Lições do craque: Royce Gracie analisa o Jiu-Jitsu nas primeiras edições do UFC

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Royce Gracie contra Ken Shamrock no UFC 1. Foto: Susumu Nagao.

Aos 51 anos, Royce Gracie segue altamente requisitado para seminários em todas as partes do planeta, 25 anos após a apoteótica vitória no UFC 1, em 12 de novembro de 1993. O lendário lutador, que ensinou o Jiu-Jitsu para o mundo mesmo sem dizer uma palavra sequer, pelas imagens das TVs americanas ou das vitas VHS passadas de mão em mão, começou sua caminhada na Califórnia, onde reside até hoje.

Anos antes de ir a Denver, se trancar numa jaula com campeões de diversas outras artes marciais, Royce era o instrutor de confiança do irmão Rorion, na academia montada na garagem de sua casa. Por dezenas de vezes, a fera foi o linha de frente escalado para amansar os valentes desafiantes do Jiu-Jitsu nos tradicionais tatames verdes do espaço. O fato de estar sempre em boa forma para qualquer parada dura moldaria Royce de vez, e influenciaria milhares de seres humanos ao redor do planeta, para sempre.

Nossa equipe conversou recentemente com o professor e atleta, que estampou a capa da GRACIEMAG #259, e desvendou algumas curiosidades dos bastidores dos primeiros UFC, além de entender como o Jiu-Jitsu foi essencial para o sucesso do temido lutador de kimono nos cages. Confira!

GRACIEMAG: Desde que você chegou na Califórnia em 1984, fez dezenas de “conferes” na academia, com praticantes de outras artes. Imaginava que algum dia aquilo lhe daria fama?

ROYCE GRACIE: Foram tantos que nem lembro… Mas tem uma diferença: na época da garagem, os conferes eram mais com a intenção de fazer o adversário virar aluno, e não de ganhar dele como numa luta do UFC. Era bem diferente.

Não acha então que o fato de precisar estar pronto para tantos “visitantes” o ajudou a se tornar naturalmente aquela máquina de lutar que vimos no UFC 1? Em termos de frieza, raciocínio etc?

Não, não bastava estar naturalmente afiado para os desafios na garagem. Acho que foi uma coisa além. Isso se chama ser um artista marcial, com disposição para provar que a minha arte funciona, e querer muito servir de exemplo para os alunos, e que se alguma coisa acontecer na rua você tem de estar pronto para reagir. Afinal, não vai haver tempo de ir para casa se preparar…

Você fez combates épicos, como naquela hora e meia contra o Kazushi Sakuraba no Japão, em 2000 pelo Pride FC. Como funcionava sua mente numa luta?

A cabeça não tem tempo para pensar em nada, é só o reflexo do treino reagindo. Treinei muito para isso.

Há alguma técnica de Jiu-Jitsu e defesa pessoal mais importante que as demais?

Todas são importantes. É o conjunto delas que faz o Jiu-Jitsu ser tão eficiente, não apenas uma.

Você chegou a tomar uma mordida no UFC… Como lidou com a surpresa?

Foi na final do primeiro UFC (contra o Gerard Gordeau), quando derrubei o adversário e montei. Ele então mordeu a minha orelha, uma das poucas coisas que não valia, aliás – a outra era dedo no olho. Ignorei quando ele deu os três tapinhas (risos).

Você já pensou no que teria ocorrido se você fosse consumido pela adrenalina, errasse algo e perdesse no primeiro UFC? Como fez para tirar tal responsabilidade dos ombros?

Nunca pensei nisso. Tirar o peso foi responsabilidade da minha família. Mas eu acredito totalmente no Jiu-Jitsu, treinei para ganhar e a minha família me deu total confiança – a começar, pois provara o valor das nossas técnicas bem antes de mim.

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