Uma vitória da esperança na Rocinha

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A passarela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

A passarela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

 

Ao realizar uma pesquisa sobre Jiu-Jitsu outro dia, um curioso deparou-se com interessante texto sobre a arte suave, o tráfico de drogas na Rocinha e a questão da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro. Assim começa o artigo:

“A disputa pelos pontos de venda de drogas na favela da Rocinha matou mais de dez pessoas, interrompeu o acesso da zona sul à zona oeste via São Conrado, e limitou a vida de muitas famílias (do “morro e do asfalto”) a dias de reclusão dentro de casa. Em consequência disso, a academia Rocinha Jiu-Jitsu fechou suas portas por cerca de duas semanas.”

Triste cena, descrita em detalhes na matéria pelo professor Otávio “Tatá” Duarte. Tatá, no entanto, explica por que jamais pensou em desistir de seu projeto social: “Claro que o projeto continua. Aliás, dar aula na Rocinha é maravilhoso. Os moradores são super hospitaleiros, nunca tive problemas com traficantes”.

O texto segue em frente, se agachando em meio ao fogo cruzado:

“Quanto à tão discutível intervenção das forças armadas nas favelas, Tatá garante que não está aí a solução do problema. Para o professor, o único jeito de combater o banditismo é dar emprego, saúde e motivação de viver aos moradores de tais áreas: ‘Se as ações sociais na Rocinha fossem feitas de forma articulada e em maior quantidade, a violência estaria com os dias contados’”.

A reportagem, apesar de atual, não foi escrita este mês. Nem este ano, na verdade. Está nas páginas de GRACIEMAG, na edição de maio de 2004 (número 88). Quase 15 anos se passaram, e os problemas permanecem aparentemente os mesmos. Mas e a Rocinha Jiu-Jitsu, como anda?

“Nunca tivemos moleza, mas a academia segue funcionando há mais de duas décadas”, celebra Tatá, 43 anos. “Nunca cogitamos desistir. E olha que jamais tivemos apoio de nenhum governante, mas a força do Jiu-Jitsu e a garra dos moradores da Rocinha nos permitiram continuar em frente”.

Graças àquela sementinha plantada por Tatá em 1996, por acaso o mesmo ano em que saiu nas bancas o primeiro número de GRACIE Magazine, a valente Rocinha Jiu-Jitsu segue de vento em popa, ajudando jovens a encontrar um rumo – além de emprego, saúde e motivação de viver, como nas sábias palavras de Tatá acima.

A academia tem os treinos puxados pelos guerreiros Lênio Montanha, Roberto Merreca, Nelson Aragão, Willian Viana e Carlos Alberto Lobo, instrutores que não desanimam nem quando há conflito no morro. “Nesses dias, os alunos não aparecem. Não conseguem sair de casa”, admite Tatá, antes de contar as novidades positivas.

“O Jiu-Jitsu transforma vidas e na Rocinha não seria diferente. Já tive alunos que saíram dali e foram treinar crianças e o exército dos Emirados, em Abu Dhabi; outros, seguem no Rio ganhando seu pão com o Jiu-Jitsu, ajudando a formar cidadãos e cidadãs nos tatames”, lista o professor.

“Há poucos meses, nosso dojô, que ficava numa laje forrada por um toldo, a mercê de eventuais balas perdidas, mudou-se para um espaço maravilhoso, pertinho daquele campo de futebol visto por quem passa pelo túnel e pela Lagoa-Barra. Quando o pessoal de GRACIEMAG quiser, pode vir fazer uma visita”, convidou Tatá, por fim.

E aquele curioso, que mexeu em sua coleção antiga de GRACIEMAG apenas para rever uma técnica de finalização, fechou a revista convicto de uma lição que aprendeu anos atrás, de um sábio mestre: “O Jiu-Jitsu é capaz de melhorar todos os aspectos de nossa vida. Afinal, é um sistema de vida, e não apenas um sistema de luta.”

Para ler artigos como este, assine GRACIEMAG, aqui.

Tatá Duarte e seus alunos e companheiros de equipe da Rocinha Jiu-Jitsu, em foto das antigas.

Tatá Duarte (sob o relógio) e seus alunos e companheiros de equipe, em foto das antigas na Rocinha Jiu-Jitsu. Foto: Divulgação.

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