Carlão Barreto lança livro no Rio e dá 10 dicas para você melhorar no Jiu-Jitsu

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Comentarista do Combate e SporTV, Carlão. Barreto conta suas histórias em livro. Foto: Divulgação

Professor formado por Carlson Gracie e comentarista dos canais SporTV e Combate, Carlão Barreto está lançando o livro “MMA – Além de uma paixão” no Rio de Janeiro, berço mundial das artes marciais mistas. O evento, que será aberto ao público e terá presenças de diversos nomes do MMA nacional, ocorre no dia 15 de dezembro, às 19h, na livraria Travessa de Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, nº 572.

A obra retrata os bastidores do esporte mais casca-grossa do mundo. Os tempos iniciais, a profissionalização e o desenvolvimento dos atletas para a multiplicidade exigida pelo MMA. Ex-lutador profissional e um dos pioneiros do antigo vale-tudo, Carlão também conta sua trajetória no esporte.

E, para deixar o fã de Jiu-Jitsu e MMA ainda mais curioso sobre o livro, Carlão enviou com exclusividade para GRACIEMAG dez dicas que tirou de sua vivência nos ringues e tatames para você melhorar – como praticante, instrutor ou pessoa.

“Durante todos estes anos, tenho aprendido a tirar uma lição de tudo que eu vivo”, ressalta Carlão. “Sejam coisas boas ou ruins; assim vou criando meu código do guerreiro, sempre procurando lutar o bom combate. Eis a seguir minhas dicas”, ensina.

1. Humildade

Essa lição aprendi quando ainda lutava vale-tudo. Estava no início da carreira, invicto e arrogante. Fui convidado a lutar o UFC, queriam que o chamado “exterminador de wrestlers” enfrentasse o jovem e promissor gigante que já começava a assombrar o mundo: Mark Kerr. O duelo estava marcado para o UFC 15, num torneio que definiria o novo desafiante ao título dos pesados. Todos só falavam dessa luta, esquecendo que antes teríamos oponentes para enfrentar… Foi quando descobri da pior forma que a prepotência precede a queda. Fui eliminado na primeira luta, contra o canadense Dave Beneteau, frustrando os planos do evento e principalmente os meus. Ali entendi que a humildade é a principal característica de um verdadeiro campeão.

2. O tempo é curto para distrações

Quando temos uma meta, devemos persegui-la sem parar. Se um lutador com talento deixa de se dedicar à sua carreira, para cair na curtição, achando que é jovem e o tempo conspira a seu favor, corre grande risco de se frustrar, de ver seus sonhos escorrerem por entre seus dedos. Isso quase aconteceu comigo, por isso aprendi a valorizar o tempo. O segredo é não ficar escravo dele, e sim tê-lo como aliado, para aprender, evoluir e crescer como ser humano. Viva a vida, mas não deixe ela levar você!

3. Nunca é tarde

Outro dia um amigo faixa-preta estava indeciso, se deveria “largar tudo” ( seu emprego convencional) e viver de Jiu-Jitsu,. Já se sentia “velho” para mudanças. Como vivi algo parecido, pude lhe dizer apenas uma frase: “A capacidade de recomeçar tudo quantas vezes forem necessárias faz dos fracos, fortes.” (De Augusto Cury.)

4. Valorize quem veio antes de você

Num campeonato recente no Rio, vi uma cena que me incomodou. Jovens campeões de Jiu-Jitsu desfilavam suas reluzentes medalhas, e ao passarem pelos grandes mestres Robson e Reyson Gracie, olharam e ignoraram esses ícones do Jiu-Jitsu, como fossem de sua idade e graduação. Não pararam e se curvaram, muito menos agradeceram por tudo que estes representam para o esporte. A lição: não adianta aprender raspagens, berimbolos e armlocks e ignorar a história do Jiu-Jitsu. Só assim seremos aptos a perpetuar valores que fazem dessa modalidade tão especial. Valorizar nossa história é preservar nossas raízes e construir um Jiu-Jitsu para além de troféus e medalhas.

5. Resiliência

Para ser um campeão nos tatames e na vida, algo que deve estar no DNA do lutador é a resiliência, isto é, ter a capacidade de enfrentar a pressão , superar-se, exorcizar os fantasmas e seguir em frente. Isso é de suma importância para se obter sucesso em sua carreira. Quando observo um lutador, a primeira coisa que procuro em suas atitudes é a resiliência. Caso não veja isso em suas atitudes, em seu olhar, recomendo repensar sua carreira e prioridades.

6. Respeito ao próximo

Respeito é a base de um relacionamento. Se você não respeitar seus pares, você não se respeita, tornando-se uma pessoa sem valores éticos e morais. No tatame, aprendemos a respeitar o próximo, pelo amor ou pela dor. “Respeite para ser respeitado” é a frase que deve ser lembrada em cada treino, competição e também na vida.

7. Sem saber que era impossível, foi lá e fez

Esse provérbio chinês retrata bem a arte suave. Quando ensino uma posição, sempre procuro desmistificar uma velha crença: que a posição X ou Y não funciona “no meu jogo”. A arte suave é democrática, ela se adapta a qualquer tipo físico, basta achar o posicionamento certo para executar a técnica. O impossível não existe dentro do dojô. Lembre-se disso na próxima aula!

8. Aprender sempre

Alguns já devem ter ouvido que em alguns ofícios nunca paramos de aprender. Pois bem, no Jiu-Jitsu é assim. Não podemos achar que, por termos chegado na faixa-preta, ou sermos campeões, já sabemos tudo. Devemos ter a mente aberta para aprender sempre. Um professor antenado pode levar seus alunos a ultrapassarem seus limites, aprendendo novas posições e juntos atingindo um outro nível de conhecimento.

9. Autoconfiança

Ouvimos que o Jiu-Jitsu desenvolve a autoconfiança de quem o pratica, e isso é a pura verdade. A convicção de que somos capazes de realizar ou fazer alguma coisa com excelência nos dá segurança para nossas tarefas diárias, principalmente no convívio social. Porém, nunca se pode confundir tais sentimentos, deixando aflorar atitudes que nada têm a ver com autoconfiança, mas sim com prepotência e truculência. A prática de artes marciais nos faz entender que enfrentar nossos medos e controlar nossas atitudes são práticas constantes, que nos fazem pessoas seguras, mas nunca arrogantes! Seja autoconfiante, transmita isso para seus amigos, ajudando-os nesse processo de autoconhecimento. Ser autoconfiante é ser desapegado da vaidade.

10. Nosso pior inimigo: a preguiça

Muitos acham que o pior inimigo do lutador é a vaidade. Sim, ela é nociva e perigosa, mas considero a preguiça um mal silencioso, muitas vezes camuflado de desculpas e crenças limitantes. A preguiça física e mental nos deixa estagnados, entocados na nossa própria inércia, contaminando nosso talento e limitando o crescimento de nossas habilidades. Fuja da preguiça! Estimule suas habilidades, sem achar que sabe tudo, e procure sempre se colocar na linha de frente, longe da zona de conforto. Você pode chegar ao mesmo patamar daqueles campeões que tanto admira, basta treinar duro, aproveitar o seu tempo e manter sua mente focada. Não deixe a letargia dominar suas atitudes. O Jiu-Jitsu é uma luta “viva”, em constante evolução. Para você obter conhecimento, terá que manter a guarda alta, estar sempre acordado.

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