano Boi treinando o equilíbrio na corda bamba na praia. Foto: Arquivo pessoal.


Rei da guardoplata e nas cabeças do ranking master da IBJJF, o professor Juninho Boi (FFTeam), radicado em Bragança Paulista, falou a GRACIEMAG, em artigo da edição #271, sobre seus treinos, dicas e macetes. Confira os melhores trechos!

GRACIEMAG: Qual é a principal diferença entre um faixa-preta adulto e um faixa-preta master, Juninho?

JUNINHO BOI: Acredito que a diferença principal é relativa a recuperação física. Hoje, aos 37 anos, percebo como ficamos mais cansados de um treino para o outro, e como a recuperação de uma luta para outra é bem mais demorada. Bem diferente de quando éramos mais novos, e a recuperação muscular acontecia de modo que nem sentíamos. E sei bem disso, pois já lutei campeonatos contra Marcus Buchecha, Rodolfo Vieira, Leandro Lo, Bê Faria, Serginho Moraes e tantos outros craques, e agora estamos aí nas cabeças no master. Mas a briga continua árdua!

Qual é a sua receita para minimizar as contusões nos treinos e torneios?

Eu procuro equilibrar minha rotina entre Jiu-Jitsu, musculação, cross-fit, fisioterapia e atividades variadas. Eu curto por exemplo o slackline, andar naquela corda bamba em formato de tira. Muitos outros competidores optam pela natação também, por exemplo. Mas esses são os eixos básicos que sustentam minhas exibições. E, diga-se de passagem, essa combinação tem surtido um efeito que nunca tive como competidor, inclusive no adulto.

Qual é a sua rotina para maximizar seu tempo de malhar, treinar, fazer fisioterapia e tudo mais, para que tudo renda bem e você não se desgaste?

Procuro fazer esses treinos de maneira alterada. Num dia eu faço um treino de Jiu-Jitsu e uma sessão de musculação. No outro dia, treino Jiu-Jitsu e faço um de cross-fit, e assim vai de segunda a sábado. Deixo o domingo para as atividades variadas como o slackline, para ajudar nos músculos estabilizadores e também para me divertir.

O lutador master precisa se concentrar na fisioterapia, certo? Como você vê essa atividade de prevenção e recuperação?

Antigamente, eu fazia um trabalho fisioterapêutico naquele modo padrão – quando eu me machucava eu ia lá e cuidava dos músculos com os profissionais especializados. Hoje em dia, mudei a forma de encarar isso, e faço fisioterapia preventiva com o grande Guilherme Panuncio, que além de ser um grande profissional é faixa-marrom da minha equipe, a FFTeam em Bragança.

Você se machucava muito?

Durante minha trajetória no adulto, eu me machucava por falta de experiência. Faz uns dois anos que não me machuco devido a essa nova forma de encarar minha vida profissional, com acompanhamento preventivo e profissional. Mas tenho minhas cicatrizes: dois rompimentos de tendões do tríceps, um menisco rompido e outras mais leves.

Se na sua academia chega um camarada de 45 anos querendo competir, que dicas você daria a ele?

Primeiro eu acredito que só vence quem tem disciplina. Eu começaria fazendo sugestões sobre alimentação, descanso e suplementação correta. E diria a ele para ter em mente que não somos mais garotos, pois pagamos preços mais caros com a idade. A partir daí, orientaria o aluno para treinar consciente, respeitar o corpo e não tentar se achar um menino de 19 anos na hora de rolar.

Após sua vitória no absoluto do Porto Alegre Open, o consagrado Xande Ribeiro parabenizou você no Instagram e opinou que sua raspagem é hoje das mais eficientes do Jiu-Jitsu, pois “tem começo, meio e fim – diferente de algumas que vejo que tem começo, congestiona o meio e não chega a lugar nenhum!”. A guardoplata e suas variações podem ser usadas por qualquer um?

Essa guarda que desenvolvi e chamo de “guardoplata” requer apenas um pouco de elasticidade. O leitor pode assistir no YouTube da GRACIEMAG, e vai perceber que ela depende muito de uma boa emborcada tipo berimbolo, e o atleta que for começar a executá-la precisa prestar atenção nisso, em especial na cervical, que fica um pouco exposta. Cuidar de um bom alongamento e buscar flexibilidade são requisitos. O resto é estudar e repetir muito na academia.

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  1. Pingback: Should the Master BJJ Competitors Train Like The Adult Competitors?

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