Erberth Santos: “Não existe atalho para ser campeão mundial de Jiu-Jitsu”

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Erberth na montada que lhe valeu o ouro no Mundial de Jiu-Jitsu. Foto: Gallerr

Após estrear no Mundial como faixa-preta com o vice-campeonato absoluto, em 2016, Erberth Santos sacudiu a poeira e voltou para a edição 2017, em Long Beach, com pique total.

O atleta da Almeida Jiu-Jitsu, que representou a Atos no torneio por equipes, teve de superar a perda do primeiro lugar no ranking faixa-preta, para Leandro Lo, e a eliminação nas chaves do absoluto para poder brilhar no super pesado.

Foram três lutas até o título, com vitórias sobre Fernando Reis (Alliance), Mahamed Aly (Lloyd Irvin) e, na final, o sucesso sobre Bernardo Faria (Alliance) por 9 a 0 nos pontos.

Em conversa com a equipe de GRACIEMAG, Erberth falou das dificuldades até a conquista do mundo, em um caminho tortuoso e sem atalhos, no qual ele só prosperou, em suas palavras, com a ajuda de seus amigos e patrocinadores, que estiveram sempre por perto para lhe dar o suporte necessário.

Confira a entrevista abaixo!

GRACIMAG.com: Depois da campanha em 2016 com o vice-absoluto, o Erberth cumpriu a promessa e venceu seu primeiro Mundial em 2017, em seu segundo ano de faixa-preta. A sensação é de missão cumprida?

Erberth Santos: Ano passado eu fui para buscar o ouro no peso, acabei chegando na final do absoluto e perdendo na minha primeira luta do peso. Aprendi que nem sempre é do jeito que a gente quer, eu trabalhei o ano todo pensando no Mundial e quando perdi a luta fiquei extremamente triste ao ponto de nem querer lutar a final do absoluto, mas recebi o apoios de todos e fui lutar. Para o Mundial deste ano, o meu objetivo era ser campeão do peso e graças a Deus deu certo. É gratificante saber que o trabalho que eu e minha equipe estamos fazendo está correto, mas esse é só o começo. O título serve apenas como motivação para alcançar voos maiores, por isso vou me dedicar dobrado pra que eu conquiste outros mundiais!

Você sempre comenta seus percalços até chegar à faixa-preta e às conquistas no Jiu-Jitsu. Qual foi o maior obstáculo que o Erberth teve de superar para se tornar campeão mundial?

A minha vida foi dura, nunca foi fácil como todos sabem, mas procurei me abrir com as pessoas certas que me deram conselhos e a direção para seguir, estou fazendo isso e o resultado está aparecendo. Talvez isso tenha sido mais difícil, eu não sabia o que era ser aplaudido. Na minha vida sempre fui criticado e vaiado, muito pelas minhas atitudes, eu sei. Mas hoje eu não sou mais aquele moleque de outrora, não revido e nem caio em provocações grosseiras. Incendeio minhas lutas com respeito, isso eu posso e acho que o público também gosta.

A gente sabe que toda luta, principalmente no Mundial, é uma guerra. Contudo, qual luta você aponta como a mais difícil que você encarou pelo título super pesado?

Todas foram difíceis. Da primeira à última, mas a primeira foi mais complicada porque já havia perdido ano passado logo na primeira, e a última pela possibilidade de me frustrar, nadar e morrer na praia. A final teve uma pressão enorme, já que o Bernardo é um multicampeão com um jogo muito eficiente tanto de meia-guarda como passando, ali eu sabia que não poderia errar, tanto que eu estava muito concentrado, sabia que não poderia piscar em nenhum momento, principalmente no final quando ele me chamou pra luta. Eu só pensava no título e no meu sonho, no meu filho, na minha família e em tudo que passei para chegar onde cheguei. Após a vitória eu travei, eu achava que iria comemorar como um louco, mas estava tão concentrado e anestesiado que minha comemoração foi mínima. A sensação de ser campeão mundial é surreal!

Este ano você lutou pela Atos, na associação de equipes com a Almeida JJ. Como foi para você somar pontos para a equipe de Andre Galvão, que se tornou um amigo e conquistou ao seu lado o título mundial?

Foi muito bom para as duas equipes. Eu não conhecia o André como estou conhecendo, ele é um cara muito bom, um líder técnico e de coração enorme. Fizemos uma amizade incrível. É gratificante ter pessoas do bem perto de você. Esse cara é uma exemplo! Na época que lutamos eu perdi no tatame mas ganhei fora dele. Foi uma motivação maior, o André era um atleta que eu conhecia por revistas e vídeos e um dia eu pude lutar com essa lenda do esporte. Hoje tenho a honra de ser amigo desse cara!

E qual a mensagem que o Erberth gostaria de deixar para os jovens competidores do Jiu-Jitsu que, assim como você, sonham em superar todas as barreiras e se tornarem campeões no esporte e na vida?

Não existe atalho para ser campeão! Caminho fácil não existe, o negócio é trabalhar. Fuja das “desculpas”, sejam elas a falta de dinheiro, tempo ou por estar em equipes pequenas. Se realmente você quer ser campeão, nada pode te impedir! Quero deixar mais uma dica de valor: Esteja perto de pessoas boas, isso vai te fazer muito diferente!

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There are 2 comments for this article
  1. André Monteiro at 12:27 pm

    Os adversários falam muito dele, ele de fato é marrento, porém quantos não são? Seja lutando ou em seminários? Na academia treinando? É uma luta, a marra já fez muito pelo jiu-jitsu e pelo MMA. Parar de choro, reconhecer que ele é um grande atleta, vencedor e treinar mais pra ganhar dele.

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