Cleiber Maia explica como o Jiu-Jitsu pode ser esporte, terapia e ferramenta de inclusão para todos

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Cleiber Maia e João Silva na assembleia da SJJIF. Foto: Divulgação

Presidente da Sports Jiu-Jitsu South American Federation (SJJSAF), nosso GMI Cleiber Maia está sempre envolvido com projetos de inclusão e expansão da nossa arte suave legitimamente brasileira.

Atuando em várias frentes, como o Jiu-Jitsu inclusivo para deficientes físicos e atletas com necessidades especiais, Cleiber, juntamente com o professor João Silva e a Sports Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF), busca também o sonho Olímpico, ao incluir o Jiu-Jitsu como modalidade integrante num futuro próximo. Para entender melhor todos esses planos, e como a SJJSAF e SJJIF tentam alcançar tais metas, conversamos com o professor Cleiber, e você confere o papo nas linhas abaixo.

Qual é o objetivo principal da SJJSAF ao oferecer uma experiência competitiva para os atletas especiais?

Desde que começamos com a federação trabalhamos com a inclusão no esporte. Se pensar de uma maneira mais ampla, não é só sobre deficientes físicos, a inclusão se dá também para mulheres, crianças e todo mundo que precisa de um atendimento especial. Na parte para pessoas com deficiência, trabalhamos em três níveis: o Parajiu-Jitsu, no qual existem classificações funcionais; o Jiu-Jitsu especial, no qual não há classificação, como Síndrome de Down e autismo, e não existe como criar uma competição por conta dos níveis de limitação em cada caso. Para eles organizamos lutas casadas contra atletas do UFC, artistas e etc; e o Jiu-Jitsu de surdos, que precisa de uma atenção diferenciada na parte de comunicação, para que esse atleta não se sinta excluído. Nossa intenção não é promover apenas uma experiência competitiva, ela apenas faz parte de um dos nossos três objetivos pedagógicos da federação: participação, rendimento e atuação terapêutica.

Quem serão os próximos astros convidados?

O professor Luiz Carlos Manimal quer realizar uma luta com o filho dele, que é especial, além do David Vieira, que sempre luta nossos campeonatos e desafiou o Jonatas Pitbull, que lutou com o Warlley Alves. O Thiago Marreta também queria lutar, mas a cirurgia no joelho o deixou de fora. Não tem como dar certeza porque nós batemos a agenda com os convidados, que são atletas famosos do MMA e alguns atores da TV que lutam Jiu-Jitsu, todos com disponibilidade limitada, mas que fazem de tudo para estar conosco.

Qual o maior desafio ao organizar essas superlutas de Jiu-Jitsu nas divisões especiais?

Hoje a federação banca as atividades do Parajiu-jitsu. Até temos um projeto social com apoio da lei de incentivo fiscal, mas não conseguimos prospectar nenhum patrocinador para ter esse benefício. Quando conseguirmos vamos diminuir o ônus da federação nesse quesito. Temos várias frentes de inclusão nos torneios que trazem um “risco” financeiro, como o festival infantil e as inscrições de projeto social, que têm um valor menor, lutas que fazemos sem cobrar aos atletas especiais, e isso faz com que o campeonato tenha um risco financeiro alto, coisa que outras federações não têm. Os maiores desafios são arrumar os patrocinadores para ajudar nesse projeto humanitário, de inclusão e educação com o esporte.

Como atrair as crianças ainda mais para os campeonatos?

Criança é importante, é a base do futuro do nosso esporte, mas não necessariamente trabalhar o alto rendimento com a criança é a resposta. Nem todo professor sabe promover e controlar toda essa tensão numa criança, que por vezes chega aos 13, 14 anos e não quer mais saber do Jiu-Jitsu. Nesse primeiro momento é muito importante que exista este incentivo ao intercâmbio cultural, viajar, conhecer outros atletas. Além de criar um ambiente familiar, acolhedor, sem pais e professores gritando com árbitros. Essa é a nossa missão.

Agora, existem as crianças que são super competitivas, que sonham com cinturões no MMA. E para estas nós criamos o Desafio Kids, no qual os campeões nas categorias de peso participam de um sorteio para criar superlutas que valem cinturão. Boa partes dessas crianças alcançarão um título mundial no futuro. Nós temos torneios muito competitivos nesse nicho e buscamos dar todo o suporte para atletas e professores.

Qual a próxima ação da organização em prol da expansão do Jiu-Jitsu?

Temos um plano futuro de trazer o SJJIF World Jiu-Jitsu Championship para o Brasil, muito pelo fato dos atletas que não conseguem tirar o visto para lutar lá fora. Temos algumas histórias de competidores que chegaram ao topo do nosso ranking, com passagens garantidas, e não puderam ir por conta da ausência do visto. Estamos trabalhando nisso.

E sobre levar o Jiu-jitsu brasileiro a novas frentes, como os jogos olímpicos e outros eventos de grande porte?

Em 2018 nós conseguimos levar a SJJIF para o Sports for All, evento da TAFISA que é ligado ao COI e recebe atletas com necessidades especiais, seguindo nossa missão em várias partes do mundo não só na questão esportiva, mas social. Incluímos o Jiu-Jitsu brasileiro também no African Games, no World Police and Fire Game e no World Martial Arts Games, todas com nossa organização e regras.

Qual é a grande meta da SJJSAF (juntamente a SJJIF) de expansão do Jiu-Jitsu?

A missão maior é levar o Jiu-Jitsu para os Jogos Olímpicos. Temos feito um trabalho todo em cima dessa missão, e se não obtivermos êxito será apenas por uma questão política, por conta da votação de outros comitês olímpicos das nações integrantes, que optaram em votar em outras modalidades ao invés do Jiu-Jitsu. Mas seguimos fortes em nossa missão.

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