Rompeu o ligamento? Entenda o caso na visão de um especialista esportivo

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A melhor dica para não se lesionar é saber a hora de bater. Foto: Raphael Nogueira/GRACIEMAG

Texto: *Dr. Al DeSimone

A ruptura do ligamento cruzado anterior (conhecido no esporte e na medicina pela sigla LCA) continua sendo uma das contusões mais devastadoras para um atleta, e no caso dos lutadores isso não é diferente. O LCA é um dos principais ligamentos de apoio dentro da articulação do joelho, proporcionando a estabilidade necessária a essa região do corpo durante esportes de corrida, de dribles ou de torções.

Nos últimos anos, tenho visto uma quantidade crescente de lesões de LCA em competidores de Jiu-Jitsu e outras artes marciais. Um estudo recente determinou que 4% das lesões do LCA ocorrem em atletas de artes marciais, e com uma frequência três vezes maior no meio da luta ou perto do fim desta.

Como a lesão ocorre com maior frequência durante lances de torção (em vez de lances de impacto), são as chaves de tornozelo e os leglocks as manobras de mais alto risco para uma ruptura do LCA. O diagnóstico é geralmente feito por meio da obtenção de um histórico completo, bem como da realização de um exame clínico. O atleta costuma descrever sintomas clássicos, como o estalo percebido dentro da articulação do joelho, seguido de imediata dor ou inchaço.

Muitas vezes é difícil suportar o peso do corpo naquele joelho, devido ao desconforto e à sensação de instabilidade. Os raios-X, embora comumente exibam na imagem uma aparência normal, podem mostrar fraturas associadas. A ressonância magnética é o teste de diagnóstico preferido,pois vai confirmar um LCA rompido e ajudar a visualizar outras lesões dos tecidos moles que também podem ter ocorrido no momento da contusão.

O tratamento inicial do atleta com uma ruptura do LCA, de acordo com nossa visão, consiste em gelo, repouso, compressão e elevação da perna. Usar pouco o joelho para sustentar o peso do corpo é frequentemente recomendado, por isso o uso das muletas. Uma tala também pode fornecer mais estabilidade e proteção de lesões concomitantes envolvendo o joelho.

É crucial no tratamento inicial a fisioterapia, para readquirir parte da amplitude de movimentação, melhorar a força do quadríceps e diminuir o inchaço. Atletas ou indivíduos com alto nível de demanda muitas vezes justificam intervenção cirúrgica. O tratamento consiste na reconstrução do ligamento cruzado anterior, além da intervenção em outras lesões associadas.

Imediatamente após a cirurgia, aconselha-se a imobilização com a tala, uso de muletas para deslocamento e a fisioterapia. Movimentos controlados ligados ao Jiu-Jitsu podem ser retomados dentro de quatro a seis semanas após a operação. Isso inclui, no início, um trabalho de chão voltado para a defesa com o uso de talas, seguido por uma progressão para as técnicas de equilíbrio e força. O retorno total às competições é geralmente permitido em oito meses e meio a nove meses, o que possibilita a cura apropriada, o retorno da força da perna e a maturação do enxerto do ligamento. Os resultados cirúrgicos geralmente são excelentes e o atleta terá tudo para retomar suas atividades funcionais completas, incluindo o Jiu-Jitsu e as artes marciais de alto nível.

 

Dr. Al DeSimone. Foto: Divulgação

*Dr. Al DeSimone é cirurgião ortopédico certificado, com especialização em esportes. Ele atende há 24 anos e atualmente é diretor do Instituto de Medicina Esportiva do Sul da Flórida. Participou como médico da equipe de esqui olímpico dos EUA, do time nacional de rugby americano e em equipes de hóquei no gelo. Ele atua ativamente na comunidade do Jiu-Jitsu na Flórida e tratou vários lutadores profissionais. Desde 2008, sua organização sem fins lucrativos, a “Charity for Champions”, forneceu mais de 400 bolsas de estudo para jovens esportistas.

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