Gabi Pessanha e as lições de superação para vencer no Abu Dhabi Grand Slam do Rio

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Gabi finalizou a faixa-preta Francisca Floras com um ezequiel pelas costas na final até 90kg. Foto: Carlos Arthur Jr.

Faixa-marrom de apenas 18 anos, Gabrieli Pessanha segue conquistando seu espaço entre a elite do Jiu-Jitsu mundial. Nascida e criada na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a representante da Infight, sob a batuta do professor Márcio de Deus na TMD House, Gabi tem no seu currículo, apesar da pouca idade, grandes conquistas e superações na arte suave.

Atual líder do disputado ranking da UAEJJF, com títulos expressivos em todos os Grands Slams desta temporada (Tóquio, Londres e Rio de Janeiro), Gabi coleciona experiências e ouros na parece, mas suas vitórias vão além do sucesso nos tatames. GRACIEMAG bateu um papo com a fera e aprendeu com a jovem Gabi a receita para vencer os medos, confiar no trabalho a ser realizado, e como superar a si mesmo todos os dias, para ter um amanhã melhor no esporte e na vida. Confira!

GRACIEMAG.com – A primeira não poderia ser diferente: Quem é a Gabi Pessanha e como ela conheceu esse tal Jiu-Jitsu, esporte no qual ascendeu tão rapidamente?
Gabi Pessanha – Eu ficava muito no campo de futebol perto da minha casa, na Cidade de Deus. Jogando bola, soltando pipa, brincando. Até que um dia chamaram as crianças para treinar Jiu-Jitsu no projeto social da igreja. Eu não estava no campo, mas meu amigo Lucas correu na minha casa para me chamar. Não queria treinar, mas ele disse para eu ir olhar só. Não gostava dessa coisa de ficar agarrada, suando. Sou muito tímida. Um dia o Marcio de Deus, que é o meu professor até hoje, de tanto me ver assistir ao treino me chamou para treinar. Fiz a aula, voltei no outro dia e nunca mais parei.

E então o seu sonhou se tornou virar uma grande campeã no Jiu-Jitsu, ou isso veio com o tempo?
No início eu fazia mais por diversão, mas ia focada para treinar e aprender. Nunca pensei que seria competidora, que iria viajar o mundo para lutar, essas coisas. Um dia o Marcio falou no treino que um atleta da Infight de 17 anos na época (o Lucas Valle) ia lutar lá fora . Meus olhos brilharam, eu queria isso também. Eu achava que era impossível, que não íamos conseguir juntar dinheiro para eu ir, mas eu trabalhei ainda mais forte e motivada e ser melhor do que eu era todos os dias. E eu consegui.

Sobre sua mais recente atuação, no Abu Dhabi Grand Slam do Rio de Janeiro. Como foi a experiência de lutar em alto nível tão perto de casa e dos amigos? A cobrança foi maior?
Eu estava muito feliz por lutar pero de casa, meus amigos de treino, que me motivam muito. Todo Grand Slam é bom de lutar. No ano passado eu preferi não lutar no Rio, por que na minha categoria de juvenil não tinha premiação, então eu trabalhei no campeonato. Eu me sinto em casa lutando nos Grands Slams, mas isso não tirou meu nervosismo de sempre. Não por eu me considerar favorita, e sim porque, como eu falei, a vida é feita de experiências e eu sou grata a Deus pois, mesmo com pouca idade e faixa-marrom, eu já passei por muitas coisas que me fizeram amadurecer, como pessoa e como atleta. Uma delas é sobre o favoritismo. Acho que é 50% para cada um, o Jiu-Jitsu é muito como o xadrez mesmo: não vence quem é o melhor, e sim quem errar menos, estiver mais concentrado e tiver a melhor estratégia. Não adianta ser favorito e não ter foco na hora.

Inclusive, na etapa do Rio, você enfrentou algumas pedreiras, campeãs na faixa-preta e atletas com muito mais experiência. A tensão foi além do normal em algum momento?
A vida é feita de experiências, assim como o Jiu-Jitsu. Eu lembro que no Pan de 2016, era faixa-azul juvenil ainda, eu perdi o absoluto. O medo de perder me fez perder. Não desmerecendo minha adversária, ela teve todo o mérito de ganhar, mas antes de lutar eu estava assim: “Caramba! E se eu perder, o que vão pensar?” Eu não tinha nenhum companheiro de treino perto, por mais que o professor Rogério Poggio (líder da Infight) estivesse lá, não tinha ninguém do meu cotidiano, que conhece o meu jogo de perto. Fiquei muito nervosa e perdi. Essa experiência eu levo até hoje. Sempre que eu vou lutar, não importa se a adversária é conhecida ou não, penso sempre que minha maior adversária sou eu, pois eu tenho que vencer, antes, o meu nervosismo, o meu medo de perder, meu medo de travar na luta. Eu luto muito comigo mesma, por isso não me intimido com as adversárias que eu enfrento.

Você deve ter superado muita coisa para chegar no nível que se encontra hoje como competidora. Quais os desafios que você passou como atleta e como isso pode ajudar outros competidores a chegarem mais longe no Jiu-Jitsu deles?
O Jiu-Jitsu mudou muito a minha vida. Eu não sei quem eu seria hoje sem o Jiu-Jitsu. Já passei por muita coisa boa e ruim, que sem o Jiu-Jitsu ia ser muito mais difícil de lidar. A disciplina do esporte me ajuda muito por conta da minha pouca idade. Eu amadureci muito em pouco tempo. Agradeço a Deus pelas experiências que eu passei. Uma coisa que eu passo com certa frequência é amasso nos treinos. Tem treino que eu saio pensando: “Por que eu faço isso? Eu sou muito ruim!”, e geralmente é perto do campeonato, uma semana antes de lutar eu apanho e não consigo fazer nada nos treinos. Chego a pensar que eu vou perder feio no campeonato a seguir. Mas teve um dia, com meu amigo Victor Oliveira, que eu conheci uma passagem da bíblica que diz: “Quem plantou chorando, vai colher sorrindo.” Trouxe para mim e sempre que eu treino “chorando”, já sei que vou vencer sorrindo no campeonato. Outra coisa é que eu não deixo essa coisa de fama subir à minha cabeça. Fico feliz, pois é sinal de que eu estou no caminho certo, e acaba sendo um combustível para querer ficar ainda melhor. Eu abri mão de algumas coisas para treinar e me preparar, ficar melhor do que antes, e valeu a pena. Fico feliz em poder motivar outras pessoas, assim como muitas me motivaram.

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