Jéssica Bate Estaca fatura cinturão no UFC Rio; Anderson Silva e José Aldo são superados

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O UFC 237 tinha tudo para ser uma noite de alegria para o Brasil, repleta de grandes nomes do esporte, campeões lendários que costumavam ser as estrelas principais de qualquer card. Teríamos reunidos, em um mesmo evento, Anderson Silva, José Aldo Júnior, BJ Penn e Rogério Minotouro, lutadores que representam a história viva do MMA. Com tudo isso, muita gente não estava dando a devida atenção ao evento principal da noite: a disputa de cinturão do peso palha feminino entre a batalhadora Jéssica “Bate Estaca” Andrade e a corajosa Rose Namajunas.

Todavia, a noite acabou sendo “escura e cheia de horrores” para as lendas, como profetizava a feiticeira Melisandre em “Game of Thrones”.

O primeiro a cair foi BJ Penn, membro do Hall da Fama e campeão de duas categorias (peso leve e peso meio-médio) do UFC. Penn esperava se beneficiar do apoio contagiante da torcida brasileira para voltar ao caminho da vitória. O havaiano começou bem a luta e venceu o primeiro round contra o “Carpinteiro” Clay Guida. Os fãs começaram a ter esperança de que este seria um “canto do cisne” de BJ, que não vencia desde 2010. Porém, mais uma vez, o ex-campeão se cansou no decorrer da luta e passou a ser dominado por Guida nos rounds seguintes. Ao final da luta, Clay Guida venceu por decisão unânime dos jurados e BJ amargou sua sétima derrota consecutiva. Ainda assim, temos que respeitar um guerreiro que lutou no UFC 37 (2002), no UFC 137 (2011) e no UFC 237 (2019).

Era a vez dos ídolos brasileiros. Rogério Minotouro foi recebido com aplausos ensurdecedores na Jeunesse Arena. Vindo de boa vitória contra San Alvey, Minotouro aceitou enfrentar Ryan Spann no Rio, mesmo seu oponente sendo 15 anos mais jovem. Quando a luta começou, a diferença de força e idade ficaram evidentes. Spann foi muito agressivo e acertou uma boa sequência 1-2, seguida de um estrondoso upper de esquerda que levou o brasileiro à lona. Após mais dois socos, o juiz interrompeu a luta e seguiu-se o silêncio.

As derrotas de Bethe Correia e Thiago Pitbull no card principal trouxeram ainda mais pessimismo.

A sempre esperada participação de José Aldo em um card no Rio de Janeiro estava carregada de boa energia e parecia que traria uma virada. O público foi à loucura quando Aldo entrou empolgado, ao som de sua tradicional música “Run This Town”. Mas Alexander Volkanovki veio preparado justamente para esfriar esse ânimo. O australiano usou uma estratégia inteligente de cadenciar a luta, evitar longas trocas de golpes, encurtar a distância e usar muita pressão na grade para anular os pontos forte do manauara. Volkanovski foi metódico, executou bem a mesma tática em todos os rounds e vendeu Aldo por decisão unânime dos jurados. Foi a primeira derrota de José Aldo por pontos em toda sua carreira.

Ainda assim, nem mesmo a mais agourenta das bruxas poderia ter previsto o infeliz resultado da luta entre Anderson Silva e Jered Cannonier. O que deveria ser a gloriosa volta do Spider ao Brasil após a emocionante luta contra Israel Adesanya acabou sendo uma reprise do frustrante desfecho do UFC 168. Após um equilibrado começo de luta, Anderson começava a se soltar e a aplicar golpes plásticos. Com pouco mais de quatro minutos de combate, Cannonier desferiu um chute na perna do brasileiro e Anderson acabou lesionando gravemente o joelho direito. A peleja foi interrompida e Silva teve que ser carregado para fora do octógono.

Quando tudo parecia perdido, mais uma vez as mulheres salvaram o reino. Jessica “Bate-Estaca” estava focada em não deixar a chance escapar novamente (já havia perdido uma disputa de cinturão em 2017) e mostrou ter o coração de campeã. Mesmo depois de ser dominada pela trocação eficiente de Rose no primeiro round e de sofrer um corte com sangramento, Jéssica continuou indo para cima da campeã. Tentava com afinco aplicar seu jogo de quedas e pressão, sem desanimar pelo atraso inicial. Eis que, com pouco menos de três minutos do segundo round, Jéssica entrou nas pernas de Rose, a suspendeu e realizou uma das quedas mais brutais da história do UFC. Namajunas caiu de cabeça e apagou.

Assim, de forma quase poética, Jéssica “Bate-Estaca” Andrade sagrou-se campeã ao aplicar um belíssimo “bate-estaca”. Assim, uma noite que parecia irreversivelmente escura para o Brasil acabou sendo iluminada por mais um cinturão.

UFC 237
Jeunesse Arena, Rio de Janeiro
11 de maio 2019

Jéssica Bate-Estaca nocauteou Rose Namajunas aos 2min58 do R2
Jared Cannonier venceu Anderson Silva na nocaute técnico aos 4min47 do R1 (lesão no joelho)
Alexander Volkanovski venceu José Aldo na decisão unânime dos jurados
Laureano Staropoli venceu Thiago Pitbull na decisão unânime dos jurados
Irene Aldana finalizou Bethe Correia na armlock aos 3min24 do R3

Card preliminar

Ryan Spann nocauteou Rogério Minotouro aos 2min07 do R1
Thiago Moisés venceu Kurt Holobaugh na decisão unânime dos jurados
Warlley Alves nocauteou Sérgio Moraes aos 4min37 do R3
Clay Guida venceu BJ Penn na decisão unânime dos jurados
Luana Dread venceu Priscila Pedrita na decisão unânime dos jurados
Raoni Barcelos venceu Carlos Huachin na nocaute técnico aos 4min49 do R2
Viviane Araújo nocauteou Talita Bernardo aos 48 segundos do R3

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