Oscar Junior e a arte de viver do Jiu-Jitsu

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Oscar Junior visitando HH Sheikh Mohamed Bin Zayed Al Nahyan. Foto: Divulgação

Conheça a trajetória do professor de Jiu-Jitsu Oscar Junior, que começou a carreira dando aulas numa comunidade perigosa no Rio de Janeiro e hoje ensina nos Emirados Árabes e já graduou personalidades importantes da sociedade local, como é o caso recente de HE Abdulmunam Al Hashemi, presidente da UAEJJF.

Qual é a sua trajetória no Jiu-Jitsu, professor Oscar?
Nasci em São Paulo, mas meus pais se mudaram para o Centro do Rio de Janeiro quando eu era muito novo. Comecei a treinar Jiu-Jitsu aos 17, numa academia no bairro da Tijuca, onde me formei faixa-preta graças ao excelente trabalho dos professores André Almeida “Dedeco” e Marcelo Almeida “Vanusa”. Antes disso, no entanto, quando eu ainda era faixa-azul, eu já dava aulas no Morro da Mineira, para uma turma de jovens carentes e alguns adultos. Tenho muito orgulho desse período, aprendi muito por lá. Dei aulas na Mineira até o ano de 2007, quando fui tentar a vida nos Estados Unidos. Após conseguir o visto de trabalho nos EUA, já começando a me estabilizar por lá, vi uma reportagem sobre vagas para professores atuarem nos Emirados Árabes. Mandei e-mail pedindo mais informações e abracei a oportunidade. Com certeza foi uma verdadeira bênção na minha vida e na vida da minha família.

Como foi a sua adaptação nos Emirados Árabes?
Foi muito tranquilo, ainda mais se compararmos com o meu início no Jiu-Jitsu, ainda no Rio de Janeiro. No Rio, viví em bairros com muita violência e trabalhei numa das favelas mais perigosas da cidade. Tenho como regra e lição de vida tentar sempre respeitar as regras e os costumes dos outros, acho que isso me ajudou muito em minha adaptação e aceitação, tanto no Brasil, nos Estados Unidos, e principalmente nos Emirados Árabes.

Graduação do Presidente da UAEJJF, HE Abdulmunam Al Hashemi. Foto: Divulgação

Você transitou por diversos setores nos Emirados, certo?
Passei por muitos setores e programas nesses dez anos aqui nos Emirados, começando pelo Programa de Jiu Jitsu nas Escolas Públicas, em 2009. Trabalhei também em vários cursos para adolescentes, e atualmente dou aulas nas Forças Especiais do Exército. Aqui, nos Emirados, eu me sinto em casa. Vivemos eu, minha esposa, Anna Carolina (que também é faixa-preta e trabalha com projetos que envolvem o Jiu-Jitsu), e dois filhos, uma bebê de 1 ano e um filho de 18 anos, Matheus Ardisson, que vem traçando os mesmos passos no Jiu Jitsu. Ele inclusive tem se destacando nas competições locais, ficou um bom tempo sendo lapidado pelo seu padrinho, Raphael Abi-Rihan.

Quais são as principais dicas que você costuma dar a quem tem o sonho de viver do Jiu-Jitsu?
A crítica que mais ouvi na minha trajetória foi: “Vá procurar um trabalho decente! Esporte é lazer, não vai conseguir sustentar sua família”. Acho que o segredo é usar essa energia negativa às avessas, como se fosse uma fonte de motivação. É preciso seguir em frente. A dica que tenho a dar é: primeiro tenha certeza que é isso o que você quer. Depois, pode parecer clichê, porém, é a mais pura verdade: NÃO DESISTA! Seja honesto e respeitador, sua hora vai chegar!

Professor Oscar Junior ensinando em projetos sociais no Brasil. Foto: Divulgação

Quais são as peculiaridades do Jiu-Jitsu que é praticado nos Emirados Árabes?
Tivemos que quebrar muitas barreiras por conta dos costumes, cultura e religião serem bem diferentes da realidade do Brasil, acredito ser a grande peculiaridade do Jiu-Jitsu nos Emirados. Foi um começo bem difícil, mas com o suporte de HH Sheikh Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, do Presidente da UAEJJF HE Abdulmunan Al Hashemi e os professores que fazem parte desse enorme projeto, o projeto cresceu cada vez mais em todos os sentidos e permite que centenas de brasileiros vivam dignamente dando aulas de Jiu-Jitsu.

O que de mais importante você aprendeu nesses anos vivendo nos Emirados?
Acredito que aprender a lidar com essa grande diversidade seja o maior aprendizado. O povo local é muito acolhedor, temos professores de todos os estados do Brasil e temos influência também de diversas nacionalidades. Vivem aqui muitos europeus, norte americanos, asiáticos, que, embora tenham culturas e religiões diferentes, fazem deste lugar um país muito especial.

Quais são as principais virtudes que você avalia nos alunos ao graduá-los a faixa-pretas?
O trabalho vem sendo feito lá atrás. Acho que até a faixa-marrom a parte técnica e tática já está bem desenvolvida. O praticante já tem seu “jogo” definido, não que isso não possa mudar. Acredito que a faixa-preta está mais relacionada ao amadurecimento do “artista marcial”. Mas é importante ficar bem claro que o aprendizado não acaba pelo fato de se amarrar a faixa-preta na cintura. Apenas um novo capítulo se inicia.

Atenção especiais às crianças, futuro do Jiu-Jitsu nos Emirados Árabes. Foto: Divulgação

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