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O que aprendi sobre Jiu-Jitsu sendo árbitro, por Augusto “Tanquinho” Mendes

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Augusto Tanquinho

Depois de anos arbitrando, o colecionador de medalhas da Soul Fighters Augusto Tanquinho foi campeão mundial com kimono (2013) e sem (2012/2015) e chegou ao UFC, como peso-galo.

1) No início de minha carreira como lutador profissional, eu rapidamente aprendi que ao arbitrar grandes eventos da IBJJF eu conseguia ter detalhes técnicos difíceis de serem visualizados por vídeo – detalhes e movimentações executados, ainda por cima, pelos maiores nomes do Jiu-Jitsu. Provavelmente, somente o adversário e o árbitro central têm acesso a algumas riquezas de detalhes que acontecem na luta, pela rapidez com que acontecem. Casos de uma pegada crucial ou um um controle escondido.

2) Aprendi a dominar as regras do esporte, já que eu decidi estudar muito para ser um árbitro acima da média. Isso me deu vantagens na hora da luta, ao saber utilizar a regra a meu favor quando era a minha hora de tirar o terno de árbitro e voltar a vestir o kimono.

3) Arbitrei tantas lutas em que vi atletas deixarem as vitórias escorregarem pelas mãos que aprendi que o Jiu-Jitsu é muito mais complexo do que eu podia supor. A partir desse aprendizado, senti a necessidade de me tornar completo como atleta, para ser capaz de dominar toda e qualquer ação que uma luta pudesse me levar – e não perder por detalhes no fim.

4) Aprendi a não usar o árbitro como desculpa de uma derrota. Como atleta, sabemos muito bem que ninguém gosta de perder, e às vezes procuramos desculpas para as derrotas, como dores, contusões ou erros do juiz. Sim, árbitros erram, são humanos e trabalham por vezes até o limite, mas muitas vezes acertam; cabe ao atleta ser humilde o suficiente, autocrítico e saber que ele como atleta errou também. E aí sim voltar à academia e corrigir suas falhas para chegar aonde quer chegar. E, sempre bom, vale estudar as regras a fundo, pois muitas vezes é mais fácil reclamar do que se aprofundar e entender o regulamento. Assim, ao enxergar os próprios erros em vez de culpar o árbitro, o artista marcial será capaz de sair da zona de conforto e chegar a um patamar mais elevado.

5) E, primeiro e mais importante, percebi como ser árbitro de Jiu-Jitsu é difícil, então aprendi a respeitá-los ainda mais quando estão trabalhando – eles têm frações de segundos para tomar decisões, trabalham sob uma pressão grande para acertar e não ganham bem como os lutadores profissionais. A grande maioria dos árbitros ama o Jiu-Jitsu e foi essa a maneira deles de retribuir para a comunidade, trabalhando sério e por amor.

 

  • Entrevistado por Marcelo Dunlop.

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