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Tributo a Murilo Bustamante: por que o craque da BTT foi um dos maiores do Jiu-Jitsu

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Murilo Bustamante celebra a faixa nova com os mestres da academia Carlson Gracie. Fotos: Divulgação

Discreto como de hábito, Murilo Bustamante convidou amigos e alunos para testemunhar uma conquista e tanto: a nova faixa-coral, após 31 anos como faixa-preta, de acordo com os padrões certinhos da IBJJF. Pois durante a celebração, realizada na AABB Lagoa no último dia 4 de agosto, um domingo, não paravam de chegar lutadores das mais diversas academias, centenas de faixas-pretas do esporte ou pupilos gratos ao que Murilo representou nos dojos. Nos discursos, a expressão “defesa do Jiu-Jitsu” ecoou, e fez sentido.

A seguir, listamos sete tópicos que fazem de Murilo Bustamante um dos mais condecorados campeões da arte suave até hoje.

1. Ouro mundial na IBJJF

Foi ainda criança que Murilo Bustamante começou a competir. Aluno na academia Carlson Gracie, bebeu da fonte de feras como Carlos Rosado, Fernando Pinduka, Otavio Peixotinho, Buchaul e outros craques – além de, claro, do icônico mestre Carlson. Já bastaria ter se sobressaído naquele cenário. Mas Bustamante foi além. Entre tantos títulos, sagrou-se campeão mundial em 1999. Em sua terceira tentativa na competição, já que em outros anos ficara com um bronze e uma prata, o já considerado veterano, que treinava Jiu-Jitsu juntamente com MMA, fechou o peso pesado com o então jovem talento Paulão Filho.

2. Seleção do Jiu-Jitsu contra a luta livre

Oito anos antes do título mundial, Bustamante participou de um evento que pesou na história da arte suave. O desafio contra a luta livre, no dia 26 de setembro de 1991, foi crucial para a popularização do Jiu-Jitsu na época. Para provar qual modalidade seria a mais eficiente, os corajosos representantes da luta livre foram os únicos a realmente “pagar para ver”. Num clima nada leve no Grajaú Country Club, sem proteções ou regras, numa das transmissões mais bizarras na história da Rede Globo, Bustamante fez parte do time vitorioso da arte suave, ao lado de Wallid Ismail e Fabio Gurgel. Busta cumpriu sua missão ao derrotar Marcelo Mendes em pouco mais de quatro minutos de combate. A partir dali, o Jiu-Jitsu se tornou uma febre, e muita gente bateu às portas de uma academia de Jiu-Jitsu e comprou seu kimono logo após aquela façanha.

3. Enfrentando o gigante

Murilo viveu toda a transição do vale-tudo ao MMA. Em 1996, no evento Mars, novamente sem muitas regras estabelecidas ou qualquer proteção, ele derrotou dois oponentes antes da final contra Tom Erikson, um monstro de quase dois metros e 130kg. A final duraria 40 minutos. O empate heróico deixou evidente a força da arte suave, mas também que já era tempo de regras mais eficientes e divisão das lutas em categorias de peso. O feito de Murilo não mudou apenas sua trajetória, mas colaborou com as mexidas nas regras.

4. Cinturão e vitória dupla no UFC

Antes de Bustamante tivemos Royce, Ruas e Belfort. Mas, depois que passou a existir uma divisão por categorias de peso definidas, Murilão foi o primeiro a afivelar o cinturão, entre os pesos médios, em 2002. O título até 84kg do Ultimate veio com um nocaute em Dave Menne. Posteriormente, defendeu seu título da principal organização mundial contra a fera do wrestling Matt Lindland, até então invicto, e precisou finalizar duas vezes: primeiro com uma chave de braço, quando o juiz errou e mandou voltar, e depois com uma guilhotina. Vitória com V maiúsculo, diante de um dos oponentes mais badalados à época.

5. Apogeu da BTT

Nos tempos de Pride, a BTT se tornou uma das equipes mais famosas do mundo. Era a força do Jiu-Jitsu contra o muay thai bem temperado com a parte de chão que vinha da Chute Boxe. Tal rivalidade fez do Brasil a maior potência do esporte. Bustamante, um dos generais de um time que contava com nomes como Minotauro, Minotouro, Ricardo Arona, Paulo Filho e José Mario Sperry, foi quem bancou a ida de Glória Maria para ver in loco o Pride FC, e o MMA ganhou enfim a tela do “Fantástico”. O visionário Murilo, portanto, se mostrou ligadíssimo no marketing.

6. Vitorioso como treinador

Assim como seu mestre Carlson Gracie, Murilão se destacou como lutador e depois treinador. Hoje, aos 53 anos, Bustamante segue vestindo o kimono, suando, amassando a galera e ensinando em seminários por todo o mundo. Depois de ser papai recentemente, segue cuidando bem da saúde e espalhando pelo planeta o estilo de vida característico do Jiu-Jitsu. Todos os anos, por exemplo, Busta é figura presente no North Shore de Oahu, Havaí, ao lado dos mais cascudos locais, e não dispensa um dia de ondas grandes em Sunset Beach. Mesmo aposentado como competidor, ele não deixa de por sua coragem à prova, agora com a prancha.

7. Faixa-coral

Ao unir alunos, adversários e companheiros de academia, o mais novo faixa-coral do Jiu-Jitsu ajuda com sua postura a destacar o lado positivo do Jiu-Jitsu – a gratidão, as amizades, a eficiência no MMA. A bandeira do Jiu-Jitsu segue bem defendida. Parabéns pela nova graduação, Murilão, nós é que agradecemos.

Por Carlos “Cobrinha” Ozório, especial para o GRACIEMAG.com.

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